quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Navarro Correas Colección Privada Malbec 2012


Tipo: Tinto.
Produtor: Bodega Navarro Correas.
Origem: Mendoza, Argentina.
Visual: Cor rubi com reflexos violeta.
Olfato: Morango em compota, canela, baunilha e pimenta.
Paladar: Um Malbec leve e de taninos macios, bastante frutado e com um discreto toque de madeira.
Outras considerações: Elaborado 100% com a variedade Malbec, amadureceu parcialmente (40%) em barricas de carvalho francês. “Cresce” bastante se acompanhado de carnes vermelhas. Tem 13,9% de álcool.

Classificação: Bom/Muito Bom.
Média de preço: R$ 60 [Importadora Interfood].

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Torres mostra porque foi considerada a marca de vinhos mais admirada do mundo

É sempre um aprendizado poder conversar com pessoas atuantes e de destaque no mundo do vinho. Ontem pude estar com uma delas: Miguel Torres, vinicultor pertencente à 5ª geração da família espanhola Torres e um dos mais respeitados nomes da enologia mundial. Ele esteve no Recife, numa parceria com as importadoras Lacomex e Devinum, onde realizou duas apresentações.


Durante agradável almoço no Wiella Bistrô, Miguel Torres falou um pouco sobre o posicionamento da empresa, eleita pela revista britânica Drinks International como a marca mais admirada no mundo, e abriu alguns dos seus vinhos para serem provados.

A vinícola Torres foi fundada em 1870, na região de Penedès, na Catalunha, Espanha. Atravessou a Guerra Civil naquele país, quando foi parcialmente destruída, mas conseguiu logo em seguida se reerguer. Em 1975, Marimar Torres, tia de Miguel Torres, se instala na California, Estados Unidos, começando a plantar em 1982 e inaugurando a vinícola Marimar Estate em 1993. Em 1979, a Torres inicia atividade no Chile, sendo a primeira vinícola estrangeira a se estabelecer naquelas terras. Foi eleita em 1999 pela Wine Spectator a bodega mais importante da Espanha e em 2006 a melhor bodega europeia.

Além do Penedès, a vinícola hoje produz vinhos de diversas regiões da Espanha e possui empresas de distribuição na naquele país, no Brasil e na China, exportando para mais de 160 nacionalidades. “É a marca espanhola mais premiada em concursos internacionais”, destaca Torres.

Confira as minhas impressões sobre alguns vinhos provados durante o encontro:

Santa Digna Estelado Rosé

Este espumante rosado é produzido no Vale do Curicó, no Chile, através do método tradicional – com segunda fermentação em garrafa. Tem em sua composição uma uva quase desconhecida no resto do mundo: trata-se da País, uma casta tinta antiga que vem sendo resgatada no Chile. Sua coloração é de um discreto rosado, apresentando também bolhas finas e uma boa intensidade de espuma na taça. O aroma envolve notas de morango e framboesa, que aparecem também no paladar. Sabor leve, fresco e prolongado, com um toque de leveduras. Tem 12% de álcool.


Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: R$ 72 [No Recife, na DOC Distribuidora]

Milmanda 2008

Milmanda é o nome de um castelo localizado na região de Conca de Barberà, localizada entre Penedès e Priorato, na Espanha. Este mesmo local dá origem a este belo vinho branco elaborado 100% com a casta Chardonnay. A bebida vinificou em carvalho novo francês, onde amadureceu em contato com as borras de 9 a 12 meses. Sua cor é amarela dourada e os aromas minerais, tostados, de mel e abacaxi em calda. Na boca aparece uma textura amanteigada, com média acidez e final prolongado. Segundo Torres, este é um vinho apreciado pela família real espanhola. Sua graduação alcoólica é de 13,5%.


Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: R$ 140 [No Recife, na Lacomex]

Cordillera Carmenère 2009

Vem do Vale do Curicó, no Chile, o primeiro vinho de Miguel Torres feito com a uva Carmenère. Tem cor rubi de média intensidade com reflexos violeta. O nariz é rico em percepções, como frutas vermelhas frescas, eucalipto, pimenta, floral e cravo. De médio corpo, traz na boca as mesmas sensações do olfato e mais notas tostadas, envolvidas numa estrutura equilibrada e de sabor persistente. Maturou 12 meses em carvalho francês (30% novo). Tem 14,5% de álcool.


Classificação: Muito Bom.
Média de preço: R$ 78 [No Recife, na DOC Distribuidora]

Salmos 2011

O nome do vinho é uma homenagem aos monges pioneiros na elaboração de vinhos no Priorato. Segundo Miguel, ao trabalhar nas vinhas eles cantavam e recitavam salmos. O vinho é um tinto feito naquela mesma região com as variedades Garnacha Tinta, Syrah e Cariñena. Sua maturação foi de 12 meses em carvalho francês novo. De cor rubi clara e brilhante, a bebida tem aromas de frutas vermelhas frescas, cravo e pimenta. Leve, traz na boca novamente a fruta e as especiarias, mescladas a toques de chocolate. Sabor exótico e prolongado. Tem 14,5% de graduação alcoólica.


Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 157 [No Recife, na Lacomex]

Mas La Plana 2009

Vem do Penedès este encantador Cabernet Sauvignon maturado 18 meses em barricas novas de carvalho francês de primeira qualidade. Sua cor é rubi de média intensidade e o nariz mostra toques florais, de ameixa, chocolate, eucalipto e especiarias. Paladar marcado pela boa qualidade dos taninos e equilíbrio da acidez. De médio corpo, tem final longo e sabor semelhante às sensações do olfato. Elegante e com boa capacidade de guarda.


Classificação: Excelente/Excepcional
Média de preço: R$ 180 [No Recife, na Lacomex]

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Provamos o vinho laranja de Gravner

Numa degustação entre amigos, um deles nos presenteou com alguns bons rótulos trazidos da Itália. Um deles eu tinha grande curiosidade em provar: o “vinho laranja" do produtor Josko Gravner. A bebida, elaborada na região de Friuli, norte do país, tem como diferencial uma fermentação prolongada em contato com as cascas, realizada dentro de antigas ânforas de barro. Devido a esta maturação, o vinho ganha uma cor alaranjada. Daí o seu apelido de “vinho laranja”.

Quando teve a ideia, Gravner queria simplesmente fazer vinhos diferentes, porém de uma maneira mais natural. As vinhas de onde saem as uvas de sua produção são cultivadas de maneira orgânica, sem a utilização de defensivos agrícolas, e também seguindo práticas biodinâmicas, com a observação dos ciclos lunares.

Atualmente, Gravner possui cerca de 50 ânforas, compradas na Georgia, região do Cáucaso - berço da vitivinicultura. Esses recipientes ficam enterrados no solo da sua adega, onde os vinhos repousam sem controle de temperatura.

Confira a avaliação do rótulo provado:


Gravner Anfora 2006

Tipo: Branco (ou Laranja, se preferir)
Produtor: Gravner.
Origem: Friuli, Itália (com metade dos vinhedos localizados na Eslovênia).
Visual: Cor alaranjada, clara e brilhante.
Olfato: Exótico, envolve notas minerais, de toranja, pimenta, anis estrelado, flores secas e toffee.
Paladar: Bastante seco, traz no sabor algo que lembra erva doce e baunilha, junto com um discreto toque oxidado. Final prolongado.
Outras considerações: Elaborado com uvas brancas da variedade Ribolla Gialla, o vinho fermentou espontaneamente em ânforas de terracota por um período de sete meses. Ainda maturou três meses em carvalho esloveno e foi engarrafado na lua minguante, sem clarificação e filtração. Tem 14,5% de álcool.

Classificação: Hors concours.
Média de preço: No Brasil, R$ 433 [Importadora Decanter]

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Riedel comprova porque a taça faz diferença na hora da degustação

Tive a oportunidade de participar semana passada de uma demonstração da marca de cristais austríaca Riedel, referência mundial em taças para vinhos, em parceria com a importadora Mistral. O encontro aconteceu na Casa dos Frios, no Recife, com a presença da brand manager Cristina Geremias (foto).


A intenção era comprovar que a taça correta pode causar uma sensação completamente diferente e prazerosa na degustação de um vinho.

Antes de comprovar a teoria, Cristina falou sobre a história da marca, que começou há mais de 250 anos com o fabricante de vidros Christoph Riedel. O negócio atravessou 11 gerações, sempre nas mãos da mesma família. Mas foi na década de 50, com Claus Riedel, que a marca deu o “pulo do gato”, desenvolvendo a série Sommeliers, com copos especialmente desenvolvidos para realçar tipos de vinhos específicos.

Na década de 80, Georg Riedel aperfeiçoou o fabrico das peças desenvolvendo copos mais resistentes, porém de qualidade superior. Em 2004, a Riedel se tornou proprietária da empresa vidreira alemã Nachtmann, país onde instalou a sua produção mecânica. Além da Nachtmann, a Riedel também é proprietária da Spiegelau.

Mas como a Riedel consegui se tornar símbolo de excelência em cristais para vinhos? Nada melhor do que a prática para responder à pergunta. Com diferentes copos da linha para restaurantes dispostos à frente de cada participante, Cristina passou a conduzir uma degustação diferente, lembrando um show de mágica - porém totalmente baseada em conceitos de física e química.


Ela fez os presentes passarem um Catena Chardonnay 2012 (vinho branco maturado em carvalho) por diferentes taças, inclusive de plástico, para mostrar que dependendo do modelo do copo, os aromas somem e o vinho ganha caráter amargo na boca. Na taça Restaurant Chardonnay, o vinho aparece vívido, com características de mel, abacaxi, baunilha e nozes, além de acidez equilibrada e sabor frutado. A explicação é que neste tipo de taça o diâmetro da borda é mais largo para ressaltar a acidez da bebida.

O segundo teste foi com um Pinot Noir Montes Alpha 2012, um vinho com aromas de frutas do bosque, eucalipto e especiarias, paladar leve, com fruta expressiva e final prolongado. Depois de uma degustação perfeita na taça Restaurant Pinot Noir, Cristina nos fez transferir a bebida para uma taça de vinho branco. O resultado: surgiu um amargor que não havia sido sentido na taça adequada. Neste caso, a taça para Pinot Noir tem bojo largo e borda mais estreita, que ajuda a ressaltar a doçura e amenizar a acidez do tinto.


Num terceiro experimento, ela utilizou o australiano Domaine Tournon Mathilda Victoria 2012, elaborado com a uva Shiraz, servindo-o na taça modelo Restaurant Hermitage. Este modelo direciona o vinho para o centro da boca, ressaltando o seu corpo. A bebida, que traz notas de especiarias, frutas maduras e eucalipto, além de bom corpo, sabor fresco e frutado, ficou amarga na taça para Pinot Noir. A fruta percebida anteriormente também ficou mais fraca na taça inadequada.

Por último, o modelo Restaurant Cabernet Sauvignon, usado para degustar um Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2012 - desenhado para ressaltar o corpo e acidez do vinho. Frutas maduras, menta, chocolate, eucalipto, café e tabaco aparecem no aroma da bebida. É um vinho carnudo no paladar, com sabor que remete às sensações do nariz. Em um outro copo, o vinho ganhou um amargor não sentido na taça correta.

Segundo Cristina Geremias, os copos Riedel têm um vidro com imperfeições microscópicas, projetadas para quebrar moléculas do vinho. “Por isso, não é necessário balançar as nossas taças para liberar os aromas”, explicou, ressaltando que a marca é a única no mundo que tem uma taça para cada tipo de varietal.

Por causa da sensação de “degustação perfeita”, a brand manager observou que a venda de vinho nos restaurantes que usam Riedel crescem 20% mesmo sem alterações na carta da bebida. “O primeiro gole já vende uma segunda garrafa”, comenta.

A Riedel também fabrica decanter especiais, com tecnologias inovadoras, além de copos específicos para destilados, como single malt wisky,conhaque e tequila, entre outros.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ave de peito vermelho inspira linha da Viña Bisquertt

Um simpático passarinho de nome igualmente agradável estampa o rótulo de um vinho que tomei recentemente. Trata-se do Reserva Petirrojo, elaborado pela chilena Viña Bisquertt, em homenagem ao Petirrojo - uma ave de peito vermelho que vive brincando nos vinhedos da região do Vale de Colchagua.

A linha Petirrojo conta com três tintos barricados (Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère) e dois brancos sem passagem por madeira (Chardonnay e Sauvignon). Provei o último deles e conto aqui as minhas impressões:


Reserva Petirrojo Sauvignon Blanc 2013

Tipo: Branco.
Produtor: Viña Bisquertt.
Origem: Vale de Colchágua, Chile.
Visual: Coloração verde limão.
Olfato: Mescla notas cítricas, florais, herbáceas, minerais e de frutas brancas, como melão.
Paladar: Leve e refrescante, com acidez bastante presente. O sabor traz de volta as mesmas características sentidas no nariz.
Outras considerações: Elaborado com uvas Sauvignon Blanc, o vinho tem 13% de álcool. Vai bem como aperitivo ou acompanhando frutos do mar.

Classificação: Bom/Muito Bom.
Média de preço: R$ 50 (No Recife, na Dom Vinho)

sábado, 6 de setembro de 2014

Menor DOCG da Itália dá origem a encantadores vinhos de sobremesa

Esta semana tive o privilégio de poder provar os vinhos da menor Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) da Itália, a Moscato di Scanzo. Esta região demarcada está localizada em Bergamo, na Lombardia, e possui um produto de grande prestígio, que é um vinho de sobremesa feito com uvas passificadas, cultivadas numa área de apenas 31 hectares.

Quem realizou a apresentação dos produtos foi o enólogo Luca Benini, representante oficial da DOCG no Brasil. Ele explicou que vinte produtores formaram o Consorzio Tutela Moscato di Scanzo para garantir a qualidade do vinho, de produção bastante limitada. Segundo Benini, no ano de 1870, esse vinho era o mais caro do mundo, sendo muito apreciado pelos ingleses.

A PRODUÇÃO - Os registros históricos apontam que o Moscato di Scanzo é produzido desde o ano de 1300. Mas acredita-se que desde 1.000 A.C. ele já fazia parte do costume local. As uvas que dão origem a ele são meticulosamente selecionadas, sendo passificadas durante 20 a 50 dias. Os cachos ficam pendurados em vigas ou espalhadas sobre esteiras até que estejam parcialmente secas. O mosto é fermentado da maneira tradicional, dando origem a um vinho bastante doce que, em geral, tem um teor alcoólico mais elevado.

Ao atingir o teor de açúcar de pelo menos 280 g/l, se prensa a uva. O vinho amadurece por dois anos, no mínimo, antes de passar pelo controle de qualidade para a obtenção do selo DOCG. Além dos vinhos de sobremesa, a região também produz tintos secos.

Confira as impressões sobre os vinhos provados, todos da Azienda Agricola Biava:

Giallo Vino da Tavola Passito Biava


De coloração dourada, este vinho de sobremesa apresenta envolventes aromas de amêndoas, mel e erva-doce. No paladar é encorpado, com bom dulçor, equilibrado pela acidez presente. Encorpado, untuoso e com leve apimentado. Tem 14% de álcool.

Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 200 (500ml)

Guelfo Biava 2010


Este é um tinto seco elaborado com Cabernet Sauvignon e Merlot e amadurecimento de 18 meses em carvalho francês. De cor rubi claro, traz aroma de frutas vermelhas pontuado por discretas notas de couro. Na boca tem taninos pungentes, de boa qualidade. A fruta aparece novamente, porém um pouco “apagada” pelo forte caráter picante do vinho. Final bastante prolongado. Sua graduação alcoólica é de 14%. Um vinho que pede comida para acompanhar.

Classificação: Bom.
Média de preço: R$ 80.

Moscato di Scanzo Biava2008



De cor rubi, este vinho tem aromas muito exóticos e agradáveis. Destacam-se flores secas, fruta vermelha em compota e especiarias. O sabor picante contrasta com a doçura da bebida. Outras nuances aparecem no sabor, como ameixa, tabaco e chocolate. Um vinho de meditação, feito para ser bebido sem pressa. Final persistente.

Classificação: Excelente/Excepcional.
Média de preço: R$ 300.

No Brasil, os vinhos podem ser encontrados através de Luca Benini: benini68@gmail.com | (21) 8352-8750.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Circuito Brasileiro de Degustação chega ao Recife na próxima semana


Vinte e uma vinícolas brasileiras estarão reunidas na terceira etapa do Circuito Brasileiro de Degustação 2014, que acontece na próxima terça-feira (09), no Recife. O evento, promovido em parceria pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) acontecerá no Arcádia Paço Alfândega, das 16h às 21h (profissionais) e das 19h 21h (consumidores).

Este ano, o Circuito está com um novo formato, com foco no trade, imprensa e formadores de opinião. Para o consumidor final, o acesso será permitido somente mediante convite. Desta forma, o público presente poderá receber um atendimento mais personalizado.

As empresas participantes do circuito serão as seguintes: Aracuri Vinhos Finos, Basso Vinhos e Espumantes, Casa Valduga, Cooperativa Garibaldi, Dal Pizzol Vinhos Finos, Domno do Brasil, Don Guerino, Dunamis, Grupo Vinícola Famiglia Zanlorenzi, Gran Legado Vinhos e Espumantes, Lidio Carraro Vinícola Boutique, Luiz Argenta Vinhos Finos, Miolo Wine Group, Pizzato Vinhas e Vinhos, Quinta Don Bonifácio, Vinícola Aurora, Vinícola Hermann, Vinícola Perini, Vinícola Sinuelo, Vinícola Salton, Vinibrasil, Suco de Uva 100% do Brasil e Oxford Porcelanas S/A.

Na primeira etapa do Circuito Brasileiro de Degustação 2014, 26 vinícolas de quatro estados brasileiros apresentaram seus destaques nas capitais do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Aproximadamente 1,4 mil pessoas participaram dos eventos nos dias 25 e 27 de março e 1º de abril, respectivamente.

Recife recebe Wine Tasting Riedel


Quem aprecia um bom vinho sabe que a taça adequada faz uma grande diferença na hora da degustação. Para comprovar essa teoria, a brand manager da marca austríaca Riedel, Cristina Geremias, estará no Recife no próximo dia 10 de setembro.

Cristina vai demonstrar como a forma (tamanho do bojo e diâmetro da borda) pode alterar significativamente o vinho, alterando na percepção de seus aromas.

O encontro vai acontecer às 20h, na Casa dos Frios, no Bairro das Graças, em parceria com a importadora Mistral. O valor da inscrição é de R$ 200. Vagas limitadas.

RIEDEL - Há mais de 250 anos, a família Riedel escreve a história dos melhores e mais finos cristais produzidos. O perfeccionismo no trabalho com o cristal e as inovações técnicas permitiram que a marca conquistasse uma posição única no mercado, estabelecendo-se como a mais exclusiva grife em taças de vinho de todo o mundo.

Informações e inscrições: (81) 2125-0220

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Les Amis: vinhos amigáveis não só no nome

Ontem foi dia de Winebar, iniciativa dos enobloggers Daniel Perches (à direita na foto) e Alexandre Frias, através da qual são realizadas degustações ao vivo com a participação virtual de vários formadores de opinião brasileiros da área. Mais uma vez, tive o prazer de participar do encontro, que nesta última edição teve a participação do fundador da importadora Expand, Otávio Piva (à esquerda na foto), trazendo os vinhos franceses Les Amis.


O projeto Les Amis, segundo explicou Piva, nasceu da amizade de oito winemakers franceses que produzem em diferentes regiões daquele país, num sistema tipo cooperativa. Eles se juntaram e criaram a marca - hoje é exportada para outros países, como o Brasil. Confira as minhas impressões sobre os vinhos provados:


Les Amis Rosé Brut

Espumante elaborado na região da Provence, tem em sua composição a uva tinta Grenache. Sua cor é de um discreto tom salmão, lembrando casca de cebola, e na taça exibe finas e numerosas borbulhas. Aroma frutado, com notas de morango, damasco e pêssego, mas também com um toque de fermento e brioche. Paladar elegante, de boa acidez e cremosidade, incluindo discretas notas oxidativas. Álcool: 11,5%.

Classificação: Muito Bom.
Preço: R$ 64,80*

Les Amis Bourgogne Pinot Noir 2011

Feito com uvas Pinot Noir provenientes das regiões de Côte de Beaune, Côte de Nuits e Côte Chalonnaise, na Borgonha, é um vinho de cor rubi clara com aroma de frutas silvestres maduras, como morango e framboesa, envolvendo ainda toques de couro e terra molhada. Corpo leve e delicado, com bom frescor. O sabor remete às sensações sentidas no nariz. Final de média intensidade. Álcool: 12,5%.

Classificação: Muito Bom/Excelente.
Preço: R$ 125*

Les Amis Bordeaux 2010

Este tinto da região de Bordeaux traz em sua composição as uvas Merlot (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). De cor rubi violácea, tem um estilo moderno, leve e fácil de tomar. Frutado, apresenta boa acidez e taninos marcantes, porém em equilíbrio. Além da fruta, o paladar também traz discretas notas de madeira e especiarias. Álcool: 13,5%.

Classificação: Bom.
Preço: R$ 78*

*Os vinhos são importados pela Expand (www.adegaexpand.com.br)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O vinho da terra de Romeu e Julieta (#CBE)

Verona, localizada no Vêneto, norte da Itália, é lembrada mundialmente por ter sido o cenário da história de amor entre Romeu e Julieta, na peça escrita por William Shakespeare. Mas é também reconhecida por ser o lar do Valpolicella, vinho tinto leve e com pouco tanino elaborado com as uvas nativas Corvina, Rondinella e Molinara. Este clássico italiano foi a sugestão do confrade Alexandre Takei para ser o tema comentado hoje na Confraria Brasileira de Brasileira de Enoblogs (CBE). O meu rótulo foi o seguinte:


Valpolicella Classico Campo del Biotto 2012

Tipo: Tinto.
Produtor: Michele Castellani.
Origem: Vêneto, Itália.
Visual: Cor rubi de média intensidade.
Olfato: Exala jovialidade, com notas de frutas escuras frescas, como ameixa e amora, além de notas de mentol e especiarias.
Paladar: O sabor confirma as sensações sentidas no nariz. Taninos e acidez aparecem de forma equilibrada. De corpo médio, o vinho tem final longo e agradável.
Outras considerações: Elaborada com as uvas Corvina Veronese (70%), Rondinella (20%), Molinara (5%) e outras castas antigas típicas da região (5%), a bebida amadureceu em tanques de aço inox e apresenta 12,5% de álcool.

Classificação: Bom.
Média de preço: R$ 75 (Importadora Decanter)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Diferente e elegante: Vinha Val dos Alhos Castelão

Provei ontem este vinho feito 100% com a Casta portuguesa Castelão, proveniente da região de Palmela, na Península de Setúbal. Chega a lembrar um Pinot Noir, mas com uma “pegada” rústica. Confira a avaliação:


Vinha Val dos Alhos Castelão 2011

Tipo: Tinto.
Produtor: Horácio Simões.
Origem: Palmela, Setúbal, Portugal.
Visual: Cor violácea clara e brilhante.
Olfato: Groselha, framboesa, tabaco e carne defumada.
Paladar: Frutado, lembrando as sensações do nariz, tem taninos elegantes e boa persistência. Também mostra algumas notas minerais.
Outras considerações: Elaborado 100% com a uva Castelão, o vinho estagiou em barricas de carvalho francês durante nove meses e mais três meses em garrafa. Tem 14% de álcool.

Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: R$ 89 [Importado pela Adega Alentejana]

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Um imperdível branco do Alentejo

Tem vinhos que um bom apreciador não deve deixar de provar. Na minha lista de indicações está o Esporão Reserva Branco, um alentejano elaborado pelas mãos do enólogo australiano David Baverstock e da enóloga portuguesa Sandra Dias. A cada ano o corte muda. Na safra de 2012, além de tradicionais castas da região, eles usaram na composição um pouco da uva francesa Semillion. O resultado está aí abaixo:


Esporão Reserva Branco 2012

Tipo: Branco.
Produtor: Herdade do Esporão.
Origem: Alentejo, Portugal.
Visual: Cor amarelo dourado bem brilhante.
Olfato: Muito rico e envolvente, traz notas de frutas brancas, frutas tropicais, mineral, coco e leve tostado.
Paladar: Um branco com corpo e de final prolongado. Demonstra uma discreta doçura, que vem acompanhada por notas apimentadas e uma boa acidez.
Outras considerações: Elaborado com as castas Antão Vaz, Arinto, Roupeiro e Semillon, o vinho fermentou em inox e em barricas novas de carvalho americano e francês. Tem 14% de álcool.

Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 70 [Licínio Dias Importação]

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Barolo, Barbaresco? Não, Gattinara!

Gattinara é uma comuna italiana ao norte do Piemonte onde está a região demarcada de mesmo nome. Com Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG), assim como seus famosos “conterrâneos” Barolo e Barbaresco, também tem em sua composição a uva Nebbiolo. A vantagem desse vinho é que ele é um pouco mais barato, porém mostra qualidade compatível aos outros dois citados. O Gattinara tem um pouco menos de corpo que o Barolo e o Barbaresco, mas também costuma exibir boa complexidade e capacidade de envelhecimento.

Tomei recentemente um rótulo desta DOCG que me foi presenteado por uma grande amiga e confesso que fiquei muito bem impressionada com o produto. Confira a avaliação:


Gattinara Travaglini 2007

Tipo: Tinto.
Produtor: Travaglini.
Origem: Toscana, Itália.
Visual: Cor rubi claro com traços alaranjados.
Olfato: Erva doce, canela, flores secas, morango, menta e discreto toque de couro.
Paladar: Corpo leve, taninos macios e final prolongado. As sensações do sabor são semelhantes às sentidas no nariz.
Outras considerações: Um vinho elegante, que se “abre” na taça mostrando a cada minuto uma diferente nuance. Elaborado 100% com a casta Nebbiolo, amadureceu três anos em madeira (sendo dois anos em carvalho esloveno) e mais três meses em garrafa. Possui 13,5% de álcool. Tem capacidade de melhorar com a guarda.

Classificação: Excelente.
Média de preço: No Brasil, R$ 178 (Importadora World Wine)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Dica de vinho sul-africano econômico

Além da pouca oferta em nosso mercado, os vinhos sul-africanos normalmente chegam por aqui por um preço elevado. Porém, um dia desses aproveitei uma promoção no site da Wine e comprei este rótulo agradável e acessível:


Danger Point Cabernet Sauvignon  Merlot 2013

Tipo: Tinto.
Produtor: Cape Heritage.
Origem: Western Cape, África do Sul.
Visual: Cor violácea clara.
Olfato: Frutas vermelhas maduras, cravo e flores secas.
Paladar: Fresco e de médio corpo, tem taninos de boa qualidade e final de boca persistente. O sabor traz as mesmas sensações do olfato.
Outras considerações: Um tinto simples e agradável elaborado com uvas Cabernet Sauvignon e Merlot. Estagiou em carvalho francês e americano por tempo não informado pelo produtor. Tem 13% de álcool.O nome do vinho faz referência ao farol Danger Point, localizado em uma perigosa área com recifes e rochas de difícil visualização. Encomendado em 1895, por mais de um século o Danger Point orientou a passagem de navios na zona sul de Walker Bay.

Classificação: Boa compra.
Média de preço: R$ 22,40 (na promoção) e cerca de R$ 32 (normal)

Onde encontrar: www.wine.com.br

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Vinícolas amargam prejuízos com terremoto na Califórnia

O terremoto que abalou ontem (24) as regiões vinícolas de Napa Valley e Sonoma, situadas no Estado americano da Califórnia, trouxe grandes prejuízos para as bodegas instaladas na região. O tremor aconteceu num péssimo momento para os produtores, justamente no início da colheita da safra deste ano.


Segundo a Agência Associated Press (AP), uma das vinícolas atingidas foi a B.R. Cohn, que perdeu quase 50% do seu vinho. Na Dahl Vineyards, um barril de vinho Pinot Noir estimado em cerca de US$ 16 mil foi perdido e vários outros estavam em perigo de cair. Em Oakville, também de acordo com a AP, a Silver Oak confirma que perdeu "algumas centenas de garrafas".


Já a vinícola Hess perdeu dois tanques e cerca de 15 mil caixas de vinhos.

Ainda não foram registrados danos na infraestrutura das vinícolas, mas os representantes do setor já falam num prejuízo de aproximadamente US$ 13 bilhões.


A Califórnia declarou estado de emergência por conta deste terremoto, que foi o maior dos últimos 25 anos, com magnitude de 6.0. Cerca de cem pessoas ficaram feridas, mas não houve nenhuma morte.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Tempranillo de Castilla y Leon com a assinatura Marqués de Riscal

Quem acompanha as minhas postagens nas redes sociais, percebe que vez por outra abro um vinho do produtor espanhol Marqués de Riscal. Ainda não provei um vinho desta bogeda que não me tivesse me agradado. Tradicionais produtores da região da Rioja, eles também elaboram brancos na região de Rueda e um tinto no território de Castilla y Leon. É sobre este último vinho que vou falar aqui, lembrando que já comentei no blog sobre a safra de 2006 do mesmo rótulo. Confira a avaliação:


Riscal 1860 Tempranillo 2010

Tipo: Tinto.
Produtor: Marqués de Riscal.
Origem: Castilla y Leon, Espanha.
Visual: Cor violeta brilhante, de média intensidade.
Olfato: Frutas vermelhas silvestres (morango, framboesa), canela, baunilha e orégano.
Paladar: Corpo leve e taninos ainda jovens - sinal de que o vinho deve melhorar com a guarda. O sabor traz as mesmas sensações sentidas no nariz. Final prolongado.
Outras considerações: Elaborado com uvas Tempranillo, tem em sua composição uma pequena quantidade das variedades Merlot e Syrah. O amadurecimento é de seis meses em carvalho americano. Tem 13,5% de álcool.

Classificação: Bom (vai evoluir com a guarda)
Média de preço: R$ 60 [comprado no Duty free shop por cerca de 16 dólares]

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A verdade sobre as "uvas arco-íris"

Ultimamente, algumas imagens de cachos de uvas coloridas andam circulando pela internet. Antes que se fale em milagre ou mutação genética, o Jornal da Ciência explicou que as fotos em questão são manipuladas, tal como esta aí abaixo.


 Porém, existe uma fase do desenvolvimento dos frutos onde observa-se um fenômeno parecido.Trata-se do “veraison”, estágio no qual os frutos mudam de cor para entrar na fase final de amadurecimento (foto a seguir). Em um mesmo cacho eles podem adquirir tonalidades diferentes, algumas mais verdes, outras rosadas e outras roxas - mas nunca azul, dourado ou cores exóticas.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Mais um Secreto de Viu Manent

Esse é um daqueles vinhos que atraem logo pelo rótulo (a ilustração é feita pela artista chilena Catalina Abbott). A linha completa conta com seis vinhos varietais, sendo o Syrah meu preferido entre os já provados. Dia desses aproveitei uma promoção e resolvi experimentar novamente o Carmenère. Como nunca comentei sobre ele aqui no blog, aí vai a minha avaliação:


Secreto de Viu Manent Carmenère 2010

Tipo: Tinto.
Produtor: Viu Manent.
Origem: Vale de Colchagua, Chile.
Visual: Cor violeta profunda.
Olfato: Frutas negras, floral, groselha, erva doce e eucalipto.
Paladar: Médio corpo, com taninos bem aparentes - porém não agressivos. O sabor é semelhante às características do nariz e ainda traz notas tostadas e de café. Faltou um pouco de persistência no gosto.
Outras considerações: Elaborado com 85% de Carménère e 15% de uma variedade secreta (daí o nome do vinho). A fermentação alcoólica ocorreu com o uso de leveduras nativas. Parte (80%) do vinho amadureceu seis meses em barricas de carvalho francês e americano. Tem 14,2% de graduação alcoólica. Um vinho jovem, que pode melhorar com mais um ou dois aninhos de guarda.

Classificação: Bom.
Média de preço: R$ 65.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Felino Malbec do genial Paul Hobbs

Quando o renomado enólogo californiano Paul Hobbs (criador do ícone Opus One) descobriu o potencial da uva Malbec, ele decidiu formar uma parceria com o casal de também enólogos Andrea Marchiori e Luis Barraud para produzir grandes vinhos na Argentina. Em 1989, eles fundaram a Viña Cobos, que se tornou uma referência em vinhos Premium naquele país.

O Felino faz parte da linha mais básica da Viña Cobos. Mesmo assim é sinônimo de boa qualidade, arrematando altas pontuações da crítica internacional. Confira a avaliação da safra 2012 do Malbec desta linha, que também conta com os varietais Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay:


Felino Malbec 2012

Tipo: Tinto.
Produtor: Viña Cobos.
Origem: Mendoza, Argentina.
Visual: Rubi escuro com reflexos violeta.
Olfato: Rico e envolvente, traz notas florais, tostadas, de especiarias, ameixa e terra molhada.
Paladar: Encorpado e elegante, tem sabores semelhantes às sensações do olfato e ainda revela notas de chocolate. Final fresco e prolongado.
Outras considerações: Elaborado com uvas  Malbec (93%), Cabernet Sauvignon (4%) e Merlot (3%) provenientes dos vinhedos localizados em  Luján de Cuyo, Maipú e Vale do Uco, o vinho amadureceu oito meses em carvalho francês e americano.

Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: Na Argentina, onde comprei, custa cerca de 80 pesos. No Brasil, R$ 84 (Grand Cru).

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Os vinhos “sem maquiagem” de Filipa Pato

“Vinhos sem maquiagem”, este é o conceito utilizado pela enóloga portuguesa Filipa Pato. Sua produção, na região da Bairrada, é livre de defensivos agrícolas e elaborada à maneira dos antepassados. Filha do renomado produtor Luiz Pato, aquele que é responsável por “domar” a difícil casta Baga, ela diz que nunca pensou em ser produtora. Mas a vocação falou mais alto e Filipa trocou a engenharia química, sua profissão de origem, pelos vinhedos e pela alquimia dos vinhos.


Quando resolveu entrar nesse mundo, a enóloga, formada em Bordeaux, ouviu do seu pai a seguinte sentença: “Quer fazer vinho? Então vá fazer em outra adega”. Foi quando sua avó lhe ofereceu uma antiga vinícola que pertencia ao seu tio, datada do ano de 1888. Ela aceitou a oferta e comprou novos equipamentos para a estrutura, que segundo ela, embora velha, “era muito bem pensada”. Apesar da negativa inicial do pai, Filipa disse que ele foi um grande incentivador de sua carreira. Talvez aquilo tenha sido fundamental para que ela adquirisse mais tarde o seu estilo próprio.

Toda esta história foi contada a mim e a um pequeno grupo de convidados, durante um impecável jantar realizado esta semana no Recife, no restaurante Ponte Nova, promovido pela distribuidora Veloz, que acaba de se estabelecer na cidade.

Filipa falou de sua relação com a uva Baga, principal casta daquela região, afirmando que a variedade não se adapta a nenhum outro lugar do mundo fora a Bairrada. “Tal como a Pinot Noir, é uma uva muito caprichosa”, explica. Segundo ela, a Baga gosta dos solos calcários do local e precisa de clima frio, com boa exposição solar.

Além de não usar agrotóxicos na vinhas, Filipa procura fazer vinhos sem exagero de álcool e de madeira. “Uso no máximo 20% de madeira nova nos meus vinhos”.

A produção anual é de 90 mil garrafas. Destas, cerca de 80% são destinadas ao mercado internacional, principalmente ao Brasil.

Aos 39 anos, Filipa é casada com o sommelier belga William Wouters, com quem assina os “Vinhos Doidos” - que não chegam ainda por aqui. Em 2011 foi eleita a melhor enóloga do ano pela revista alemã Feinschmeker. É uma pessoa sem frescuras, mas ao mesmo tempo refinada – exatamente como os seus vinhos. “Sou fiel aquilo que sou. Nem eu nem meus vinhos usamos maquiagem”, ironiza.

Confira a avaliação dos vinhos provados na noite:

3B Método Tradicional

Filipa não usa a palavra “espumante” no rótulo. Ela simplesmente utiliza “método tradicional” para designar a bebida, que é justamente elaborada com segunda fermentação em garrafa (método tradicional ou champenoise). As uvas Baga (70%) e Bical (30%) fazem parte da composição deste exemplar da Bairrada (daí o nome 3B). De cor rosa claro, apresenta bolhas de tamanho médio, com boa intensidade. Fresco e elegante, traz notas frutadas de romã e morangos, junto com toques tostados. No paladar é leve, cremoso e persistente. Tem 11,5% de álcool.


Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: R$ 80

FP Bical e Arinto 2013

Branco de cor verde limão feito com as castas Bical e Arinto, posui aroma envolvente de notas minerais e de frutas como lichia, abacaxi, lima e pera. O sabor é amanteigado, com bom corpo e acidez, trazendo também o frutado percebido no nariz. Parte do vinho (20%) fermentou em barris usados de carvalho francês. Esta linha substitui a antiga “Ensaios”. A mudança do nome se dá porque Filipa diz ter criado uma base de conhecimento que a fez entender o melhor do que a região oferece. A graduação alcoólica é de 12,5%.


Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: R$ 65

Nossa Calcário Branco 2013

A escolha do nome deste rótulo foi feita através de dois fatores: o primeiro pelo solo calcário da região. O segundo foi pela observação da própria Filipa sobre a forma como os brasileiros expressam a sua aprovação quando experimentam um bom vinho, dizendo “nossa!”. E este é realmente para soltar um sonoro “nossa!”. Elaborado com a casta Bical, fermentou em barricas de 500 litros com controle de temperatura. De coloração verde limão, envolve notas cítricas, minerais e de frutas secas. Encorpado, mostra boa acidez e integração da discreta madeira. O teor alcoólico é de 13%.


Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 130

FP Baga 2013

Filipa diz que este vinho reinventa a vinificação da Baga. Foi inspirado nos pequenos produtores da Bairrada que fazem vinho ao estilo do francês Beaujolais, com pouca extração dos componentes das cascas da uva. Tem período curto de contato com a madeira: “um ou dois meses”, observa a enóloga. Sua cor é de um rubi de média intensidade e os aromas remetem a frutas frescas, como cereja, além de groselha e alguma mineralidade. Sabor leve, com taninos elegantes e perfeito equilíbrio. Um daqueles vinhos pra tomar sem cansar.


Classificação: Muito Bom.
Média de preço: R$ 65

Nossa Calcário Tinto 2011

Feito exclusivamente com a casta Baga, o vinho amadureceu 18 meses em pipas de carvalho de 500 litros. Aroma exuberante, com uma gama diversificada de sensações, tais como floral, especiarias, fruta vermelha madura, tostado, fumo e café. Paladar estruturado, com taninos que deixam o vinho “redondo”. O sabor é tão diversificado quanto as características do olfato. Final prolongado e agradável. Nesta safra, foram engarrafas apenas 2500 garrafas e 110 magnuns (1,5l). Tem 13% de álcool.


Classificação: Excelente/Excepcional.
Média de preço: R$ 130*

*Distribuídos pela Veloz. No Recife, os vinhos podem ser encontrados no Empório Pescadero: (81) 3268-0020.