segunda-feira, 7 de setembro de 2009

14º encontro da Confraria Amigos do Vinho do Vale do São Francisco (CAVAS)

O restaurante Villa, na Rua da Hora, no Recife, foi o cenário do 14º encontro da Confraria Amigos do Vinho do Vale do São Francisco (CAVAS), realizado na última quinta-feira. Mais uma vez, o menu ficou sob a responsabilidade do chef Joca Pontes. Desta vez, os vinhos foram fornecidos pela Ingá.

Antes de falar sobre a degustação, gostaria de parabenizar os organizadores do evento, Ricardo e Gustavo Lustosa, que conseguiram lotar o salão reservado ao encontro com um público bastante descontraído e interessado. A curiosidade da noite foi a presença de dois padres, Pe. Bosco e Pe. Cláudio, este último capelão da Marinha.

Também gostaria de agradecer a oportunidade de poder comentar sobre os vinhos durante o encontro. Para quem não pode comparecer e para quem quer relembrar, aí vai
a descrição da harmonização:

Espumante Brut Prosecco Casa Perini

Este foi servido como entrada com os excelentes risoles em forma de trouxinhas com recheio de frango. É um espumante elaborado com a uva de origem italiana Prosecco cultivada na região de Farroupilha (RS) que apresenta coloração amarelo claro com reflexos esverdeados, com bolhas finas, em boa quantidade e persistência. No nariz tem aromas florais, de maçã verde e fermento. Na boca mostra boa acidez, mantendo o sabor da maçã e um leve amargor final característico da uva. Tem boa persistência e 11,6% de teor alcoólico.

Classificação: Bom.

Espumante Brut Rosé Casa Perini

O segundo espumante da noite é um velho conhecido do blog. Sempre o incluo na lista de espumantes rosés com ótimo custo-benefício (custa na faixa de R$ 19). Este foi servido com o “Assiete de tapas”, uma outra entrada de frios e pastas da casa acompanhados de torradas, e com o prato principal. No meu caso, escolhi um salmão.

Como já descrevi o espumante anteriormente aqui no Escrivinhos, vou relembrar a avaliação:

Elaborado com as uvas Chardonnay, Gamay e Pinot Noir, através do processo Charmat (com fermentação em grandes tanques de inox). É uma bebida que pose ser tomada em várias ocasiões, desde as festivas até na praia, pois se trata de um espumante muito leve e gostoso. Tem coloração e aromas de cereja, com um leve toque de fermento. Na taça forma bolhas finas e na boca é cremoso e frutado, predominando o morango. Possui média persistência e ótimo equilíbrio.

Classificação: Muito bom.

Argento Bonarda Reserva – 2007

Este vinho também já foi descrito pelo Escrivinhos. Foi servido com o segundo prato da noite. Optei por um filé grelhado com molho de tomates frescos e tomates secos, rúcula, manjericão e lascas de parmesão.

Como já disse em outro post, o vinho não tem muita complexidade, mas é uma opção interessante para o dia-a-dia. Elaborado 100% com a cepa Bonarda, em Mendoza, na Argentina, tem coloração violeta bem escura. Os aromas remetem a ameixa e baunilha. Com o tempo, evolui no copo trazendo notas florais. Na boca é frutado e tem média persistência.

Classificação: Bom.

Argento Sauvignon Blanc – 2008

O último vinho da noite veio junto com a sobremesa. Porém, a combinação não caiu muito bem, pois apesar de adocicado, sua doçura é bem inferior à da sobremesa servida: um belo vol-au-vent de cartola (massa folhada recheada com queijo de manteiga e banana assados, mel de engenho com canela e sorvete de creme). Creio que harmoniza bem com entradas e pratos de peixe e frango, já que tem um bom corpo.

É um vinho amarelo claro, bem límpido, bem frutado no nariz, com leves notas florais. Dono de uma certa cremosidade, tem um sabor levemente frutado, com algo que lembra melão, mas denota também um leve amargor, grande acidez e pouca persistência.

Classificação: Razoável

3 comentários

Ricardo Sampaio LUstosa disse...

Cara Fabiana, sua participação enriquece os encontros da CAVAS. Seus comentários, sempre pertinentes, ajudam a difundir o conhecimento sobre o fantástico e agregador "Mundo dos Vinhos".

Gustavo Lustosa disse...

Cara confrade, primeiro parabéns pelas oportunas intervenções com notas de grande conhecimento e segurança nos assuntos pertinentes às harmonizações. Com notória ciência em vitivinicultura argentina e nacional, fomos agraciados com toques de humor e curiosidades a despeito os vinhos degustados. Em nossa confraria, buscamos fugir aos conceitos estereótipos, porém sem estar à margem do agradável e da satisfação. Com este norte e sob o lastro de diversos especialistas, promovemos outros 4 eventos com desafios de harmonizar sobremesas com tintos e brancos. Empiricamente, a maioria (iniciantes ou expectadores) não percebeu a experiência. Já os enófilos mais graduados interpretam suas razões deixando de lado suas emoções, pois estas estariam corroborando com aqueles outros confrades e especialistas.
“A Informação sensorial tem apenas uma pequena parte na determinação de nossas preferências na hora da escolha de um vinho. Inconscientemente, deixamos que experiências anteriores e que o marketing influa em nossa opinião. Baseados nisso, na hora de degustar, é bem possível que mesmo antes de abrir a garrafa já tenhamos formado uma opinião sobre como serão seus aromas e sabores. O cientista Frédérick Brochet, doutor em enologia, fez experiências relacionadas à percepção do sabor do vinho. Em uma delas, ele serviu a degustadores um fermentado branco, que foi prontamente analisado, com os típicos aromas de sua casta. Depois o mesmo foi novamente servido, porém tingido de tinto. As descrições foram totalmente diferentes e, para este “novo vinho”, foram usados descritores típicos de tintos. Outras experiências no mesmo campo, com tecnologia de ressonância magnética, já foram feitas. Um estudo italiano da fundação Santa Lucia, publicado em 2005, mapeou as áreas do cérebro ativadas durante uma degustação às cegas de um vinho. Degustadores amadores usaram áreas do cérebro ligadas ao prazer, gosto, cheiro, etc. Já provadores experientes ativaram também áreas que demonstravam alto nível cognitivo – como conhecimento, memória seletiva, estratégia comportamental. Finalmente a experiência que mais foi comentada recentemente na mídia de todo o mundo foi feita na Califórnia. Publicada em janeiro de 2008 pela “National Academy of Science”, também com o uso de ressonância magnética, ela provou que o preço de um vinho causa genuinamente mais prazer em quem o prova. Várias pessoas provaram fermentados, cuja única informação fornecida era o preço (alguns com o valor real e outros com preços majorado ou diminuído). O mesmo vinho causou verdadeiramente mais prazer quando foi provado “custando mais”.( Reportagem de Marcelo Copello: Desvendando os mistérios dos sabores do vinho -Revista ADEGA Nº 38 – Ano 3 – 2008)”
“Outra regra fundamental em uma confraria é quebrar regras. Um dos confrades pode incluir um vinho coringa na degustação para gerar um contraste entre os demais. Um rótulo nacional pode se candidatar entre vários portugueses, por exemplo (Reportagem de Ronald Sclavi: Confrades uni-vos!!! - Revista ADEGA Nº 19 – Ano 3 – 2007).

Eduardo Cavalcanti disse...

Fabiana,

Apesar de minha ausência involuntária, gostaria de te parabenizar pelos ótimos comentários.

Agora, gostaria de fazer um questionamento com relação ao vinho harmonizado com a sobremesa: será que foi a inferioridade de doçura que não encaixou muito bem o vinho à cartola?

Não provei o vinho, mas penso que este vinho tem mais frescor (próprio da suvignon blanc) e acho que isto compromete a harmonização com sobremesas açucaradas como a que foi servida...

Abraços