quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os vinhos de Ernesto Catena

Tive ontem o prazer de participar de um encontro com Andrés Ridois, que é diretor comercial da vinícola argentina Tikal - um dos três projetos do argentino Ernesto Catena, filho do renomado produtor Nicolas Catena Zapata. Todos têm identidades distintas, mas o objetivo comum de produzir vinhos de alta qualidade em quantidades reduzidas.

Na ocasião, provamos alguns dos vinhos de todos os três projetos, todos muito redondos, com boa persistência e prontos para beber. A degustação aconteceu no Club du Vin, em Boa Viagem, no Recife, distribuidor que traz com exclusividade os rótulos da marca para a cidade.

TIKAL
De acordo com Ridois, o nome desta vinícola é em homenagem à cidade onde Ernesto Catena conheceu a sua esposa. Ele também deu o mesmo nome ao seu filho e primeiro vinho que produziu.

As cepas dos vinhos da Tikal são plantadas em zonas de grande altitude em Mendoza. Os vinhos estagiam em pequenas barricas novas de carvalho francês e americano. A comercialização da bebida é feita de forma pessoal, uma vez que a quantidade produzida é bem limitada.

SIESTA 
O “nome completo” desta vinícola é Siesta em Tahuantinsuyu e faz referência a uma lenda Inca. Conta ela que o Tahuantinsuyu, localizado no Peru, era a terra dos quatro quadrantes (Norte-Sul-Leste-Oeste). O lugar guardava muitas riquezas e era disputado pelos espanhóis. A lenda diz que o último inca carregou seu tesouro sobre 20 lhamas sagradas até os mais altos picos dos Andes, onde o enterrou.

Como homenagem àquela civilização, a vinícola enterrou 500 garrafas do seu vinho, que hoje “adormecem” sob a terra. Daí o nome “Siesta”. Duas vezes ao ano, eles convidam algumas pessoas a encontrar as garrafas e desenterrá-las.

Na Siesta também existe a busca pelas melhores uvas para a elaboração com vinhos de identidade única, como explica Andrés Ridois.

ALMA NEGRA 
Não se sabe, ao certo, quais as uvas utilizadas para produzir os vinhos desta bodega. Isso é proposital – para dar uma “aura” de mistério à marca. A Alma Negra nasceu em 2003. Nesta época, eles contavam com apenas onze pequenas barricas. Até hoje, várias mãos já participaram de sua elaboração dos vinhos.

As uvas usadas vêm de vinhedos próprios noValle de Uco, Agrelo, La Consulta, Vistaflores e Rivadavia, além de plantações de produtores parceiros.

Os vinhos degustados:

Tahuan Torrontés – 2009

Feito somente com Torrontés, a uva branca emblemática da Argentina, este vinho tem uma bonita cor amarelo dourado. Seu aroma me trouxe de volta à infância, com agradáveis notas de manga espada madura. Também se identificam frutas secas e tropicais.

Tem bom corpo e acidez, revelando também na boca as características frescas e frutadas. O final é longo e saboroso.

Sua graduação alcoólica é de 13,5%.

Classificação: Excelente
Preço: R$ 80
Onde encontrar: No Recife, no Club du Vin (Boa Viagem e Parnamirim). É importado pela Mistral.

Tahuan Syrah – 2006

A uva Syrah compõe a maior parte (93%) deste vinho, que também leva uma pequena porção de Bonarda (7%). Estas cepas vêm de regiões distintas de Mendoza, todas de grande altitude.

Sua cor é rubi profunda e lágrimas curtas descem na taça. Aparecem no olfato frutas escuras, chocolate e discreta pimenta do reino.

É um vinho elegante e fácil de tomar. As mesmas características do nariz vêm à boca, completadas por um sabor marcante de jambo que permanece na boca por bastante tempo.

Após a fermentação malolática, o vinho maturou em barricas de carvalho francês (25% novas) por 8 a 10 meses. Foi engarrafado sem colagem, nem filtração. Sua graduação alcoólica é 14%.

Classificação: Muito Bom
Preço: R$ 89
Onde encontrar: No Recife, no Club du Vin (Boa Viagem e Parnamirim). É importado pela Mistral.

Siesta en El Tahuantinsuyu Bonarda / Malbec – 2007

Muito interessante este vinho, que é um corte de Bonarda (60%) e Malbec (40%). A maceração dessas uvas se deu por 24 dias e o amadurecimento da bebida aconteceu em barricas de carvalho francês (25% novas).

Tem cor rubi bem escura e aromas que trazem frutas maduras, chocolate e floral. Na boca, mostra também a fruta e o chocolate, com a madeira bem integrada ao conjunto. É um vinho com bom peso, que preenche a boca de maneira uniforme e possui boa persistência.

O teor alcoólico é de 13,8%.

Classificação: Excelente
Preço: R$ 131
Onde encontrar: No Recife, no Club du Vin (Boa Viagem e Parnamirim). É importado pela Mistral.

Alma Negra – 2007

O “corte secreto” seduz o público pelo seu mistério. Porém, diferente de outros vinhos que apostam forte no marketing colocando a qualidade do produto em segundo plano, o Alma Negra demonstra o cuidado de Ernesto Catena na sua produção.

Sabe-se que foi o vinho passou por fermentação malolática e que foi maturado em barris de carvalho.

A cor é rubi com um leve halo aquoso e o aroma traz notas mentoladas e de fruta madura. No paladar, mostra corpo de médio a encorpado, com taninos doces, fruta madura, boa acidez e longa persistência. Mais um vinho redondo e no ponto para beber.

A graduação é de 13,7%.

Classificação: Muito Bom / Excelente
Preço: R$ 111
Onde encontrar: No Recife, no Club du Vin (Boa Viagem e Parnamirim). É importado pela Mistral.

Tikal Amorio Malbec - 2007

Este é um vinho 100% Malbec, com uvas provenientes de vinhas velhas e vinhedos de altitude elevada.

A bebida maturou por 12 meses em barricas de carvalho francês, 30% novas.

A cor é rubi violácea e apresenta lágrimas curtas. No nariz, traz a já tradicional fruta madura, menta e elegante madeira.

A menta volta à boca predominando no paladar. A acidez é a mais pronunciada de todos os vinhos provados nesta degustação, mas mesmo assim correta.

Classificação: Muito Bom / Excelente
Preço: R$ 133
Onde encontrar: No Recife, no Club du Vin (Boa Viagem e Parnamirim). É importado pela Mistral.

Espumante Chardonnay Brut Alma Negra

Espumante da safra 2009 produzido com uvas Chardonnay de vinhas com 40 anos, localizadas em Tupungato, Mendoza.

É produzido pelo método Charmat, com segunda fermentação em tanques de inox, e maturado 18 meses em garrafa.

Tem cor amarelo ouro e apresenta bolhas muito finas e centralizadas.

Os aromas envolvem notas cítricas, de frutas secas e de leveduras. Na boca, revela boa cremosidade. Porém, para mim, a doçura estava além do esperado. Bom retrogosto.

O teor alcoólico é de 12,5%.

Classificação: Regular/Bom.
Preço: R$ 133
Onde encontrar: No Recife, no Club du Vin (Boa Viagem e Parnamirim). É importado pela Mistral.