terça-feira, 29 de março de 2011

Diretor da vinícola Ramos Pinto conduz degustação no Recife

Foto: Gleyson Ramos/Divulgação
João Nicolau de Almeida, um dos enólogos mais influentes do mundo segundo a publicação norte-americana Wine & Spirits, esteve ontem (28) no Recife a convite do importador Licínio Dias para apresentar alguns de seus rótulos. Almeida é diretor da tradicional vinícola portuguesa Ramos Pinto e bisneto do fundador daquela empresa, Adriano Ramos Pinto.

Fundada em 1880, a Casa Ramos Pinto dedicava-se inicialmente à produção de vinhos do Porto. Tanto é que hoje ainda é bastante associada a esse tipo de vinho. No início do século passado começou a exportar para o Brasil, onde conquistou um mercado fiel.

Mas foi somente em 1990 que a empresa produziu o seu primeiro vinho de mesa, pelas mãos de João Nicolau de Almeida, que é enólogo formado pela Universidade de Bordeaux. Nesta mesma época, a Ramos Pinto integrou-se ao grupo francês Roederer. O primeiro rótulo foi um tinto, que em 1992, na Inglaterra, foi considerado o melhor vinho da Península Ibérica.

Segundo João Nicolau, os seus vinhos exprimem o terroir da região do Douro, que durante as duas guerras mundiais esteve “esquecida”. Ele utiliza as castas típicas portuguesas e também já vem utilizando em um dos rótulos a cepa francesa Cabernet Sauvignon.

Conheça abaixo um pouco dos vinhos apresentados durante o encontro, que aconteceu no restaurante Wiella Bistrô, com a sua (diga-se de passagem) irretocável culinária.

Duas Quintas Branco – 2008

Elaborado com as castas tradicionais do Douro Superior, como Viozinho, Rabigato e Arinto, este é um vinho de cor amarelo ouro e nariz floral, com notas de frutas brancas.

Teve breve estágio em madeira e ganhou no paladar um ótimo equilíbrio entre doçura e acidez. Surgem notas minerais e frutadas numa estrutura de bom corpo e longa persistência na boca.

Classificação: Muito Bom


Duas Quintas Tinto – 2007

Em sua composição entram as uvas Touriga Francesa, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Segundo João Nicolaou, a primeira dá “volume e corpo” ao vinho e a última a “finesse”. Sua cor é rubi violácea e os aromas são de fruta madura, especialmente ameixa, com um leve mentolado.

Na boca estão presentes a fruta madura e especiarias. Os taninos aparecem bem trabalhados, graças ao estágio em carvalho francês.

Classificação: Muito Bom

Bons Ares Tinto – 2006

O nome é em homenagem à Quinta dos Bons Ares, uma das quatro áreas de plantio pertencentes ao grupo Ramos Pinto. É elaborado com castas tradicionais portuguesas e a uva de origem francesa Cabernet Sauvignon, todas plantadas a 600 metros de altitude. Essa combinação foi, segundo João Nicolau, uma “brincadeira” que terminou dando certo.

De cor rubi, apresenta no nariz frutas vermelhas e especiarias. Na boca, os taninos estão bem aparentes, com um certo caráter vegetal. Também aparece pimentão.

Apesar de ser da safra de 2006, ainda aparenta ser um vinho jovem, de onde se pressupõe que ele ainda tem a melhorar com a guarda.

Teve estágio de seis meses em carvalho.

Classificação: Bom

Duas Quintas Reserva Tinto – 2006

Este Reserva teve estágio de 18 meses em barricas de carvalho francesas, portuguesas e austríacas. Foi elaborado com as castas Touriga Nacional, Touriga Francesa e Tinta Barroca, sendo a maior parte de Touriga Nacional (70% a 80%) – que é, segundo João Nicolau, “a Cabernet Sauvignon portuguesa”.

É um vinho de cor rubi escuro com reflexos violeta e uma bela gama aromática, onde se identificam aromas ameixa, café e baunilha. As mesmas sensações repetem-se na boca, arrematadas por um toque de especiarias e uma sensação sedosa. Um longo e marcante final fecha o conjunto, resultando num elegante vinho.

Classificação: Excelente

Ramos Pinto Collection – 2007

Neste vinho entram castas tradicionais do Douro cultivadas na Quinta do Bom Retiro (Cima Corgo) e na Quinta de Ervamoira (Douro Superior). Seu estágio em madeira foi de 19 meses.

Tem cor rubi límpida e transparente, com nariz repleto de frutas vermelhas, como morangos e amoras, além de tabaco e café.

Seu paladar é aveludado, com médio corpo e final marcante de especiarias, destacando-se pimentão.

Classificação: Muito Bom/Excelente


Adriano Ramos Pinto Porto Ruby

De cor rubi intensa, este Porto passou de 3 a 4 anos em barricas de carvalho usadas. Foram utilizadas em sua composição as cepas Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Francesa.

No nariz surgem frutas vermelhas de bosque, como morangos e cerejas, junto a um leve toque de canela. Na boca apresenta uma doçura equilibrada, com bastante fruta em compota e café.

Classificação: Muito Bom

Adriano Ramos Pinto Porto Quinta Ervamoira 10 anos

Este é um Tawny (vinho aloirado) que passou por dez anos em barricas usadas de carvalho, feito com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca.

Tem cor rubi clara, com reflexos alaranjados. Os aromas remetem a baunilha, coco queimado e laranja. No paladar aparece passa de caju e especiarias. O final é longo e marcante, mostrando toques da madeira. O álcool está bem equilibrado com a doçura. Um belo vinho, tanto para digestivo quanto para sobremesa.

Classificação: Excelente

Todos os vinhos estão à venda através da LD Importação (81) 3221-7277 / (81) 8858-2824