segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ramos Pinto e o sabor do Douro

Já tive algumas outras vezes com o produtor João Nicolau de Almeida, mas é sempre bom absorver um pouco da sua experiência e tranquilidade. Bisneto de Adriano Ramos Pinto, fundador da vinícola portuguesa Ramos Pinto, ele esteve no Recife na última semana, a convite da importadora Licínio Dias, onde apresentou alguns de seus produtos durante um jantar harmonizado no restaurante Domingos.


João Nicolau é um estudioso das castas do Douro e um dos precursores na elaboração de vinhos finos de mesa no Douro. Fundada em 1880, a Casa Ramos Pinto dedicava-se inicialmente à produção de vinhos do Porto. Tanto é que hoje ainda é bastante associada a esse tipo de vinho. No início do século passado começou a exportar para o Brasil, onde conquistou um mercado fiel.

Mas foi somente em 1990 que a empresa produziu o seu primeiro vinho de mesa, pelas mãos de João Nicolau, que é enólogo formado pela Universidade de Bordeaux. Nesta mesma época, a Ramos Pinto integrou-se ao grupo francês que produz o champagne Louis Roederer. O primeiro rótulo foi um tinto, que em 1992, na Inglaterra, foi considerado o melhor vinho da Península Ibérica.

Segundo João Nicolau, os seus vinhos exprimem o terroir do Douro. Ele utiliza as castas típicas da região e também já vem implantando variedades estrangeiras, como a Cabernet Sauvignon.

Confira as impressões sobre os vinhos provados:

Duas Quintas Branco 2012


De cor limão, apresenta aromas cítricos e de frutas brancas, como pera e melão, junto com um toque mineral. De corpo médio, mostra na boca as mesmas impressões do nariz. Boa acidez. Elaborado com 50% de Rabigato,  40% de Viosinho e  10% de Arinto, tem 13,5% de álcool. Vai bem com frutos do mar.

Classificação: Bom.

Duas Quintas Reserva Branco 2012

Tem em sua composição 70% de Rabigato, 10% de Arinto, 10% de Viozinho e 10% de Folgazão. Fermentou em barris de carvalho e estagiou durante sete meses sob as borras finas. Sua cor é amarelo limão e no aroma destacam-se notas florais, cítricas e de frutas brancas. Tem acidez pronunciada no paladar, onde novamente surgem as características sentidas no aroma. A graduação alcoólica é de 13%.

Classificação: Muito Bom/Excelente.

Duas Quintas Tinto 2008


Sua coloração é violácea e o aroma traz notas mentoladas, de baunilha, especiarias doces, frutas silvestres e ameixa. Paladar leve e equilibrado, reflete as impressões do olfato, como também traz notas de chocolate e café. Elaborado com as uvas Touriga Franca (40%), Tinta Roriz (40%) e Touriga Nacional (20%), possui 13,5% de álcool. Parte (20%) do vinho estagiou em cascos de carvalho francês durante 12 meses e o restante ficou em cubas de inox. Foi engarrafado 18 meses depois.

Classificação: Muito Bom/Excelente.

Duas Quintas Reserva Tinto 2008

Touriga Nacional (50%), Tinta Barca (10%) e Touriga Franca (40%) fazem parte da composição deste vinho, que amadureceu (20%) durante 18 meses em tonéis de madeira e em barricas novas (80%). Sua coloração é rubi profunda e no nariz apresenta frutas vermelhas maduras, especiarias, mentol e notas balsâmicas. Bom equilíbrio entre acidez e taninos. O sabor também mostra notas de café, além das mesmas características do olfato. Tem graduação alcoólica de 15%.

Classificação: Excelente.

Adriano Ramos Pinto Reserva Porto


Clássico da Casa Ramos Pinto, o “Adrianinho”, como é conhecido, tem em sua composição as castas Tinta Roriz, Tinto Cão e Touriga Franca. É um blend de vinhos envelhecidos entre seis e sete anos em barris de carvalho. Tem cor rubi média e mostra notas de ameixas secas, nozes e especiarias. Paladar untuoso, reproduzindo as sensações do nariz no sabor. Tem 19,5% de álcool.

Classificação: Excelente.