terça-feira, 3 de junho de 2014

Quinta do Romeu: mais uma boa surpresa da região do Douro


Embora produza vinhos há mais de dois mil anos, a região do Douro, no nordeste de Portugal, vem se reinventando a cada dia. No meio de nomes tradicionais, é possível descobrir vinícolas de produções menores, porém de qualidade bastante diferenciada, como é o caso da Quinta do Romeu.

Fundada em 1874 por Clemente Menéres, a propriedade permanece na mesma família há cinco gerações. Um dos membros desta nova descendência é João Menéres (foto abaixo), com quem tive a oportunidade de almoçar semana passada, durante uma visita dele ao Recife.


João explicou que a toda a produção da Quinta do Romeu tem certificado de Agricultura Biológica, onde não é permitido o uso de defensivos químicos.  Segundo ele, as principais razões para esta prática são a intenção de manter o melhor caráter da fruta e também o respeito ao meio ambiente. Desde 2012, a produção também vem se baseando nos princípios biodinâmicos, que são orientados pelos ciclos da natureza. O enólogo responsável é Rui Cunha.

Além dos vinhos, a Quinta do Romeu ainda produz azeite e cortiça. Ao todo, a propriedade conta com 25 hectares de vinhedos, 125 hectares de olivais e cinco mil hectares de sobreiros (árvore de onde é extraída a cortiça). Os vinhos são elaborados apenas com castas portuguesas, onde se destaca a Touriga Nacional.

A produção de vinhos é de 100 mil litros por ano. Metade é de vinho do Porto, que é vendido para outras empresas, e a outra de vinhos tranquilos. Já a produção de azeite é de 20 mil litros por ano. Este último é engarrafado sob a marca “Romeu” e tem como slogan “Puro como Deus o deu”, referindo-se à sua cultura orgânica e a não utilização de aditivos e conservantes. Trata-se de um azeite Extra Virgem bastante delicado e elegante, elaborado com variedades nativas, e quem tem menos de 0,2% de acidez.


Em relação aos vinhos, são cinco rótulos produzidos, dos quais pude provar os seguintes:

Quinta do Romeu Rosé 2013

Este rótulo, de produção bastante limitada (5.500 garrafas), não está à venda no Brasil. É elaborado com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão. A cor é cereja, de intensidade média, e os aromas remetem a frutas vermelhas silvestres e flores. Apresenta corpo médio, boa acidez e final elegante. O sabor traz de volta as sensações do nariz. Seu teor alcoólico é de 12,5%.

Classificação: Muito Bom.

Moinho do Gato da Quinta do Romeu 2011


Um tinto para o dia a dia, feito com as uvas Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, sem estágio em madeira. Sua coloração é rubi de intensidade média. No nariz, traz notas de frutas vermelhas frescas e especiarias doces, como canela e noz moscada. Paladar macio, com taninos de qualidade e boa acidez. Repete as características do olfato. Tem 13% de álcool.

Classificação: Boa Compra.
Preço: R$ 34,50 [No Recife, na Casa dos Frios]


Quinta do Romeu Tinto 2010


Outro tinto que não amadurece em madeira. Tem em sua composição as uvas Tinta Roriz, Touriga Franca, Souzão e Touriga Nacional. Apresenta cor rubi média e aroma envolvente de frutas vermelhas, flores, café e cominho. Na boca oferece um ótimo equilíbrio entre acidez e taninos. Traz de volta o frutado sentido no olfato, mostrando-se uma ótima companhia para comida. A graduação alcoólica é de 12%.

Classificação: Muito Bom.
Preço: R$ 47,20 [No Recife, na Casa dos Frios]

Quinta do Romeu Reserva Tinto 2010

De coloração rubi profunda, este tinto oferece um aroma exótico e agradável, com toques de flores secas, especiarias, ameixa e notas tostadas, estas últimas provenientes do estágio de um ano em barricas francesas de média tosta. Foi elaborado com as variedades Touriga Nacional (75%), Touriga Franca e Sousão. Paladar macio e agradável, com final prolongado. Além das características sentidas no nariz, também traz para o sabor notas balsâmicas e de café. Um vinho equilibrado, elegante e com potencial de envelhecimento. Tem 13% de álcool.

Classificação: Excelente.
Preço: R$ 74,94 [No Recife, na Casa dos Frios]