terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Dez verdades e mentiras que os amantes de vinhos repetem


A colunista de vinhos do periódico americano The Wall Street Journal, Lettie Teague, escreveu recentemente sobre as verdades e mentiras que os amantes do vinho vivem repetindo por aí. Em seu texto, ela afirma que algumas opiniões são ditas com tanta frequencia que com o tempo terminam parecendo verdades. E no mundo do vinho não é diferente. Por isso ela escolheu as dez frases mais marcantes sobre o assunto e resolveu consultar profissionais da área para saber se elas são verdade ou mito. Em algumas delas, a jornalista dá o seu próprio veredito. Confira:

1. O mais caro é o melhor

Lettie afirma que nunca acreditou nessa máxima e revela já tomou vinhos “de primeira qualidade” que custam US$ 25 a garrafa e outros até mais baratos. Um dos especialistas entrevistados afirmou que os comerciantes de vinho é que são responsáveis por essa ideia. “Ou você pode ser conduzido pelo ego do produtor”, completou.

2. O vinho se faz no vinhedo

“Este provérbio se tornou o favorito de aparentemente todos os produtores de vinho do mundo”, diz Lettie. Um dos entrevistados disse que um enólogo pode arruinar anos de viticultura se não tomar boas decisões na vinícola. “Erros podem incluir uma temperatura de fermentação inadequada ou sufocamento de boas frutas com muito carvalho”. Então, para ela, talvez seja melhor dizer: "Um bom vinho começa em um bom vinhedo".

3.  Não importam as pontuações e os críticos de vinhos

Para um dos entrevistados, as marcas são o que motivam as pessoas a comprar o vinho. “Pontuações realmente não vendem vinho", observou. Já outro acredita que em um mercado tão competitivo, os resultados são mais importantes do que nunca. A jornalista chegou então à conclusão que as pontuações só importam quando os vinhos conquistam mais de 90 pontos.

4. Os produtores fazem vinhos para os críticos

Bebedores de vinho não são os únicos que procuram altas pontuações. Diz-se que aqueles que fazem também. Os enólogos (aparentemente) decifraram os paladares de críticos influentes e produzem vinhos que eles gostam. Ficção ou realidade? “Há um oceano de marcas de massa que não procuram opiniões e avaliações. E, em última análise, tentar agradar os críticos traz muito poucos resultados. Na verdade, apenas uma ínfima quantia de vinhos do mundo são classificados pelos críticos”, diz ela.

5. Os vinhos com alto teor alcoólico não são bons

Um determinado grupo de bebedores de vinho, amadores e profissionais, desqualifica vinhos com níveis elevados de álcool (superior a 14%). Na opinião da colunista, este grupo é composto principalmente por pessoas que escrevem blogs de vinho. No entanto, os fatos não parecem apoiar estes pontos de vista, nem parece importar aos fabricantes de vinho. “O mundo produz e consome uma enorme quantidade de vinho com um teor de álcool bem acima de 14%. Os vinhos com mais álcool provêm de frutas mais maduras, resultado de temperaturas mais quentes. E algumas das melhores safras de Bordeaux têm ocorrido em anos quentes, como a de 1947 ou de 1982”, aponta a colunista.

6. Um grande vinho deve ser de guarda

“Normalmente um vinho caro se transforma ao longo dos anos. Não só suporta a passagem do tempo, mas melhora e se torna mais sutil e complexo. Eu acho que esta ideia é verdade e tem resistido à passagem do tempo”, avalia Lettie.

7. Os vinhos do Velho Mundo são melhores que o do Novo Mundo

Este tema dividiu os entrevistados. Porém, todos eles reconheceram a sensibilidade do Velho Mundo: centenas de anos de tradição, incluindo o envolvimento pessoal com o vinhedo. “Acho que o melhor é um híbrido: a sensibilidade do Velho Mundo combinada com as técnicas inovadoras do Novo Mundo constituem o melhor vinho”, filosofa a autora.

8. Os sommeliers só gostam de vinhos desconhecidos

“Os sommeliers que estão sempre à procura de algo interessante e novo devem lembrar-se de que os seus clientes talvez possam preferir vinhos com os quais já estão familiarizados. Talvez o ditado deva ser alterado para: um mau sommeliers só gosta de vinhos desconhecidos”, observa Lettie.

9. Os bebedores de vinhos tintos são mais sofisticados que os bebedores de vinhos brancos

A ideia de que os bebedores de vinho tinto são entendidos ao invés de meros consumidores manteve-se ao longo de décadas. No entanto, muitos profissionais do vinho discordam. "Se você realmente gosta de vinho", diz um especialista, "é o oposto". O vinho branco oferece uma gama ampla de possibilidades, é mais versátil e mais fácil para tomar sem alimentos. Talvez haja uma percepção machista que o vinho tinto é mais importante e sofisticado, porque é mais masculino. Alguns dos vinhos mundiais mais complexos e atraentes são feitos a partir de uvas brancas (Borgonha, Vouvray, Mosel Riesling e Champagne).

10. O vinho é difícil

“Este é apenas um ditado ou uma reclamação? É sem dúvida uma declaração que eu ouvi muitas vezes. Embora existam muitos guias para idiotas afirmando que o vinho é simples, aprender e conhecer o vinho é um desafio. Ou pelo menos é para aqueles que procuram algo além de uma bebida puramente consumível. O vinho é o estudo de muitos temas simultâneos: história, geologia, cartografia, geografia, política, química e sociologia. Quem afirmar o contrário está deliberadamente minimizando a complexidade do assunto ou está mentindo”, sentencia.