terça-feira, 3 de novembro de 2015

Tinto de Talha (Amphora Wine) Esporão 2014

Em visita à Herdade do Esporão, há alguns dias, pude provar uma interessante novidade da casa: um vinho feito em talhas (ânforas) antigas, produzido através de um método utilizado pelos romanos na região do Alentejo, em Portugal, há mais de dois mil anos.


O projeto de resgate desta tradição foi encabeçado pelo enólogo Luís Patrão (foto), que nos mostrou sete talhas em argila adquiridas para a confecção do vinho. As peças foram "garimpadas" na região, sendo a mais antiga delas datada de 1843.

Patrão conta que fez um estudo minucioso para descobrir como os antigos faziam o vinho e seguir o processo tal qual manda a tradição. No interior dos recipientes é aplicada uma espécie de resina feita com azeite e cera de abelha. As uvas são esmagadas na própria ânfora e a fermentação do vinho é espontânea, através de leveduras indígenas. Por cima do vinho é colocado azeite. Isso evita o contato da bebida com o oxigênio, o que causaria sua a oxidação. Após o término da fermentação, o vinho só pode ser consumido no mês de novembro, mais exatamente no dia de São Martinho.


A argila, material com a qual as ânforas são feitas, permite uma mínima troca de oxigênio com o ambiente externo, o que ajuda na sua evolução do vinho. Já o contato prolongado com as cascas, que com o tempo decantam, dão o corpo e a cor da bebida. Um processo minimalista, mas muito inteligente, que contribuiu em demasia para a evolução da produção do vinho através do tempo.


Na taça, ele mostrou-se com uma coloração jovem, violeta pouco profunda, e no nariz trouxe discretas notas de frutas vermelhas, mel, resina e algo que me lembrou couro. É um vinho fresco, equilibrado e bem gastronômico, devido à sua boa acidez. Uma mistura de elegância e rusticidade que merece ser provada. Elaborado com as castas Trincadeira, Aragonez e Moreto, sem a adição de sulfitos. Apenas 1.290 garrafas foram produzidas.

Os vinhos da Herdade do Esporão são importados pela Licínio Dias (LD) Importação e Qualimpor. Porém, este não virá para o Brasil. É comercializado na própria vinícola por 30 euros.