sexta-feira, 22 de maio de 2009

O visual do vinho

Trancada há três dias em casa com uma baita conjuntivite viral, sem poder exagerar na frente do computador, mas ao mesmo tendo que trabalhar na minha atividade principal, o jornalismo on-line*, fiquei refletindo esse tempo sobre a importância da visão. No mundo do vinho, esse aspecto também é fundamental. Vamos então saber algumas dicas bm simples para avaliar visualmente um vinho.

De acordo com Mário Telles Júnior, membro e professor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP), “50% dos dados que se obtêm sobre o vinho vem do visual”. Esta é a fase mais importante, onde se deve observar a limpidez (presença de partículas em suspensão) e a transparência (penetrabilidade da luz) na bebida. Segundo ele, atualmente é quase uma qualidade para um tinto ter partículas em suspensão, o que antigamente era reprovável. Nos brancos, eventualmente podem ser encontrados cristais de bitartarato, elementos desencadeados pelo frio. Esses cristais têm gosto ácido e pioram a degustação. “É um dos poucos motivos para se decantar um vinho branco”, diz ele.

Já a opacidade em um vinho pode ser um defeito. Para os tintos, incline a taça à distância contra um fundo branco, uma toalha ou um papel, por exemplo, e observe a borda da bebida para enxergar sua cor real. Uma borda esfumaçada (halo aquoso) demonstra que o vinho está no ponto de ser tomado.

Nos espumantes, o aspecto visual é importantíssimo. A qualidade das bolhas de gás carbônico é medida da seguinte forma: quanto mais borbulhas, menor for o seu tamanho, e quanto maior for a sua quantidade e durabilidade, mais crédito para o espumante. Existe um truque que faz prolongar a presença das bolhas, que é riscar fundo do copo com uma caneta com ponta de diamante. Isso intensifica a efervescência da bebida. Na França, a Veuve Clicquot dá uma caneta dessas para os sommeliers profissionais (chique, não?). Mas usar desse artifício é golpe baixo.

Voltando para os vinhos tranquilos (os que não tem gás carbônico), outro aspecto a ser observado são as lágrimas. Quanto maior o teor alcoólico, mais lágrimas se formam na parede da taça. Já quanto maior o teor de açúcar do vinho, mais lentamente as lágrimas vão descer. Por isso, é comum nos vinhos do Porto, que têm alto nível de álcool e açúcar, as lágrimas serem grossas e em quantidade abundante.

Aí você me pergunta: e a cor dos vinhos? Essa é a última etapa a ser analisada. Com a idade, os tintos passam de roxo brilhante para castanho e depois marrom. Mais ou menos nesta ordem:

TINTOS: púrpura – rubi – granada – tijolo – âmbar

Quem dá essa coloração são dois componentes: o antociano, que é instável e tem tons azulados, e o tanino, que é vermelho. Os dois juntos, em quantidades equilibradas, resultam numa cor violácea (as uvas Malbec e Merlot têm pouco tanino, mas os vinhos tem coloração escura). Uma dica: quando as lágrimas na taça são coradas, a cor do vinho é quase sempre violeta. Outra dica: reflexos acastanhados são sinais de envelhecimento.

Quanto aos brancos, a ordem é a seguinte:

BRANCOS: Papel – verdeal – amarelho palha – amarelo ouro – âmbar

A acidez e o açúcar dão longevidade ao vinho branco. A cor dourada pode indicar que o branco foi envelhecido em carvalho, ou que é um vinho doce ou de uvas maduras. Dica: o único Chardonnay esverdeado é o Chablis.

A maioria dos vinhos rosés é feita de uvas tintas. Sua cor vai desde o rosa pálido até o vermelho-escuro. Essa variação se deve ao tipo da uva usada e ao processo de fermentação. Então, é comum encontrar rosés de cor alaranjada pálida a uma bela coloração cereja, até um púrpura vivído.

Então vamos ficar de olho!

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