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sexta-feira, 13 de junho de 2014

As taças e copos da Copa


Coluna Escrivinhos - Edição de junho/2014, da Revista Revista Mon Quartier
Foto - Vogue España.

A Copa do Mundo chegou e com ela as comemorações em torno das seleções participantes. Muitos dos países que estão atuando no mundial são produtores de vinhos, alguns mais e outros menos expressivos. Mas nesse caldeirão de nacionalidades também podemos encontrar países que têm vocação para outros tipos de bebidas. É o que vamos ver a seguir.

No caso dos produtores de vinhos temos representantes do Novo e do Velho Mundo participando do campeonato. Na primeira categoria encontram-se Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, Austrália e Estados Unidos. Desses países selecionamos bons espumantes, brancos amadeirados, tintos frutados ou potentes. É a força da juventude que pode surpreender no resultado final. Do Velho Mundo participam Espanha, Grécia, Itália, França, Alemanha e Portugal. Nesse grupo estão clássicos reconhecidos mundialmente, como os champanhes franceses, brancos frescos, tintos de guarda, vinhos regionais, de sobremesa e muito mais. É a experiência que faz a diferença.

Continuando com os fermentados, podemos selecionar alguns mestres na arte de elaborar cervejas: Bélgica, Holanda e Alemanha (esse último que também atua no time dos produtores de vinhos). Marcas famosas como Heineken, Stella Artois, Leffe, Bitburger, Amstel, Paulaner e Duvel, entre muitas outras, são a prova da excelência e tradição dessas nações cervejeiras. O Brasil é o quarto maior mercado de cervejas do mundo. Aqui o consumo maior é das cervejas mais simples, normalmente do estilo Standard American Lager (cerveja de baixa fermentação padrão americano, que pode ser feita com malte de cevada e também com adjuntos como o xarope de milho).

Outro produtor de fermentado que está nessa Copa é o Japão. De lá vem o famoso saquê, elaborado através da fermentação do arroz. Empresas como a Sakura e a Azuma Kirin também produzem a bebida no Brasil.

Para quem prefere os destilados, temos uma seleção quente! Do México vem a tequila, bebida feita a partir da planta agave-azul, cultivada principalmente no Estado de Jalisco. Tem teor alcoólico que varia entre 38% a 40%, um pouco abaixo da graduação de outro destilado que vem lá da Rússia: a Vodca. Esta última é produzida com teor de álcool entre 35 e 60%. Pode ser feita com cevada, milho, trigo, centeio, ervas, figos, arroz e até batatas.

Então, já escolheu a taça que vai levantar nesse Mundial? Seja ela qual for, lembre-se que álcool em excesso é prejudicial à saúde.

Um brinde!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O paradoxo do 'bolo e champagne'


Coluna Escrivinhos de maio de 2014 da Revista Mon Quartier

Festança que se preze, seja aniversário, batizado ou casamento tem que ter bolo. Certo? E as grandes comemorações ficam mais glamorosas e emocionantes quando se abre um champagne. Confere também? Mas juntar as duas coisas nem sempre dá certo. Calma que eu explico!

Se você estiver pensando em fazer um casamento com apenas bolo e champagne, o seu custo vai ser bastante elevado. Agora se você servir um espumante nacional, a coisa muda de figura.

Champagne é o espumante francês produzido na região com o mesmo nome da bebida. A garrafa desse néctar dificilmente é encontrada no mercado local abaixo de R$ 100. Um bom champagne custa por volta de R$ 300 e pode chegar à casa dos quatro dígitos. Se você pode fazer esse investimento, os seus convidados vão adorar!

Por outro lado, o nosso país vem elaborando espumantes com cada vez mais qualidade. Alguns até se comparam à bebida francesa, porém com preço bem mais acessível, como é o caso dos produzidos por vinícolas como Cave Geisse, Estrelas do Brasil, Quinta Dom Bonifácio e Adolfo Lona, entre outras. Empresas do Vale do São Francisco fazem espumantes mais simples, porém de ótima qualidade, como o Rio Sol e o Terranova, que custam na faixa de R$ 20 e não vão fazer feio na sua festa.

E na hora de juntar o bolo e o espumante? Algum dia alguém disse que esses dois elementos faziam um belo par e isso se tornou moda. Mas na prática, eles não têm nada a ver com o outro. Os espumantes brut (secos), que normalmente são servidos na festa, não harmonizam com a doçura do bolo, tornando-se mais secos e desagradáveis na boca.

Os convidados podem até dar um golinho em um e uma mordidinha em outro, mas vão eleger um dos dois para se deliciar. Na hora de cortar o bolo, sirva um espumante demi-sec. Esse sim é mais adocicado e vai fazer uma boa harmonização. Mas deixe ele só para a hora do bolo, pois para o restante dos pratos e canapés, espumante brut é a melhor companhia.

Um brinde e felicidades!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Portugal para não deixar passar em branco

Coluna Escrivinhos, Revista Mon Quartier - Fevereiro/14


Quando se fala em vinhos portugueses, temos um verdadeiro mundo a desvendar. Porém, é comum o brasileiro associar o vinho português ao vinho do Porto e aos tintos do Alentejo. O que muita gente não sabe (e está perdendo) é que os “patrícios” têm vinhos brancos maravilhosos.

Uma das mais interessantes zonas de produção de vinhos brancos em Portugal é o Minho. É de lá que vem a denominação “Vinho Verde” - referência à vasta vegetação do lugar.

Os vinhos verdes brancos são leves, frescos, com baixo teor alcoólico e ligeiramente gaseificados. Muito bons para serem tomados em épocas de calor, vão bem como aperitivo ou acompanhando pratos leves, tipo frutos do mar. Nesta região se utilizam uvas tais como Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Avesso, Arinto (designada Pedernã nesta região) e Azal.

Também existem belos vinhos brancos para serem descobertos no Douro. Elaborados com variedades como Malvasia Fina, Viosinho, Gouveio e Rabigato, alguns são feitos para serem consumidos jovens, apresentando características cítricas e florais. Outros podemos classificar como brancos de guarda. São os Reserva ou Gran Reserva. Estes normalmente passam por madeira e trazem uma bonita cor dourada. São untuosos no paladar, podendo acompanhar bacalhau, salmão, coelho ou frango.

Já na Bairrada, região conhecida por seus tintos feitos pela uva Baga, podemos encontrar bons vinhos brancos. Mas para mim o destaque fica para os excelentes espumantes, elaborados pelo método clássico - com segunda fermentação em garrafa. Atenção para a expressão “bruto” no rótulo: ela não significa que o espumante é rústico ou coisa parecida. Quer apenas dizer que a bebida é seca (ou brut).

No Dão, os vinhos brancos são bastantes aromáticos, frutados e bastante equilibrados. Lá se utiliza as uvas Encruzado, Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho.

No Alentejo os brancos são geralmente suaves, ligeiramente ácidos e apresentam aromas de frutos tropicais. As castas mais importantes desta região são Roupeiro, Antão Vaz e Arinto, sendo comum encontrar também a Chardonnay. Acompanham bem peixes e frutos do mar.

Távora-Varosa é uma região de pequena, mas muito relevante na produção de espumantes, tais como os renomados Raposeira e Murganheira, que se assemelham bastante aos rótulos produzidos em Champagne. As castas brancas predominantes na região são Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio e Chardonnay.

Ainda podemos citar as regiões de Lisboa, Trás-os-Montes, Tejo, entre outras. Todas, sempre com algum sabor interessante a se provar. Aventure-se e surpreenda o seu paladar.

Um brinde!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Decantar ou não? Eis a questão!

*Coluna Escrivinhos de janeiro/2014 da revista Mon Quartier 


Vez por outra, alguém me pergunta sobre o uso do decanter. Deve significar, então, que muita gente tem dúvidas sobre a utilização desse acessório do vinho. Para os que não conhecem ou não estão familiarizados, o decanter (ou decantador) é um recipiente de vidro ou cristal para onde se transfere o vinho depois de aberto. O procedimento faz com que alguns vinhos liberem os aromas que estavam “enclausurados” na garrafa, às vezes por muitos anos.

Em rótulos de mais idade, a decantação também serve para separar os sedimentos que se formam na bebida. Para isso, é necessário que antes de colocar o vinho no decantador, a garrafa fique em pé durante o tempo suficiente para que as partículas desçam. Depois, se transfere delicadamente o conteúdo para o decanter, de maneira que o sedimento fique na garrafa original.

Não é necessário decantar os vinhos brancos, pois eles não criam borra. Porém, alguns especialistas afirmam que aerar os grandes vinhos brancos ajuda a liberar novos aromas. Os brancos mais frescos, como os Sauvignon Blanc ou Alvarinhos, por exemplo, nada têm a ganhar com a decantação.

Quanto aos vinhos velhos, é recomendável decantá-los pouco tempo antes de servir. Os mais concentrados, como os Barolo, Barbaresco e Brunello de Montalcino evoluem com a decantação. Mas não só os grandes vinhos devem ser decantados. Um Cabernet Sauvignon encorpado do Novo Mundo, por exemplo, pode ser beneficiado depois de “respirar” um pouco no decanter. Para isso, hoje já existem mini-decanters que são encaixados na garrafa, provocando uma leve oxigenação da bebida ao servi-la na taça.

A maioria dos estudiosos recomenda a decantação para oxigenar os vinhos jovens, mas nem todos concordam com isso. Uma dessas pessoas era o reconhecido enólogo francês Emile Peynaud, já falecido. Ele dizia que a oxigenação só prejudicava o vinho.

Na prática, podemos perceber que alguns vinhos “amaciam” depois de decantados. Os que são muito tânicos, por exemplo, têm a adstringência diminuída e ganham mais aromas.

QUAL É O VINHO? - Conta o jornalista Carlos Alberto Sardemberg que uma conhecida socialite brasileira ficava chateada com o uso do decantador porque não dava para os participantes do jantar saberem qual era o vinho que estava sendo servido. Portanto, ela tirava o rótulo da garrafa e colava no decanter.

Além de deselegante, a solução não tem nada de prática. O ideal quando se usa o decantador é colocar a garrafa original ao lado do acessório para o convidado saber o que está tomando.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pinot Noir: difícil e sedutora

Coluna Escrivinhos da Revista Mon Quartier | outubro de 2013

Há dois anos, escrevi aqui sobre filmes que têm o vinho como temática. Entre eles, o hilário “Sideways”, onde um dos protagonistas, Miles Raymond (Paul Giamatti), é apaixonado pela uva Pinot Noir. Na vida real, existe também uma verdadeira legião de fãs desta variedade, que é considerada pelos vinicultores uma das mais complicadas de se cultivar.

O que vou tentar aqui é responder as seguintes perguntas: será a fama de “difícil” que seduz os seus admiradores ou a Pinot Noir tem mesmo os atributos para ser tratada como a rainha das uvas tintas?

Para entender a Pinot Noir precisamos conhecer a sua história. Ela nasceu há mais de dois mil anos no sudoeste França, mais exatamente na região da Borgonha. Por ser tão antiga, deu origem a outras variedades como Pinot Gris e Pinot Blanc. De bagos pequenos e casca fina, não se adapta a qualquer lugar. Para se desenvolver bem, precisa de clima fresco e muitos cuidados no vinhedo durante o seu desenvolvimento. Por ter nascido na Borgonha, é lá que ela dá os melhores vinhos. E não é qualquer vinho. Simplesmente são os mais admirados em todo mundo, principalmente os com a classificação “Grand Cru”.

Os vinhos feitos com a Pinot Noir na região da Borgonha têm cor clara e normalmente aromas de frutas vermelhas silvestres, florais e de especiarias. Com o tempo, podem apresentar outras características, como notas tostadas, de fumo, couro e ervas, entre várias outras. São vinhos equilibrados, elegantes e muito longevos.

BORBULHAS - A Pinot Noir também está presente na composição do champagne, junto com a casta branca Chardonnay e a tinta Pinot Meunier (uma de suas mutações). Ela só não pode ser utilizada no tipo Blanc de Blancs, que é feito apenas de uvas brancas. Diz-se que Dom Pérignon, a quem se atribui a invenção da célebre bebida, gostava de utilizar somente a Pinot Noir nas suas garrafas.

NO MUNDO – Além das regiões da Borgonha e de Champagne, a Pinot Noir é cultivada em outras partes do mundo. Em determinadas regiões dos Estados Unidos e da Nova Zelândia dá origem a bons vinhos. O Chile (Vale de Casablanca) e a Argentina (Patagônia) também já ganharam respeito na produção de rótulos com esta uva.  No Brasil, seu cultivo é mais recente. Mesmo assim, vem surpreendendo na região de Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul.

Diferentemente da uva Cabernet Sauvignon, que se dá bem em quase todas as regiões vinícolas do planeta, não adianta tentar cultivar a Pinot Noir em qualquer região. O excesso de frio resulta em vinhos sem cor e de paladar pobre. Já o calor a amadurece demais, tirando a elegância da bebida.

A Pinot Noir não é, portanto, uma uva popular. Digna do título de “rainha”, tem mesmo é que ser caprichosa!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O que a embalagem diz do vinho

Coluna Escrivinhos da edição de set/2013 da Revista Mon Quartier

Muitas vezes somos impulsionados a comprar uma garrafa de vinho simplesmente por simpatizar com o seu rótulo, mesmo que tenhamos pouca ou nenhuma referência sobre ele. Isso acontece até com pessoas mais experientes na área, que em algumas ocasiões se deixam seduzir por um design bonito.

Mas no mundo do vinho, assim como no mundo dos homens, a máxima “quem vê cara não vê coração” também pode ser levada em consideração. Nem sempre uma garrafa com um rótulo legal traz em seu interior um bom vinho. Há alguns “sinais” que os produtores utilizam nas garrafas para tentar demonstrar a qualidade da bebida. Uma garrafa mais pesada, mais imponente, normalmente é usada em vinhos de qualidade mais elevada. Garrafas mais leves, de fundo “chato”, sem curvatura, frequentemente são utilizadas para vinhos mais simples.
Mas é no rótulo e no contra rótulo (localizado na parte de trás da garrafa) que a gente pode achar muitos indicativos sobre o vinho. Nos vinhos do Novo Mundo, é comum o produtor especificar a uva ou as uvas que são utilizadas na bebida. Também podemos saber a região no qual ele foi produzido, qual o seu teor alcoólico e sua safra.

A expressão “vinho fino” significa que a bebida em questão foi elaborada com uvas viníferas. Já os vinhos “suaves” são quase sempre feitos com uvas de mesa e têm adição de açúcar. O termo “Reserva” significa que ele teve amadurecimento em barricas de carvalho. Já o temo “Reservado”, esse não diz nada. É apenas uma jogada para conquistar os consumidores desavisados.

Nos vinhos do Velho Mundo, é difícil encontrar no rótulo as uvas com as quais são produzidos os vinhos. Isso porque cada país tem uma legislação específica para cada área vinícola, onde só podem ser utilizadas determinadas variedades em cada uma delas. Os vinhos franceses da região da Bourgogne (ou Borgonha), por exemplo, levam a uva Pinot Noir para os tintos e a Chardonnay para os brancos. Já na região de Chianti, na Toscana, Itália, os vinhos tintos só podem ser elaborados com uvas Sangiovese e Canaiolo e os brancos com Trebbiano e Malvasia. Tem também as indicações geográficas e denominações de origem, que podem vir sob as siglas IGT, AOC, DO, DOC, DOCG, dependendo do país e da legislação vigente.

Da próxima vez que for escolher um vinho pela embalagem preste atenção nesses detalhes. Eles podem livrá-lo de uma “roubada”. Se quiser se aprofundar mais sobre o assunto, os sites, blogs e publicações especializadas têm um monte de dicas bacanas.

Fique de olho e saúde!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Um dia em Champagne

Coluna Escrivinhos, Revista Mon Quartier, edição de julho de 2013

Para quem gosta de vinho espumante e está programando ou pensa em fazer uma viagem para a França, uma dica imperdível é dar uma esticada até a região de Champagne. Localizada a apenas 150 quilômetros ao leste de Paris, a “Meca” dos espumantes de alta qualidade está recheada de bons motivos para ser desvendada.

O trajeto pode ser feito nos trens de alta velocidade franceses, os TGV, que além de rápidos são confortáveis; de carro ou ainda de ônibus, em excursões guiadas. Comece a visita pela cidade de Reims, onde a maior atração turística é a sua catedral gótica (foto). Trata-se de um dos primeiros monumentos classificados como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

Lá, foram coroados 29 reis da França entre os anos de 1027 e 1825. Esta cidade histórica presenciou a última vitória de Napoleão, em 1814. Foi em Reims que aconteceu também a assinatura da rendição alemã na segunda Guerra Mundial.

Naquela cidade, os apaixonados por Champagne têm uma infinidade de opções de prestigiadas “maison” para conhecer. Algumas boas opções são Pommery, Veuve Clicquot, G.H. Mumm, Ruinart e Taittinger, entre outras.

Uma dessas que tive a oportunidade de visitar foi a G.H. Mumm, que elabora o champagne oficial da Fórmula 1 (aquele com o qual os pilotos comemoram no pódio). Suas caves têm capacidade para armazenar 25 milhões de garrafas. São impressionantes 25 quilômetros de adega subterrânea, com 14 metros de profundidade, onde a temperatura natural é de 10°C.

Outra localidade imperdível na região é Epernay. Considerada a “capital do champagne”, é a cidade que tem maior renda per capita da França. Essa riqueza pode ser conferida em um passeio pela Avenue de Champagne, com suas belas mansões e considerada uma das avenidas mais ricas do mundo.

Em Epernay, a dica é visitar produtores como a Moët & Chandon, De Castellane e Mercier. Conheci a Moët & Chandon e fiquei realmente encantada com toda a sua história. Fundada em 1743, pertence atualmente ao grupo LVMH (Louis-Vuitton-Moët-Hennessy), o maior produtor de artigos de luxo do mundo. Suas caves estão instaladas a 12 metros de profundidade, escavadas em solo calcário. É a Moët & Chandon que produz o célebre champagne Dom Pérignon, nome dado em homenagem ao monge francês que descobriu a bebida. História, que por sinal, é bastante interessante. Ficou curioso(a)? Numa próxima eu a conto direitinho por aqui.

Saúde!

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Uruguai também bate um bolão em outros campos


Coluna Escrivinhos da edição de junho da Revista Mon Quartier

Este mês de junho tem muito recifense que vai fazer questão de acompanhar ao vivo os jogos da Copa das Confederações na nova arena construída em São Lourenço da Mata. Eu mesma sou uma que já garantiu o ingresso para assistir ao partidaço Espanha x Uruguai. Mas calma aí, o tema da coluna ainda é vinho e não futebol! Puxei o assunto porque lembrei que alguns dos países que vão disputar o campeonato são reconhecidos produtores de vinhos: Brasil, Itália, Espanha e Uruguai.

Quem gosta da bebida, supostamente já provou vinho desses locais. Porém, pela produção ser menor, sei que existe muita gente que nunca teve a oportunidade de degustar os vinhos do Uruguai, que por sinal é bicampeão da Copa do Mundo de futebol. Então resolvi falar aqui sobre eles.

A história vitivinícola deste país sul-americano começa na década de 1870, quando imigrantes bascos plantaram as primeiras vinhas. A maior parte dos vinhedos (90%) fica na região sul, próximo a Montevidéu, principalmente na região de Canelones, que tem clima de influência marítima.

Os principais produtores uruguaios dos quais eu já provei bons vinhos são Carrau, Pisano, Familia Deicas, H. Stagnari, Giménez Méndez, Pizzorno e Bouza. Eles elaboram rótulos principalmente com a Tannat, uva tinta emblemática daquele país. Apesar de ela ser a mais plantada, outras castas tintas e brancas também são cultivadas lá.

TANNAT – Originária do sudoeste da França, mais exatamente da região de Madiran, essa variedade se adaptou muito bem ao Uruguai. Ela foi trazida no século 19 para América do Sul pelo imigrante basco Pascual Harriague. Tanto é que ela passou muitos anos sendo chamada de Harriague, em homenagem ao seu “pai”.

Lá na França, os vinhos feitos com a Tannat harmonizam com os pratos gordurosos como o cassoulet e as conservas de pato e de ganso (confit). Isso porque a uva dá origem a uma bebida potente e encorpada, que encara comidas mais robustas.

O nome Tannat vem do tanino, substância responsável pela adstringência do vinho. Antigamente, os vinhos feitos com ela eram ásperos e muito secos. Hoje, com as novas técnicas de vinificação, estão mais elegantes. Os Tannat uruguaios têm grande intensidade de cor, aromas de frutas escuras e chocolate. Acompanham muito bem pratos de carnes vermelhas.

Cientistas dizem que a Tannat é a uva que contém mais antioxidantes naturais, substâncias que combatem o envelhecimento precoce e ajudam a prevenir doenças.

E então, que tal escalar um vinho do Uruguai para a sua seleção?

Saúde!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Especial casamento: o brinde da festa


Coluna Escrivinhos, edição de maio da revista Mon Quartier

Casamento que se preze tem que ter brinde. Já que o assunto desta edição é casamento, o tema da coluna vai junto e dá umas dicas pra refrescar a festa.

Para a criançada, para os convidados que não bebem e os “amigos da vez”, suco de frutas da estação não deve deixar de faltar. Nesses tempos de vida saudável, o refrigerante pode tranquilamente ser cortado da lista. Porém, não esqueça de bastante água, que é um item indispensável e deve ser servido do início ao fim da recepção.

Se o casório for ter bebida alcoólica, dê preferência ao espumante. O ideal para ser servido é o do tipo brut (seco), que combina normalmente com a maioria dos canapés servidos. Caso o orçamento para a festa seja mais confortável, servir um champagne (original francês) é puro luxo! Se o casório for ter só bolo e espumante, prefira um rótulo demi-sec, que é menos seco que o espumante brut e vai harmonizar melhor com o doce.

Ah, e uma dica que todo mundo quer saber: normalmente, calcula-se uma garrafa de espumante para três adultos.

Se a festa for de dia ou num ambiente descontraído, não vejo nenhum problema em servir cerveja. Aliás, hoje em dia existem uns serviços de chope que são uma delícia. Você contrata, eles levam a máquina, os copos apropriados e ainda uma pessoa para servir os convidados.

Pernambucano é louco por uísque. E muita gente vai “chiar” se não tiver o destilado na festa. Escolha uma marca conhecida para não haver problemas. Uma garrafa da bebida serve dez adultos.

Mesas de coquetéis também são bem vindas e dão um ar maior de animação à festa. Porém, na minha opinião, são totalmente dispensáveis nas comemorações à noite e nos casórios mais tradicionais. Nos casamentos realizados durante o dia ou naqueles mais descontraídos, essas mesas podem fazer a diferença. Fica super bacana, principalmente se tiver muita fruta para a preparação dos drinks.

Vinho branco e tinto são para recepções menores, como jantares em família. Escolha os secos, de preferência de boa qualidade. As lojas especializadas podem indicar opções interessantes.

Um brinde e felicidades!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quem disse que nos Pampas só tem gado?

Coluna Escrivinhos do mês de abril da revista Mon Quartier

O vinho me leva pelo mundo em cada viagem mais incrível que a outra. Dessa vez, fui parar lá nos Pampas do Rio Grande do Sul, fronteira com Uruguai - região dominada pela agropecuária e agricultura, principalmente da soja e do arroz. Para quem não sabe, desde a década de 90 o local também vem começando a “botar as mangas de fora” no assunto vinho. E é disso que eu vou falar para vocês.

A Campanha Gaúcha é uma região que engloba oito municípios: Candiota, Bagé, Dom Pedrito, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Alegrete, Quaraí e Itaqui. A produção anual estimada é de oito milhões de litros, com foco na produção de vinhos finos e espumantes. Lá, me impressionaram alguns belos espumantes, mas principalmente os vinhos tintos produzidos com a uva Tannat, variedade que já se dá super bem no vizinho Uruguai. Também podemos encontrar bons Cabernet Sauvignon e alguns brancos distintos, feitos com as uvas Chardonnay, Gewürztraminer e Viognier.

A “base” para quem quer conhecer a região é a cidade de Santana do Livramento, local muito visitado por turistas, uma vez que fica na fronteira com a cidade de Rivera, no Uruguai, conhecida pelos seus free-shops. O incrível é que depois de provar tantos bons vinhos nessa região, nem deu vontade de comprar os importados!

Querem exemplos? A gigante Almadén, do grupo Miolo, conhecida pelos seus vinhos simples e baratos tem uma pequena jóia no seu catálogo: o “Vinhas Velhas Tannat”. Um excelente tinto feito com uvas cultivadas em vinhedos com mais de 35 anos. Por falar em preciosidade, essa é a palavra certa para descrever os tintos da Routhier e Darricarrère – uma vinícola de pequena produção que faz um grande vinho: o ‘Província de São Pedro Cabernet Sauvignon’. Também tem em seu portfólio o ‘Red’, vinho mais jovem e descontraído, porém muito bem feito.

Não posso deixar de elogiar também as criações da Cordilheira de Sant'ana e Camponogara (Rota 293), o Tannat da Rio Velho, além dos vinhos honestos (simples, bem feitos e acessíveis) da Dom Pedrito.

Mas confesso que o meu “queixo caiu” em dois momentos: o primeiro, numa visita à vinícola Guatambu. O complexo que a família Pötter está terminando de construir em Dom Pedrito não deixa nada a dever às vinícolas de primeiro mundo, com equipamentos modernos, arquitetura arrojada e de bom gosto. Tem tudo para se tornar um referencial no Sul do país, uma vez que os vinhos também são encantadores – a começar pelos espumantes.

Praticamente no fim do mundo, no município de Itaqui, localizado a 750 quilômetros de Porto Alegre, está outra super estrutura: a vinícola Campos de Cima. No meio a extensos campos de criação de gado e ovelhas, além do cultivo de arroz, desponta a vitivinicultura. Lembrem da marca Campos de Cima: um dia vocês ainda poderão se deliciar com seus distintos vinhos brancos, tintos e espumantes. É coisa de gente grande!

E durante a viagem de volta, chacoalhando dentro de um micro ônibus debaixo de uma tempestade de raios e trovões, eu só pensava em duas coisas:

1ª - Tenho que contar isso tudo a vocês.
2ª-  Tomara que os meus vinhos não quebrem!

Saúde!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Malbec: o craque argentino das prateleiras

Coluna Escrivinhos, Revista Mon Quartier, edição de novembro 2012

Todos sabemos da velha rixa entre brasileiros e argentinos. Principalmente no futebol, com a velha indagação sobre quem foi o melhor: Pelé ou Maradona?  Os brasileiros defendem a supremacia de Pelé com “unhas e dentes”, mas parecem concordar que hoje quem manda nos gramados é o baixinho Messi. E nas prateleiras também tem um “craque” que já há algum tempo conquistou as taças brasileiras. Trata-se do vinho argentino produzido com a uva Malbec.

Mas antes de falar sobre o vinho, é interessante saber mais sobre a história dessa uva tinta. Trazida da França em meados do século XIX, a variedade se adaptou muito bem a todas as regiões vitivinícolas argentinas e começou a ser cultivada de maneira intensiva, ganhando o posto da cepa mais conhecida e cultivada naquele país, ocupando 31.047,4 hectares de vinhas.

Uma curiosidade: ainda hoje, a Malbec é a principal variedade da região francesa de Cahors, sendo também cultivada em Bordeaux.

Atualmente, existem na Argentina muitas variantes de elaboração para a Malbec, desde vinhos jovens e simples até encorpados e contundentes com longa guarda em barricas, passando pelos rosés, os espumantes e os licorosos.

Em todos os casos, os seus aromas primários se destacam pelas notas de ameixas maduras e às vezes menta. Rico em cor, o vinho tem capacidade de “encher” o paladar sem agressividade, graças aos seus taninos doces e redondos.

Em recente estada na Argentina, pude comprovar que a variedade se dá bem em todos os cantos do país, desde o Norte, na região de Salta, onde produz vinhos bem frescos, até na região da Patagônia, ao sul do país, de onde estão saindo vinhos surpreendentes. Isso sem falar na tradicional região de Mendoza, onde os Malbecs simplesmente dominam.

O Malbec é um belo vinho para acompanhar churrascos bovinos, guisados, massas com molhos de tomate e queijo, carnes de caça e queijos duros.

HERMANAS – É notório que a Malbec é a uva símbolo da Argentina. Mas não posso ser injusta e deixar de citar algumas “hermanas” que estão dando origem a ótimos vinhos em terras vizinhas. Uma delas é a variedade Torrontés, que produz brancos ricos em aromas e com boa acidez. Também se destacam as variedades brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Chenin, Semillón e Viognier. Entre as tintas, Bonarda, Cabernet Sauvignon, Syrah, Pinot Noir e Merlot.

Então, deixemos as rixas de lado e provemos. Com moderação, é claro!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Enólogos formam grupos em busca de qualidade e reconhecimento


Coluna Escrivinhos, Revista Mon Quartier – setembro/2012

Novos ares na taça

De uns tempos para cá, grupos de produtores de vinho vêm se juntando e dando um caráter inovador à bebida, alguns fazendo rótulos mais descontraídos, outros apostando em métodos artesanais de produção, com foco em qualidade ao invés de quantidade.

O mais conhecido deles é o “Douro Boys”, de Portugal. Formado há cerca de dez anos por cinco enólogos amigos, o grupo vem dando novos ares ao vinho da região do Douro. Cristiano van Zeller (Quinta do Vale Dona Maria), Dirk van der Niepoort (Niepoort Vinhos), Francisco Olazábal (Quinta do Vale Meão), João Ferreira Álvares Ribeiro (Quinta do Vallado) e Miguel Roquette (Quinta do Crasto) têm como objetivo promover, em conjunto, o produto, a região e o país, numa perspectiva comercial e também cultural. Por isso, eles vivem viajando pelo mundo falando sobre seus rótulos e sobre a produção de vinhos em Portugal.

Outro grupo interessante é batizado de “Movimiento de Viñateros Independientes” (MOVI). Nascido em 2009, congrega 18 pequenas vinícolas do Chile. Trata-se de uma associação que nasceu da necessidade de afastar-se do modelo empresarial tradicional, respeitando a produção em pequena escala e potencializado as características da região.

Andrés Sánchez, enólogo da vinícola Gillmore, explica que a intenção é “oxigenar” o mercado com o conceito de “vinhos de autor”, sempre fugindo da massificação (a produção é limitada a poucos milhares de garrafas por ano).

Também merece ser destacado o trabalho do grupo “Young Winemakers”, de Portugal. É formado por seis jovens e irrequietos enólogos que produzem vinhos autorais: João Maria Cabral (Camaleão), Luis Patrão (Vadio), Rita Marques (Conceito), Diogo Campilho e Pedro Pinhão (Hobby), além de Pedro Barbosa (Clip).

Luis Patrão, por exemplo, é enólogo da renomada Herdade do Esporão, mas tem o “Vadio” como seu projeto pessoal.

Vários vinhos desses produtores podem ser adquiridos por aqui (Recife). Se você ficou curioso para prová-los, aí vai o “mapa da mina”:

Club du Vin (Quinta do Vale Meão) – (81) 3326-5719 | 3267-3667
Dom Vinho (Bravado Wines, Flaherty, I-Wines e Von Siebenthal) – (81) 3466-2525
Importadora Cantu (Quinta do Vallado) – (81) 3455-3944
Licínio Dias Importação (Quinta do Crasto e Vadio) – (81) 3125-8080
Wine (Erasmo) – www.wine.com.br

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A curiosa história da uva Carménère


*Coluna Escrivinhos - agosto/2012 da Revista Mon Quartier

Para aqueles que já estão um pouco mais entrosados com o universo do vinho, quando se fala na uva Carménère, normalmente associa-se essa variedade ao Chile, pois trata-se da casta emblemática daquele país. Mas você sabia que a Carménère era uma variedade considerada extinta e que só foi redescoberta em 1994?

A uva tem uma história bastante interessante. Originária de Bordeaux, região da França, foi destruída nos idos de 1880 por uma praga chamada Filoxera, que acometeu os vinhedos da Europa. Causada por um inseto, essa praga reduziu a produção francesa quase à metade naquela década. Depois de perdas supostamente irreparáveis, como a extinção da variedade Carménère, descobriu-se que a única defesa contra a praga da Filoxera era o enxerto de vinhas européias nas raízes resistentes americanas, imunes à infestação. Todos os vinhedos europeus foram replantados desta forma.

Estudando as vinhas do Chile, em 1994, o pesquisador francês Jean-Michel Boursiquot observou que em algumas plantações a uva Merlot demorava mais a maturar. Depois de alguns testes, ele descobriu que a antiga variedade francesa Carménère havia sido cultivada junto com pés de Merlot.

O que provavelmente aconteceu é que os colonizadores europeus, bem antes da praga, trouxeram mudas de Carménère para o Chile e plantaram a variedade, tendo esta se adaptado muito bem às condições locais.

Apesar de não ser a uva tinta mais plantada no Chile (o posto fica com a Cabernet Sauvignon), a Carménère é muito valorizada justamente por ser hoje quase uma “exclusividade” chilena.

Além disso, os vinhos feitos com esta uva são normalmente mais delicados e fáceis de tomar, agradando muito aos paladares femininos e também seduzindo os homens por dar origem a vinhos secos. Tem como características notas herbáceas, de frutas vermelhas e especiarias. Pode ser bebido jovem com prazer.

Então, quando abrir um Carménère lembre que além do vinho você está apreciando um pouco de história. No mínimo será uma boa curiosidade para contar aos amigos.

Saúde!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Bebendo e aprendendo

*Coluna Escrivinhos - julho/2012 da Revista Mon Quartier 

Uma das perguntas que sempre me fazem é sobre como aprender mais a respeito dos vinhos. E a minha primeira resposta é simples: degustando. Quem está disposto a mergulhar mais fundo nesse universo precisa provar bastante. Não tenha preconceito. Experimente brancos, rosés, tintos, espumantes, fortificados e vinho de sobremesa. Tudo com moderação - é claro.

Canso de ouvir pessoas falarem que tomaram um vinho na noite anterior, gostaram muito, mas que não lembram o nome da bebida. Uma dica é manter um caderninho para tomar notas sobre as suas experiências. Se você é usuário de smartphone, vale usar o bloco de notas do aparelho. Anote tudo: nome, produtor, safra, procedência, onde foi comprado e quanto custou. Isso serve para que você possa repetir as boas experiências e evitar os rótulos que não lhe agradaram.

Diversifique as suas provas com vinhos de diferentes tipos e nacionalidades ou direcione as degustações, durante determinado período, para um só tipo da bebida. Por exemplo: no próximo mês, programe-se para degustar apenas vinhos feitos com a uva Merlot. Ou então, para provar brancos do Chile. Com o tempo, você irá percebendo as nuances dos tipos de uvas, as peculiaridades de cada terroir (ambiente onde as uvas foram cultivadas) e as sensações que os diferentes métodos de produção podem proporcionar.

A próxima dica é ler bastante sobre o assunto. Revistas especializadas, blogs e bons livros não faltam. Como o vinho hoje é moda no Brasil, nunca foi tão fácil ter acesso a informações sobre o tema.

O terceiro conselho é: participe de cursos. No Recife, a oferta de aulas introdutórias é sempre boa. Alguns importadores e distribuidores promovem degustações e refeições harmonizadas com vinho, onde em muitas delas os próprios produtores estão presentes.

E outro toque bastante importante: ninguém, mas ninguém mesmo sabe tudo sobre vinhos. Existe uma infinidade de rótulos sendo produzidos ao redor do mundo, em recantos às vezes inimagináveis. Eu mesma, que já estou nesta estrada há um tempinho, nunca deixo de estudar. E continuo dizendo: ainda preciso aprender muito mais.

Se já tiver alguma noção sobre o assunto, a dica é: não demonstre ser “o entendido”. Ensine aos outros, mas sem firulas. Ou então você corre o risco de se tornar mais um “enochato”. Desses aí, o mundo está cheio!

Saúde! (ou santé! salud! cheers! salute!)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Por que o vinho seco é melhor?

Depois de tanto ouvir essa pergunta, resolvi escrever um texto sobre o assunto, que foi publicado na coluna deste mês da revista Mon Quartier. Confira:

Vai um vinho seco aí?

Frequentemente encontro algumas pessoas que dizem que gostam de vinho, mas preferem os suaves. Normalmente, essas mesmas pessoas também perguntam o que fazer para gostar dos secos. “Questão de treino do paladar”, respondo.

Deixem que eu me explique melhor. Desde criança, somos acostumados aos líquidos docinhos. O leite materno, dizem, tem sabor adocicado. Os sucos comumente são adoçados. E depois vêm os refrigerantes - uma verdadeira "bomba" de açúcar. Como o vinho é feito de uma fruta, a uva, é normal que as pessoas esperem algo mais ameno quando tomam aquela bebida.

Porém, um vinho suave, ou docinho, não vai passar disso. Você nunca vai poder identificar nele aqueles aromas que os especialistas dizem sentir, como de especiarias, frutas silvestres, couro ou baunilha, entre vários outros. Isso porque o vinho suave é um vinho simples, feito com uvas “não viníferas”.

Só para você entender melhor, as uvas viníferas são frutos da espécie vegetal Vitis vinifera. São castas nobres, ideais para a produção de vinho. Entre elas estão Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, entre inúmeras outras. Os vinhos feitos com estas uvas são chamados vinhos finos.

Já a uva de mesa (não vinífera), do tipo Isabel, Itália ou Bordô, entre outras, serve para ser consumida in natura ou para a produção de suco. Mas muitos produtores destinam essas uvas para a elaboração de vinhos mais simples - os suaves.

Esses vinhos normalmente passam por um processo que os diferencia dos vinhos secos: recebem adição de açúcar. O bom vinho, ao contrário, é aquele em que durante a sua produção todo o açúcar natural das uvas foi transformado em álcool.

Então, se você se identificou com o texto ou conhece alguém “chegado” nos suaves, aí vão algumas dicas para entrar no mundo dos secos sem grandes impactos:

Os tintos da uva Pinot Noir são mais leves, assim como os da Carmenère. Gamay também é uma uva tinta que pode agradar aos paladares mais acostumados com o adocicado. Entre os brancos, prove os argentinos feitos com a Torrontés ou os Pinot Grigio italianos.

E lembre: vinho só é saúde se bebido com moderação.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os cheiros do Natal*

Desde criança, os cheiros sempre me marcaram muito. Recordo perfeitamente o cheirinho que tinha a minha lancheira da escola. Lembro do aroma de terra molhada, de grama cortada, do bolo no forno, do perfume da minha avó. Até lembro dos desagradáveis (a velha catinga ou fedor), como o cocô do cavalo na rua, o sarapatel na panela (sim, para mim esse cheiro era e até hoje é horrível).

Mas tinha uma época do ano que era marcada pelos cheiros bons: o final do ano! Tudo parecia mais agradável, leve. O aroma das acácias e dos jambeiros floridos, das primeiras mangas e do caju, da castanha portuguesa, da ameixa madura, do panetone, do sapato novo! Tudo era festa para o meu nariz.

E ainda hoje continua assim. Me encanta o cheiro das passas, do peru assado, das nozes, das lentilhas, do papel de presente, do queijo do reino, da vela acesa, do bolo de frutas!

A essa altura você deve estar se perguntando: e essa coluna não é de vinhos?

É sim, caro(a) leitor(a). Vinho tem tudo a ver com cheiros. A identificação dos aromas é uma parte importante na avaliação da bebida.

Muitos dos aromas de que falei  podem ser encontrados nos vinhos (até o cocô de cavalo, pasmem).

Então, a minha proposta é a seguinte: que tal aproveitar esta época rica em aromas e brindes para identificar os cheiros que exalam da sua taça?

Nos tintos é comum aparecer a ameixa madura, o jambo. Podem surgir ainda especiarias, chocolate, café, baunilha, fumo, morango...

Os brancos podem ter aromas de grama cortada, limão, melão, mel, lichia, floral, manteiga, maçã....

Nos espumantes surgem fermento, pão torrado, frutas brancas, amêndoas, nozes, flores...

Os de sobremesa mostram frutas secas, mel, chocolate, amêndoas...

Sinta o seu vinho. Veja se combina com o cheiro daquele momento. Se fica bem com o prato que você está comendo. Deixe as bolhinhas do espumante fazerem cócegas no seu nariz.

Feliz Natal e um ano novo abençoado.

Um cheiro!

*Esta é a minha coluna do mês de dezembro da revista Mon Quartier.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um brinde à telona

O texto da minha coluna deste mês da revista Mon Quartier fala de três filmes sobre vinhos para você curtir nas férias. Confira:

Um brinde à telona

Para quem gosta de vinhos e de filmes, uma pedida neste mês de férias é juntar as duas coisas. Existem boas produções sobre o assunto no cinema, mas as três que classifico como imperdíveis são os longas “Sideways – Entre umas e Outras”, “O Julgamento de Paris” e “Um Bom Ano”.

“Sideways”, apesar de ser da “safra” 2004, já é considerado um clássico. Nele, o enófilo depressivo Miles (Paul Giamatti) e o seu colega Jack (Thomas Haden Church), um ator fracassado que está às portas do casamento, partem para uma viagem de uma semana ao Vale de Santa Ynez, região produtora de vinhos da Califórnia. A ideia é beber bons vinhos, jogar golfe e relaxar, mas eles terminam se envolvendo com duas mulheres e a história “vira de cabeça para baixo”. Um enredo envolvente e hilário, com sabor de Pinot Noir – uva preferida de Miles, que é uma das variedades mais complicadas de se cultivar e que pode dar origem a grandes vinhos.

“O Julgamento de Paris” é um filme baseado em fatos reais, que retrata uma histórica degustação realizada às cegas na capital da França, em 1976, onde dois vinhos californianos venceram rótulos franceses do mais alto nível. Até hoje, o Museu Nacional de História Americana Smithonian abriga em sua coleção as garrafas dos vinhos que venceram a competição: um Stag’s Leap Wine Cellars Cabernet Sauvignon 1973 e um Chateau Montelena Chardonnay 1973.

É um bom filme para “abrir a mente” dos que acreditam que apenas o Velho Mundo e renomados produtores fazem bons vinhos. Lançado em 2008, tem no elenco atores como Bill Pullman, como o proprietário da vinícola, e Chris Pine, fazendo o papel de seu filho e incentivador da produção de vinhos.

Já “Um Bom Ano”, de 2006, é estrelado pelo astro Russel Crowe. No enredo, ele é Max Skinner, um frio e calculista investidor londrino que herdou do seu falecido tio Henry (Albert Finney) um vinhedo na região da Provence, na França. Ele muda-se temporariamente para o local, onde viveu a sua infância, para vender a propriedade. Mesmo sendo um cara bem sucedido e apegado à cidade, Max se deixa seduzir pelas lembranças do seu passado, pelos vinhos e o plantio de uvas e pela proprietária do café local (Marion Cotillard). Um filme leve e descontraído.

Escolha um deles, pegue sua taça para acompanhar e bom filme!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vinte verdades sobre vinhos

Este é o tema da minha coluna da edição de fevereiro da querida revista Mon Quartier. São vinte pequenas dicas que podem ajudar o leitor a entender algumas questões relacionadas ao vinho. Confira:

1. Nem todo vinho melhora com o tempo. Apenas os grandes tintos evoluem com o passar dos anos.

2. O esmagamento das uvas com os pés é muito pouco utilizado hoje em dia. Somente algumas vinícolas, principalmente em Portugal, ainda utilizam a técnica.

3. As videiras gostam de solos pobres, pois assim vão mais fundo para buscar os nutrientes e minerais que darão qualidade ao vinho.

4. Barris são usados para fermentação e amadurecimento do vinho. Normalmente são feitos de carvalho, madeira que pode conferir aromas e sabores à bebida.

5. Diz-se que o vinho é adstringente quando ele nos faz salivar depois de tomado. Nos tintos, a reação está relacionada à quantidade de taninos presentes.

6. Taninos são substâncias encontradas na casca e nas sementes da uva que ajudam a estruturar os vinhos tintos.

7. Os verdadeiros conhecedores e apreciadores de vinhos gostam tanto de tintos quanto de brancos, rosés, vinhos doces e espumantes.

8. Rosés são feitos de uvas tintas. Na sua elaboração, passam pouco tempo em contato com as cascas, ganhando uma coloração mais clara.

9. Os vinhos mais simples e os de garrafão não são produzidos com uvas viníferas (Vitis vinifera) e sim com uvas de mesa, que também servem para fazer suco.

10. O vinho fica melhor quando tomado na taça adequada.

11. Nenhum vinho tinto deve ser bebido a mais de 20ºC.

12. A palavra "cru", nos vinhos franceses, está associada à qualidade do vinhedo.

13. "Blanc de Noirs" é um vinho branco produzido com uvas tintas.

14. Varietal é um vinho com uma única variedade de uva.

15. A palavra assemblage é usada para definir o vinho que tem várias uvas em sua composição.

16. DOC e DOCG são termos franceses usados no Velho Mundo para indicar Denominação de Origem Controlada (DOC) e Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG).

17. Enófilo é o apreciador de vinhos.

18. Enólogo é o profissional formado responsável pela produção do vinho.

19. “Reserva” é uma classificação espanhola, também usada no Brasil, relacionada ao tempo de maturação do vinho.

20. “Reservado” não é uma denominação oficial, mas sim uma “jogada” dos chilenos para tentar vender vinhos de qualidade inferior em mercado estrangeiro.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Bê-a-bá dos espumantes

Esta é a coluna Escrivinhos da edição de dezembro da revista Mon Quartier. Como não podia deixar de ser, o assunto é... espumante!

Confira:

"Espumante combina com comemoração

Chegou o fim do ano. Com ele vem as confraternizações, os brindes e o espumante, bebida que nesta época multiplica-se nas prateleiras. Para não ficar em dúvida na hora da escolha, a coluna montou um pequeno guia para você entender um pouco sobre a bebida e identificar a opção que vai mais com a sua cara.

O que é espumante?

É um vinho fermentado por duas vezes. Na primeira, o açúcar da uva é transformado em álcool. Na segunda, são adicionados açúcares e leveduras, que produzem álcool e gás carbônico, responsável pelas bolinhas, também chamadas de perlage.

Existem dois métodos de fabricação da bebida. O Champenoise é o tradicional, no qual a segunda fermentação acontece na própria garrafa. Já no método Charmat, mais comum, a segunda fermentação acontece em tanques de aço inoxidável.

Champagne e espumante são a mesma coisa?

Não. O champagne é produzido na França, em Champagne, única região do mundo que pode usar esta denominação. É feito apenas pelo método tradicional. Os demais são classificados como espumantes, podendo ser elaborados através dos dois métodos. Existem mais dois tipos de espumantes que são conhecidos pelos seus nomes: a cava, da Espanha, e o prosecco, de origem italiana.

Quais os tipos de espumante?

Na hora de comprar, observe bem o rótulo. O brut é seco, o demi-sec é meio seco ou levemente adocicado e o moscatel é doce. Os espumantes brancos podem ser feitos tanto de uvas brancas como de tintas, assim como os rosés.

O espumante é bom quando...

Apresenta boa perlage, com bolhinhas minúsculas e duradouras, é aromático e tem boa acidez na boca. Quanto ao gosto, aí é uma coisa pessoal.

Como servir

A taça adequada para o espumante é a tipo flute, em forma de tulipa, que conserva melhor as bolhinhas. A bebida deve ser servida gelada, entre seis e oito graus. Na hora de abrir, evite “estourar” a rolha, pois nesse processo perde-se o que o espumante tem de mais precioso: o gás carbônico.

Os brasileiros

Os espumantes nacionais estão com tudo no mercado internacional. A vocação do Brasil para a produção desse tipo de bebida já é notadamente comprovada. Por isso, aposte também nos rótulos nacionais.

Feliz Natal e um 2011 repleto de bons motivos para brindar!"

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Novembro, o mês do Beaujolais Nouveau

Este é o texto do mês de novembro da coluna Escrivinhos, publicado na revista Mon Quartier.

Novembro, o mês do Beaujolais Nouveau

Todo ano, na terceira quinta-feira do mês de novembro, os franceses celebram a chegada do seu primeiro vinho. O Beaujolais Nouveau fica pronto aproximadamente dois meses após colheita. Feito com a uva Gamay, é um vinho leve, fresco e descontraído, com características bem frutadas e bom para ser tomado geladinho.

Trata-se de uma verdadeira festa a celebração da chegada do Beaujolais Nouveau ao mercado. A ideia veio dos comerciantes de Lyon, região do Beaujolais, que produz uma uva capaz de render grandes quantidades de vinho. Para dar saída à produção, eles resolveram lançar seus rótulos mais cedo. Na década de 60, houve uma verdadeira competição entre os produtores locais para ver quem lançava primeiro o seu vinho.

Com o passar do tempo, o interesse pelos Beaujolais Nouveau começou a cair, devido à grande quantidade de exemplares medíocres colocados à venda no mercado. Isso aconteceu justamente por causa da pressa das vinícolas em “despejar” o seu vinho nas prateleiras. Porém, alguns produtores sérios continuaram firmes no seu propósito e não deixaram a tradição morrer.

Como disse antes, o Beaujolais Nouveau é feito com a uva Gamay, que dá origem a vinhos de baixo teor alcoólico e feitos para serem bebidos bem jovens. Na sua produção, os cachos são jogados inteiros nas cubas, sem esmagamento, num processo chamado maceração carbônica, onde a pele da uva é estourada através da fermentação. O objetivo é obter o máximo de cor e aroma.

O Beaujolais Nouveau combina com o clima do Brasil, pois deve ser consumido bem resfriado, por volta de 14ºC. Ele cai bem com frios, peixes, frutos do mar e pratos leves.

Ao bebê-lo, normalmente podem ser identificados aromas de frutas vermelhas silvestres, como morangos e framboesas, e também de banana. Quase sempre apresentam boa acidez, aliada ao sabor frutado e alegre.

O Brasil também tem o seu Beaujolais Nouveau. Produzido pela Miolo Wine Group, o Gamay é lançado em março, logo após a colheita no Hemisfério Sul. A bebida é feita com a consultoria
de Henry Marionnet, considerado pela crítica internacional o papa da variedade Gamay. O vinho tem as mesmas características do “primo” francês - leve e refrescante.

O Beaujolais Nouveau não é um vinho para ser avaliado como os outros, e sim apenas festejado. Como diz o sommelier Manoel Beato, trata-se de um “vinho de entretenimento”. O importante é que seja consumido até seis meses após a sua fabricação. Depois disso, corre-se o risco de se tomar um vinho “vencido”.

Um brinde!