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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Terranova expressa caráter tropical nos seus novos rótulos


Elaborado numa região de clima quente, localizada em pleno semiárido brasileiro, os espumantes Terranova, do grupo Miolo, ganharam nova roupagem. Os rótulos estão mais alegres e modernos, expressando a proposta da linha, de frescor e alegria, o que pude conferir de perto, além de experimentar novamente o conteúdo das garrafas.

Para mim, o carro-chefe da linha é o Terranova Brut Rosé. Elaborado com a uva Grenache (o primeiro do Brasil), é um ótimo espumante para ser consumido na praia ou piscina. Pode ser tomado como aperitivo ou acompanhando frutos do mar e pratos leves. O aroma lembra goiaba, morango e framboesa. No paladar, boa acidez e sabor frutado na medida.

Já o Terranova Brut tem um toque floral, acompanhado de notas de manga. Assim como o Rosé, apresenta acidez correta e sabor agradável. Tem em sua composição as uvas Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Verdejo. 

Por fim, o Terranova Demi-Sec, que é uma opção para quem gosta de uma bebida um pouco mais adocicada. Com leves notas de mel e acidez presente, vai bem para fazer drinks usando gelo. Também produzidos com as variedades Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Verdejo. 

Os espumantes da linha Terranova são elaborados através do método Charmat, com fermentação apenas em tanques de inox.

Na loja virtual da Miolo, os rótulos estão custando em torno de R$ 45 a unidade.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Aurora Riesling Itálico 2017 (#CBE)

Com este post, aproveito e "mato dois coelhos com uma só cajadada". Explico. Este mês, o tema da nossa Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE), proposto pelo confrade Déco Rossi (Blog EnoDeco), foi de um vinho Riesling abaixo de R$ 100. Apesar da uva não ter parentesco com a Riesling (a única ligação é a semelhança dos nomes), escolhi para postar um vinho da uva Riesling Itálico (tem problema, Déco?). Trata-se de uma variedade pouco conhecida lá fora, mas muito utilizada no Brasil, principalmente para os espumantes. O vinho abaixo foi eleito um dos 16 mais representativos do Brasil na safra de 2017 e comentado por mim durante a 25ª Avaliação de Vinhos do Brasil (foto). Portanto, é uma satisfação falar dele por aqui.


Vamos à descrição:

Origem: Bento Gonçalves, Serra Gaúcha, Brasil.
Produtor: Cooperativa Vinícola Aurora.
Cor: Amarelo palha com reflexos esverdeados
Olfato: Cítrico, com notas florais, de pera e um leve toque de baunilha.
Paladar: Leve e agradável. Tem boa acidez, o que lhe confere frescor, além de um final prolongado. O sabor traz de volta as frutas cítricas e a baunilha, completando um conjunto muito saboroso, com final de médio a prolongado.
Outras considerações: Elaborado 100% com uvas Riesling Itálico, é uma boa pedida para tomar como sozinho ou acompanhando pratos leves e pescados.

Média de preço: $$ (R$ 30 a R$60)
Classificação: ⒷⒺⓈⓉ ⒷⓊⓎ - (Boa Compra)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Modelo no Velho Mundo, Indicações Geográficas começam a se desenhar no Brasil

Em 1756, quando o Marquês de Pombal criou a primeira região vinícola demarcada do mundo, o Douro, em Portugal, ele criou um conceito que, mais tarde, veio a ser seguido pelos principais países produtores de vinhos não só da Europa, mas de todo o globo. E com o Brasil não poderia ser diferente.

Com uma produção cada vez mais reconhecida, inclusive fora do país, os produtores nacionais resolveram, desde a década de 90, seguir o modelo de regiões demarcadas, diferenciando, assim, os mais distintos terroirs do Brasil.


O Marco Legal das Indicações Geográficas (IG's) no Brasil é do ano de 1996, com publicação da Lei de Propriedade Industrial (LPI) Nº 9.279. De maneira resumida, essa Lei divide as IG's em duas categorias: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). Vale lembrar que quem concede Indicações Geográficas no país é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial  (INPI).

Entenda as diferenças:

INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA (IP) 

"Considera-se indicação de procedência o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço".

Características da IP:

-Diversidade de variedades
-Diversidade de varietais, de cortes, de tipos de produtos
-Maior flexibilidade para inovar
-Maior flexibilidade

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM (DO)

"Considera-se denominação de origem o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características e devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos".

Características da DO:

-Produto cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos
-Manutenção da tipicidade ao longo do tempo
-Tradição em produzir aquele produto
-Menor flexibilidade para inovar (inovação, quando vira tradição)
-Menor flexibilidade...

De acordo com o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Jorge Tonietto (foto), as IP's e DO's são equivalentes. "Não existe hierarquia. O produtor precisa ver onde seu produto se encaixa", explica.


O pesquisador observa que existe um regulamento de uso em relação às Indicações Geográficas, o qual envolve os seguintes requisitos:

- Delimitação da área geográfica
- As cultivares de videira autorizadas (por tipo de vinho quando for o caso)
- O produto autorizado (tipos de vinhos)
- Os sistemas de produção vitícola
- A origem da uvas para vinificação (Na IP, os vinhos varietais devem ter 85% ou mais da uva indicada no rótulo. Já na DO, devem ter 100%)
- A qualidade das uvas para vinificação
- A área de elaboração dos vinhos
- Os sistemas de elaboração
- Práticas não autorizadas
- Os padrões de qualidade analítica dos vinhos (mais restritivos que a lei do vinho)
- Avaliação sensorial dos vinhos


Para assegurar que todos esses requisitos sejam cumpridos, há um sistema de controle, via conselho regulador, que faz cumprir o regulamento da IP ou DO em questão. "As nossas normas de controle são semelhantes às da União Européia", completa Tonietto.

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS JÁ EXISTENTES NO BRASIL

RIO GRANDE DO SUL:



IP VALE DOS VINHEDOS

Os primeiros passos das Indicações Geográficas no Brasil começaram em 1995, no Rio Grande do Sul, com a criação da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale). Em 2002, a entidade conseguiu formalizar a primeira IP do Brasil, com uma área delimitada de 81,23 km², englobando áreas dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul.

Algumas características:

Sete tipos de vinhos finos: Tinto Seco, Branco Seco, Rosado Seco, Vinho Leve, Espumante Fino, Moscatel Espumante, Vinho Licoroso
Variedades: 21 brancas e tintas de V. vinifera
Origem da uva: mínimo 85% da área delimitada
Sistema de produção: latada e outros
Produtividade máxima: 150 hl de vinho por ha
Vinhos elaborados, envelhecidos e engarrafados na área delimitada
Aprovação dos vinhos em análise sensorial, realizada às cegas, por comissão de degustação
Sistema de controle (Conselho Regulador)
Normas de rotulagem

IP PINTO BANDEIRA



Depois, em 2010, veio a IP de Pinto Bandeira, que tem como gestora a Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho), com áreas na cidades de Bento Gonçalves e Farroupilha, totalizando 81,38 km².

Algumas características:

Produtos e variedades autorizadas: vinho espumante fino pelo método tradicional (Chardonnay, Pinot Noir, Riesling Itálico e Viognier), vinho fino tinto seco (Cabernet Franc, merlot, cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Tannat, Pinotage, Ancelotta e Sangiovese), vinho fino branco seco (chardonnay, Riesling Itálico, Moscato Branco, Moscato Giallo, Trebbiano, Malvasia Bianca, Malvasia de Candia, Sémillon, Peverella, Viognier, Sauvignon Blanc e Gewürztraminer) e vinho moscatel espumante (Moscato Branco, Moscato Giallo, Moscatel Nazareno, Moscato de Alexandria, Malvasia de Candia e Malvasia Bianca).
Origem da uva: mínimo 85% da área delimitada
Produtividade máxima: latada -12t/ha (14t/ha para moscatel espumante); espaldeira –9t/ha
Chaptalização (adição de açúcar) máxima de 2º GL
Vinhos elaborados, envelhecidos e engarrafados na área delimitada (exceção para tomada de espuma e engarrafamento do Moscatel espumante -Serra Gaúcha)
Aprovação dos vinhos em análise, às cegas, por comissão de degustação
Sistema de controle (Conselho Regulador)
Normas de rotulagem

DO VALE DOS VINHEDOS

Em 2012, a Aprovale conseguiu formalizar, além da IG já existente, a sua Denominação de Origem, sendo também pioneira neste outro tipo de indicação no país.

Algumas características:

Vinho Fino Branco Seco (Chardonnay e Riesling Itálico)
Vinho Fino Tinto Seco (Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Tannat)
Espumante Fino Nature, Extra Brut ou Brut (Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico)
Sistemas de condução em espaldeira
Proveniência das uvas para vinificação
Madeira: uso exclusivo de barricas de carvalho
Tempo mínimo de envelhecimento
Segunda fermentação na garrafa obrigatória para os espumantes
Tempo mínimo em contato com as borras
Cortes dos vinhos

IP ALTOS MONTES


No mesmo ano, foi a vez da Associação de Produtores dos Vinhos dos Altos Montes (Apromontes) ter a sua IP. A sua área compreende 173,84 km², nos municípios de Flores da Cunha e Nova Pádua.

Algumas características:

Vinhos e variedades autorizadas: Vinho Tinto Fino Seco (Cabernet Franc, Merlot, Ancelotta, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Refosco, Marselan e Tannat) | Vinho Fino Rosado Seco (Pinot Noir e Merlot) | Vinho Fino Branco Seco (Riesling Itálico, Malvasia de Candia, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Gewurztraminer e Moscato Giallo) | Vinho Espumante Fino Branco ou Rosado (Chardonnay, Riesling Itálico, Pinot Noir e Trebbiano) | Vinho Moscatelo Espumante Branco ou Rosado (Moscato Branco, Moscato Bianco R2, Moscato Giallo, Moscato de Alexandria e Malvasias.
Origem da uva: mínimo 85% da área delimitada
Vinhedos cultivados em espaldeiras
Produtividade máxima/ha e qualidade da uva
Não autorizada a chaptalização (adição de açúcar)
Vinhos elaborados, envelhecidos e engarrafados na área delimitada (exceção para tomada de espuma e engarrafamento do Espumante fino no “Charmat” e dégorgementno “método tracidional” na Serra Gaúcha)
Aprovação dos vinhos em análise, às cegas, por comissão de degustação
Sistema de controle (Conselho Regulador)
Normas de rotulagem

IP MONTE BELO



Logo em seguida, em 2013, a Associação de Produtores dos Vinhos de Monte Belo (Aprobelo) também formalizou a sua IP, com  56,09 km², envolvendo as cidades de Monte Belo do Sul, Bento Gonçalves e Santa Tereza.

Algumas características:

Vinho Espumante Fino Branco ou Rosado (elaborados com no mínimo 40% de Riesling Itálico e 30% de Pinot Noir, tendo no máximo 30% de Chardonnay e 10% de prosecco [Glera]. No método tradicional fica nove meses em contato com as leveduras)
Vinho Fino Branco Seco (Varietais - Riesling Itálico e Chardonnay. Elaborados com 85 a 100% da respectiva variedade | Não varietais - Elaborados com no mínimo 60% de Riesling Itálico e 20% de Chardonnay)
Vinho Moscatel Espumante Branco ou Rosado (Variedades autorizadas: Moscato Branco, Moscato Giallo, Moscato de Alexandria, Moscato de Hamburgo, Malvasia Bianca e Malvasia de Cândia - Vinhos elaborados com no mínimo 70% de uvas Moscato)
Vinho Fino Tinto Seco (Vinhos varietais: Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat - vinhos elaborados com 85 a 100% da respectiva variedade | Vinhos não varietais: elaborados com no mínimo 40% de Merlot, mais cortes de no máximo 40% de Cabernet Sauvignon, 30% de Cabernet Franc, 15% de Tannat/Egiodola/Alicante Bouschet)
Origem da uva: 100% da área delimitada
Sistema de produção: latada aberta ou espaldeira
Produtividade máxima e qualidade da uva
Vinhos elaborados, envelhecidos e engarrafados exclusivamente na área delimitada
Chaptalização (adição de açúcar): máxima de 2º GL (tintos)
Espumante fino no método tradicional: mínimo de 9 meses em contato com leveduras
Moscatel espumante: <= 80 g/l de açúcar resudual
Aprovação dos vinhos em análise, às cegas, por comissão de degustação
Sistema de controle (Conselho Regulador)
Normas de rotulagem

IP FARROUPILHA



Por fim, em 2015, a Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin) conquistou sua IP, com áreas nas localidades de Farroupilha, Caxias do Sul, Pinto Bandeira e Bento Gonçalves, somando uma extensão de 379 km².

Algumas características:

Tipos de vinhos: Vinho Moscatel Espumante, Vinho Fino Branco Moscatel, Vinho Frisante Moscatel, Vinho Licoroso Moscatel, Mistela Simples Moscatel e Brandy de Vinho Moscatel)
Variedades autorizadas: Moscato Branco (tradicional), Moscato Bianco, Malvasia de Cândia (aromática), Moscato Giallo, Moscatel de Alexandria, Malvasia Bianca, Moscato Rosado e Moscato de Hamburgo.
Origem da uva: 100% da área delimitada, sendo 85% da ADPM (128,62 km2)
Sistema de produção: latada aberta, Y ou espaldeira
Produtividade máxima: 25 t/ha (MoscatoBranco) 20 t/ha (demais variedades)
Vinhos elaborados, envelhecidos e engarrafados na área delimitada (exceção Moscatel espumante e Frisante moscatel –para tomada de espuma e engarrafamento na Serra Gaúcha)
Aprovação dos vinhos em análise, às cegas, por comissão de degustação
Sistema de controle (Conselho Regulador)
Normas de rotulagem

SANTA CATARINA:

IP VALES DA UVA GOETHE

Em 2013, a Associação dos Produtores da Uva e do Vinho Goethe (Proghoete) conseguiu o registro da IP Vales da Uva Goethe. Desenvolvida nos EUA, essa variedade é um híbrido de uvas européias (87% de Moscato de Hamburgo, Moscato de Alexandria e Schiava Grossa) e americanas (13%), que se adaptou bem à região. A IP tem 458,9 km², espalhada entre os municípios de Urussanga, Pedras Grandes, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Treze de Maio, Orleans, Nova Veneza e Içara.

Algumas características:

Tipos de vinhos de mesa: Branco Seco ou Suave, Vinho Leve Seco ou Suave, Espumante Brut ou Demi Sec e Vinho Licoroso
Variedade: exclusivamente Goethe
Origem da uva: 100% da área delimitada
Sistema de produção: latada e outros
Produtividade máxima/ha: 20 t
Vinhos elaborados, envelhecidos e engarrafados na área delimitada
Aprovação dos vinhos em análise, às cegas, por comissão de degustação
Sistema de controle
Normas de rotulagem

PRÓXIMAS INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS

Outras regiões brasileiras estão se estruturando para ter as suas Indicações Geográficas registradas. A boa notícia é que uma delas está fora do tradicional eixo da produção de vinhos no Brasil. É o Vale do São Francisco, entre os Estados de Pernambuco e Bahia, em pleno semi-árido brasileiro. Outra Indicação de Procedência em estruturação está numa região de altitudes elevadas, em Santa Catarina, e mais uma no Rio Grande do Sul, na região da Campanha Gaúcha, extremo sul do país. Nos próximos anos também deve sair mais uma DO, só essa será que específica para espumantes, na região de Pinto Bandeira.

Confira os nomes das futuras IG's e os seus respectivos gestores:

VALE DO SÃO FRANCISCO (IP) 
Instituto do Vinho do Vale do São Francisco (Vinhovasf)
Estados: Pernambuco e Bahia

SERRA CATARINENSE (IP)
Vinho de Altitude Produtores & Associados
Estado: Santa Catarina

CAMPANHA GAÚCHA (IP)
Vinhos da Campanha
Estado: Rio Grande do Sul

ALTOS DE PINTO BANDEIRA (DO)
Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho)
Estado: Rio Grande do Sul


Nesse processo, várias instituições estão envolvidas, com destaque para o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), que criou um comitê especial para dar suporte às questões relacionadas às Indicações Geográficas, Embrapa (Uva e Vinho | Clima Temperado | Semiárido), Ministério da Agricultura, INPI, Sebrae, Universidade de Caxias do Sul, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Epagri.

A tendência é de outras regiões seguirem o exemplo das Indicações já regulamentadas e partirem para formalizar as suas. Potencial não falta, já que o mapa vitivinícola vem se desenhando de forma intensa e cheia de surpresas, com novas produções surgindo a cada dia, como é o caso de Estados como Paraná, São Paulo e Minas Gerais, entre outros.

É só uma questão de tempo e de bastante trabalho!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

2017: uma safra mais que promissora no Brasil

Texto: Fabiana Gonçalves
Fotos: Tatiana Cavagnolli

O ano de 2016 não foi tão feliz para a vitivinicultura brasileira. Condições climáticas nada favoráveis no Rio Grande do Sul, principal região produtora do país, como geadas e excesso de chuvas, ocasionaram uma quebra na safra, reduzindo significativamente a produção. Porém, depois da tempestade, a bonança literalmente chegou em 2017.  Quase 300 milhões de litros de vinhos e derivados foram produzidos, com uma qualidade que já dá para ser sentida na taça.


E é justamente sobre as características dos vinhos de 2017 que este texto trata. A convite do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e da Associação Brasileira de Enologia (ABE), estive semana passada na Serra Gaúcha conferindo in loco as novidades que ainda estão nos tanques e barricas, assim como outras recém-engarrafadas. Um verdadeiro passeio pelos mais diferentes terroirs do Rio Grande do Sul, estado de onde sai em torno de 90% da produção nacional de vinhos.


Dentre um tour por vinícolas e encontros com produtores, pude provar algumas boas amostras deste ano, de vinícolas como Casa Venturini, Adega Chesini, Adega Tonini, Cave Boscato, Fabian e Luiz Argenta.

Mas a certeza total de que muita coisa boa vem por aí ficou em um momento especial da viagem: a 25ª Avaliação Nacional de Vinhos, evento que ocorreu no último sábado (23), do qual tive a honra de fazer parte da mesa dos comentaristas responsáveis por descrever os 16 vinhos mais bem avaliados desta safra (fotos abaixo).



Um resumo do que provamos neste painel:

As Bases para Espumantes (vinhos que estão em processo de transformação para virarem espumantes) estão com excelente acidez e mostram boa tipicidade das variedades com os quais foram produzidos. As amostras vencedoras nesta categoria foram:

Vinho Base Espumante (Chardonnay/Riesling Itálico) - Chandon do Brasil
Vinho Base Espumante  (Chardonnay) - Casa Valduga
Vinho Base Espumante  (Chardonnay) - Domno do Brasil

Na categoria dos brancos finos secos não aromáticos (na qual eu descrevi a amostra do Riesling Itálico), os vinhos pareceram elegantes, também com acidez presente e compatíveis com a proposta de estilo e das uvas com que foram feitos. Os ganhadores foram:

Riesling Itálico - Cooperativa Vinícola Aurora
Chardonnay - Almadén
Chardonnay - Cave de Pedra

Já entre os brancos finos secos aromáticos está um dos vinhos que mais gostei no painel: o Sauvignon Blanc da estreante Fazenda Santa Rita. Os vencedores foram:

Sauvignon Blanc - Fazenda Santa Rita
Moscato Giallo - Cooperativa Vinícola São João 

Na categoria Tinto Fino Seco Jovem, apenas uma amostra, mas muitíssimo bem representada, com um Cabernet Franc muito agradável e bem feito da Salton:

Cabernet Franc - Salton

Por fim, os Tintos Finos Secos, feitos com uvas já de tradição na região. Apenas um Malbec, saiu do script, mostrando que o Brasil também tem cacife para fazer vinhos com a uva emblemática da Argentina. Nesse painel, o vinho que mais me chamou atenção foi o Tannat, elaborado pela Don Guerino, embora todos os outros estivessem em um nível linear de qualidade. Confira os escolhidos:


Petit Syrah - Luiz Argenta
Merlot - Casa Perini
Merlot - Miolo
Cabernet Franc - Giacomin
Malbec - Almaúnica
Cabernet Sauvignon - Guatambu Estância do Vinho
Tannat - Don Guerino

Diante do que pude provar nos quatro dias de viagem, fortaleci algumas convicções e fiquei extremamente satisfeita em ver que além de melhorar seus vinhos e espumantes, os produtores estão envolvidos na criação de um conceito de qualidade, baseado no que cada região pode oferecer de melhor. Mas isso é assunto para o próximo texto. Aguardem!

terça-feira, 4 de julho de 2017

Aurora Varietal Pinot Noir 2016 (#CBE)

O tema de julho da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) foi proposto pelos confrades Maykel e Anna, do blog Vinho por 2. Eles sugeriram para o grupo que comentássemos sobre vinhos bacanas que encontramos nas gôndolas dos supermercados, podendo ser de qualquer tipo e faixa de preço.

Para mim, a sugestão deles foi bem divertida de cumprir, pois adoro vasculhar as prateleiras em busca de um "best buy". E falando em boa compra, a minha escolha se enquadra exatamente nessa categoria! Confira:


Origem: Serra Gaúcha, Brasil
Cor: Rubi brilhante e pouco profundo
Olfato: Fresco e agradável, com notas de morango, cereja e canela.
Paladar: Leve, bem equilibrado e de boa persistência. O sabor ressalta as características frutadas.
Outras considerações: Elaborado com uvas Pinot Noir pela Vinícola Aurora, é um vinho simples porém bem feito. Uma boa pedida para o dia a dia, acompanhando refeições mais leves.

Faixa de preço: R$ 30 (Carrefour)
Classificação: Boa Compra

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Salton Intenso Merlot Tannat 2014 (#CBE)

Novembro chegou trazendo novidades. Agora, tenho a nobre tarefa de coordenar os trabalhos da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE), missão que me foi passada pelo amigo e confrade Gil Mesquita, do blog Vinho Para Todos. Como tudo foi para mim meio que uma surpresa, achei por bem eu mesma indicar o tema de novembro, para que a partir dos próximos meses possamos seguir normalmente o nosso rodízio, com cada confrade sugerindo um tema por mês.

E a minha pedida foi bem singela, mas ao mesmo tempo desafiadora. Encontrar um vinho legal de até R$ 40 nas promoções da vida e compartilhar aqui com a gente.

Segue o vinho que escolhi:


Já havia provado a safra de 2011 desse vinho e tinha adorado. Voltei a prová-lo numa oportunidade mais que especial: para indicar o tema da CBE! Quando o avistei na prateleira do supermercado com a plaquinha de preço estampando R$ 25,90, meus olhos brilharam (o seu preço normal é por volta de R$ 40).  Peguei as três garrafas que restavam e trouxe pra casa.  

Confira os detalhes:

Tipo: Tinto.
Produtor: Salton
Origem: Serra Gaúcha (Merlot) e Campanha Gaúcha (Tannat), Brasil.
Características: As uvas das variedades Merlot e Tannat foram vinificadas em separado. Após o blend, o vinho estagiou seis meses em barricas de carvalho francês e americano. Sua coloração mostra-se rubi de intensidade média a profunda. O nariz exala notas de alcaçuz, especiarias e ameixa madura. Paladar de médio a encorpado, frutado presente, bom equilíbrio entre taninos e acidez, além da presença de madeira de forma bem integrada ao conjunto.

Classificação: Boa compra.
Média de preço: R$ 40 (comprado por R$ 25,90 no Walmart)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Vinícolas brasileiras poderão ser incluídas no Simples Nacional

Com informações do Ibravin


O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, no início da noite de ontem (04), por unanimidade, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 25/07 que inclui as vinícolas no Simples Nacional. O parecer do relator, deputado federal Carlos Melles (DEM/MG), também abrange as microcervejarias e as empresas que elaboram cachaças artesanais.  O texto seguirá para sanção do presidente Michel Temer.

Com as mudanças, o novo Supersimples amplia o limite de faturamento de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões e cria as Empresas Simples de Crédito para facilitar o acesso ao crédito para as micro e pequenas empresas (MPEs). O limite de faturamento para os microempreendedores individuais (MEIs) passa de R$ 60 mil para R$ 81 mil. O texto também amplia o prazo de parcelamento de 60 para 120 meses, com redução de multas e juros.

O diretor de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani, está confiante na sanção da Presidência da República. Para ele, o apoio dos deputados e senadores de diversos partidos convergiu para o resultado obtido no Plenário. "Foi um trabalho importante no sentido de mostrarmos as particularidades de um setor em que cerca de 90% das empresas são de pequeno e médio porte, além de darmos um passo significativo para a desburocratização da atividade vitivinícola. Podemos ter centenas de novas empresas, produtores de vinho colonial, formalizados", antecipa.

A emenda para a inclusão dos vinhos no Simples é de autoria do deputado Afonso Hamm, vice-presidente da Frente Parlamentar de Defesa e Valorização da Produção Nacional de Uvas, Vinhos e Espumantes e vice-presidente da Comissão Especial que analisou o projeto. “A inclusão ajudará na manutenção da atividade vitivinícola, na melhoria da renda dos produtores e na empregabilidade de centenas de famílias”, afirma ele.

A aprovação na Câmara também contou com a articulação dos deputados gaúchos Mauro Pereira (PMDB/RS) - presidente da Frente Parlamentar de apoio ao setor no Congresso -, Jerônimo Goergen (PP/RS) e Pepe Vargas (PT/RS).

NOTA DO BLOG - Espera-se que essa possível inclusão possibilite o desenvolvimento da produção, refletindo também no preço dos produtos, tornando-os mais competitivos.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Confira alguns vinhos brasileiros da safra 2016 que prometem ser destaque


No último final de semana, foi divulgada a lista das 16 amostras de vinhos brasileiros mais representativos da safra deste ano. O anúncio ocorreu durante a 24ª Avaliação Nacional de Vinhos, realizada no sábado (24), no Parque de Eventos de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE) desde 1993, mostrou que as vinícolas brasileiras vêm alcançando bons resultados não apenas com castas tradicionais como as tintas Cabernet Sauvignon e Merlot e a branca Chardonnay.

Este ano, o evento elegeu 16 amostras entre 75 (30%) mais representativos da Safra 2016. Ao total foram 241 amostras de 46 vinícolas de mais de 10 microrregiões produtoras. Esta avaliação técnica foi feita por 90 enólogos no Laboratório de Análise Sensorial da Embrapa Uva e Vinho, parceira técnica da Avaliação.

HEGEMONIA - A maior parte dos 75 vinhos pré-escolhidos foi produzida no Rio Grande do Sul. Apenas duas amostras são de outros Estados: um Syrah elaborado pela vinícola Miolo no Vale do São Francisco, Bahia, e um Sauvignon Blanc feito pela Agropecuária Porto, no Sul de Minas Gerais.


Veja os resultados:

VINHO BASE PARA ESPUMANTE:
Chardonnay – Casa Venturini Vinhos e Espumantes (Flores da Cunha – RS)
Chardonnay – Domno do Brasil (Garibaldi – RS)
Chardonnay/Pinot Noir – Vinícola Geisse Ltda. (Pinto Bandeira – RS)

BRANCO FINO SECO NÃO AROMÁTICO:
Riesling Itálico – Vinícola Salton (Bento Gonçalves – RS)
Chardonnay – Cooperativa Agroindustrial Nova Aliança (Santana do Livramento – RS)
Chardonnay – Basso Vinhos e Espumantes (Farroupilha – RS)

BRANCO FINO SECO AROMÁTICO:
Sauvignon Blanc – Rasip Agropastoril (Vacaria – RS)
Moscato Giallo – Vinícola Don Guerino (Alto Feliz – RS)

TINTO FINO SECO JOVEM:
Merlot – Vinícola Casa Motter (Caxias do Sul – RS)

TINTO FINO SECO:
Tempranillo – Miolo Wine Group Vitivinicultura (Bento Gonçalves – RS)
Marselan – Casa Valduga Vinhos Finos (Bento Gonçalves – RS)
Cabernet Franc – Casa Perini (Farroupilha – RS)
Cabernet Sauvignon – Guatambu Estância do Vinho (Dom Pedrito – RS)
Cabernet Sauvignon – Vinícola Almaúnica (Bento Gonçalves – RS)
Tannat – Dunamis Vinhos e Vinhedos (Dom Pedrito – RS)
Alicante Bouschet – Dal Pizzol Vinhos Finos (Bento Gonçalves – RS)

Confira a lista dos 75 selecionados e mais detalhes sobre as 16 amostras escolhidas: goo.gl/JsRw1T 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Guatambu Brut Rosé (#CBE)

Agosto chegou e com ele mais um comentário para a Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE). Este mês, a sugestão veio do confrade carioca Marcello Galvão, do blog Agenda de Vinhos. A sua pedida foi a seguinte: "Espumante Brut Rosé do novo mundo elaborado pelo método tradicional. Sem faixa de preço".

Excelente pedida e uma boa oportunidade para comentar sobre um espumante que eu já tinha provado há algum tempo, mas ainda não havia comentado sobre ele por aqui. Então a hora é essa!


Tipo: Espumante.
Produtor: Guatambu.
Origem: Dom Pedrito (Campanha Gaúcha), Brasil.
Características: Este é o primeiro espumante brasileiro produzido com o corte das uvas Gewürztraminer e Pinot Noir. É elaborado pelo método tradicional, com segunda fermentação em garrafa, onde ficou 12 meses em contato com suas leveduras. Tem uma coloração clara, tipo casca de cebola, e uma boa concentração de gás carbônico, exibindo borbulhas finas e duradouras, além de uma bonita coroa de espuma. No olfato traz agradáveis aromas florais, de frutas vermelhas silvestres e um leve toque mineral. Na boca mostra-se leve, delicado, com boa cremosidade e frescor. O sabor confirma as impressões do nariz. Tem 12,5% de álcool.

Classificação: Muito Bom/Excelente.

Média de preço: R$ 60 [vinhosevinhos.com]

terça-feira, 19 de julho de 2016

Salton lança excelentes novidades

Participei ontem (18) à noite de mais uma edição do Winebar ao Vivo, iniciativa dos colegas Daniel Perches e Alexandre Frias, na qual um grupo de blogueiros de vinhos se reúne para degustar e comentar os mesmos rótulos, através de uma transmissão ao vivo, via Youtube. A ação de ontem foi com os novos vinhos da vinícola brasileira Salton. A transmissão aconteceu direto da Serra Gaúcha, onde o enólogo Gregório Bircke Salton mostrou boas novidades do portfólio da empresa.


Confira as minhas impressões sobre os vinhos provados:

Salton Classic Malbec 2015



A primeira novidade vem da Argentina. Isso mesmo, Argentina! Trata-se de uma colaboração entre enólogos brasileiros e argentinos do grupo Peñaflor, da qual faz parte a vinícola Trapiche. A produção do vinho é toda feita em Mendoza, onde ocorre, inclusive, o engarrafamento.

Na taça, o vinho mostrou cor violeta de média profundidade. O aroma traz notas de cereja, framboesa, flores secas e especiarias doces, como canela. Paladar de médio corpo, com bom equilíbrio entre taninos e acidez. Seus taninos são macios e o final é frutado, de boa persistência.

Trata-se de um vinho jovem, leve, bem feito e agradável, mais delicado do que normalmente são os Mabec argentinos. Elaborado exclusivamente com uvas Malbec da sub-região de Maipu, o vinho não estagiou em madeira. Tem 13% de álcool.

Classificação: Muito Bom (Bom Compra).
Média de preço: R$ 20 (Loja Virtual da Salton)


Salton Paradoxo Paradoxo Cabernet Sauvignon 2012



Este 100% Cabernet Sauvignon faz parte da linha Paradoxo, concebida para ser comercializada em restaurantes. Porém, os vinhos também podem ser adquiridos no site da vinícola.

É elaborado no privilegiado terroir da Campanha Gaúcha e maturou durante seis meses em carvalho norte-americano. É um vinho de coloração rubi brilhante e pouco profundo, com aromas que trazem uma “pegada” da região onde nasceu. Exibe aromas de jambo maduro, ameixa, canela, café e um leve toque animal, expressado pelo cheiro de couro. Na boca exibe taninos doces e sedosos e um final prolongado. De médio a encorpado, o sabor confirma as impressões do nariz. Sua graduação alcoólica é de 13,5%.

Classificação: Excelente (Boa Compra)
Média de preço: R$ 30 (Loja Virtual da Salton)

Salton Intenso Licoroso Chardonnay


Vinho de sobremesa que segue o mesmo método de amadurecimento utilizado para a elaboração do Jerez, na Espanha, chamado de soleira. Após estagiar um ano em barris de carvalho, metade do volume é retirado das barricas e elas são completadas com o mosto do vinho mais novo. No caso do Intenso, cerca de sete a oito safras estão presentes na soleira.

Elaborado com uvas Chardonnay, tem uma bela coloração amarelo dourado. O aroma é marcado por deliciosas notas de amêndoas, avelãs, nozes e mel. Paladar untuoso, com acidez presente e boa doçura. Longa persistência.  O sabor traz de volta as características do olfato. Tem 15,% de álcool. Vai bem tanto acompanhando queijos azuis, como gorgonzola e roquefort, além de sobremesas não muito doces, de preferência que levem frutas secas. Também é um ótimo aperitivo.

Classificação: Excelente
Média de preço: R$ 65 (Loja Virtual da Salton)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ranking dos melhores Malbecs do último ano | #malbecworldday

No calendário do vinho, 17 de abril é sinônimo de Malbec. Nesta data, é comemorado o Malbec World Day. Já expliquei aqui no blog (relembre) o motivo da homenagem a essa uva francesa que hoje é símbolo dos vinhos argentinos.

Para celebrar a data, mais uma vez resolvi fazer uma pesquisa dos melhores Malbecs que provei desde o último Malbec World Day e disponibilizar aqui para vocês. Os vinhos da relação têm pelo menos 80% da variedade Malbec em sua composição.

Lembrando que os vinhos feitos com a uva Malbec normalmente são potentes e combinam bem com carnes vermelhas.

Confira o ranking:

EXCELENTE | EXCEPCIONAL



Domínio del Plata Nosotros Malbec 2009 (Argentina)
Kaiken Ultra Malbec 2012 (Argentina)


EXCELENTE



Terrazas de los Andes Single Vineyard Las Compuertas Malbec 2010 (Argentina)
Montes Alpha Malbec 2011 (Chile)

MUITO BOM | EXCELENTE



Baptême Malbec 2010 (Argentina)
Salentein Reserve Malbec 2013 (Argentina)
Terrazas de los Andes Reserva Malbec 2012 (Argentina)


MUITO BOM 

Alta Vista Premium Malbec 2013 (Argentina)
Goulart W Malbec DOC 2013 (Argentina)
Crios Rosé Malbec 2013 (Argentina)
Nieto Senetiner Malbec DOC 2012 (Argentina)


BOM | MUITO BOM

Jerarquia Reserva Malbec 2011 (Argentina)
Alta Vista Rosé Malbec 2014 (Argentina)


BOA COMPRA



Latitud 33 Malbec 2014 (Argentina)
Sinais Malbec Rosé 2014 (Brasil)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Casa Perini Tannat 2002 (#CBE)

Basta o mês começar para ter post da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) aqui no blog. Neste mês de abril, o tema da nossa degustação foi sugerido pelo confrade Gustavo Kauffman, do blog Enoleigos. Sua pedida foi a seguinte: "Vinho Sul-Americano com 10 anos de vida ou mais. Vamos ver como nossos vinhos, e de nossos hermanos, tem amadurecido!".

Adorei a ideia! Mas como não tinha nenhum vinho sul-americano com essa idade na adega, resolvi resgatar as anotações sobre um que tomei há um tempo e ainda não havia comentado por aqui.

Segue a minha escolha:


Tipo: Tinto.
Produtor: Casa Perini.
Origem: Vale Trentino, Serra Gaúcha, Brasil
Visual: Cor granada profunda.
Olfato: Frutas em compota, mentol, couro e tabaco.
Paladar: Encorpado e seco, com taninos presentes. O sabor segue a mesma linha do olfato. Final prolongado e madeira integrada.
Outras considerações: Elaborado 100% com uvas Tannat, este vinho evoluiu muito bem na garrafa. Quem ainda tiver dele, já está no tempo de tomar. Forma um par perfeito com carnes vermelhas. Para quem gosta do estilo, é uma boa pedida!

Classificação: Bom.
Média de preço: A safra 2002 não está mais no mercado. As garrafas de safras mais recentes custam por volta de R$ 35. Vale a pena comprar e guardar para sentir a sua evolução.

terça-feira, 22 de março de 2016

Os vinhos do ‘Velho Chico’



A estreia da novela Velho Chico, na Rede Globo, pôs novamente o Rio São Francisco na mídia. A exibição diária de imagens da região, assim como foi com a minissérie Amores Roubados, acende a imaginação do público, que acaba ficando interessado em saber mais sobre as coisas locais. O engraçado é quando se descobre que aquela região, seca e castigada, é capaz de produzir vinhos.

Esse ‘milagre’ é possível através da irrigação dos vinhedos com as águas do Velho Chico (forma como o Rio São Francisco é popularmente chamado). Atualmente, é possível encontrar produção de tintos, brancos e espumantes nos estados de Pernambuco e na Bahia. A região do Vale do São Francisco também é rica na cultura de outras frutas, principalmente de manga e de uvas de mesa.


Esse oásis, iluminado pelo sol durante quase todo o ano, fica entre os paralelos 8° e 9° Sul, numa localização que, à primeira vista, parece impossível para o cultivo de uvas viníferas. É mesmo uma região exótica, pois é a única no mundo (até onde se sabe) que produz duas safras ao ano.

Os espumantes são as grandes estrelas do Vale do Velho Chico, tanto os do tipo Brut, como os Demi-sec e os Moscatéis. São frescos, frutados e saborosos, feitos para serem apreciados bem gelados. Esses já conseguiram mostrar um bom equilíbrio entre açúcar e acidez. 


Já os tintos, há pouco tempo ainda eram vistos como vinhos rústicos e “duros”, com taninos em excesso. Hoje, com o estudo e os investimentos em tecnologia, essas características já estão ficando para trás. Percebe-se logo que são vinhos de caráter tropical, com muita fruta em compota e bastante concentração. Vários, porém, já bem equilibrados e outros até elegantes, como é o caso do Testardi Syrah (Miolo) e Paralelo 8 (ViniBrasil).


As principais castas tintas da região são Shiraz (Syrah), Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Barbera e Petit Syrah. Entre as brancas podemos encontrar Moscatel, Chardonnay, Chenin Blanc, Sauvignon Blan, Silvaner, Moscato Canelli, Verdejo e Viognier.


São quatro as principais empresas instaladas no Vale: em Pernambuco, a pioneira Botticelli; a Bianchetti (primeira a produzir vinhos orgânicos na região); e a ViniBrasil, que faz parte do grupo português Global Wines/Dão Sul e produz os vinhos Rio Sol e Paralelo 8, entre outros. No lado da Bahia está a Ouro Verde, pertencente ao grupo Miolo, que elabora o Testardi Syrah e os espumantes Terranova.


Com base no que pude provar ao longo dos anos, reuni aqui uma lista de alguns vinhos interessantes da região. Uma espécie de guia para quem quer se aventurar nos sabores do Velho Chico. Confira:

ESPUMANTES:

- Rio Sol Brut (ViniBrasil)
- Rio Sol Brut Rosé (ViniBrasil)
- Terranova Brut (Miolo)
- Terranova Brut Rosé (Miolo)
- Terranova Moscatel (Miolo)

BRANCOS

- Rio Sol Chenin Blanc Viognier (ViniBrasil)
- Botticelli Chenin Blanc (Botticelli)

TINTOS:

- Paralelo 8 (ViniBrasil)
- Rio Sol Vinha Maria Reserva (ViniBrasil)
- Rio Sol Winemaker’s Selection Touriga Nacional (ViniBrasil)
- Rio Sol Reserva (ViniBrasil)
- Rio Sol Tempranillo (ViniBrasil)
- Testardi Syrah (Miolo)
- 1501 (Botticelli)
- Bianchetti Orgânico Tempranillo (Bianchetti)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Bom, bonito e barato: Salton Paradoxo Chardonnay 2013 (#CBE)


Começo de mês, como de costume, tem vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE). O tema de fevereiro ficou por conta do confrade Tiago Bulla (Blog Universo dos Vinhos), que sugeriu o seguinte: “um belo Chardonnay, sem passagem por madeira, de qualquer país e preço". Eu terminei não reparando bem e escolhi um vinho com passagem por madeira. Mesmo assim, acho que valeu a intenção! Segue a minha avaliação:

Tipo: Branco.
Produtor: Salton.
Origem: Campanha Gaúcha, Brasil.
Visual: Cor amarelo palha com tons dourados.
Olfato: Boa intensidade aromática. Mostra notas de abacaxi em compota, frutas brancas, leve tostado e um toque de chocolate branco.
Paladar: Fresco e de boa acidez, com uma discreta untuosidade. Madeira em equilíbrio com o frutado.
Outras considerações: Elaborado 100% com uvas Chardonnay, o vinho fermentou parcialmente em barricas de carvalho, onde permanece em contato por seis meses com as leveduras. Tem 13,5% de álcool.

Classificação: Boa compra.
Média de preço: R$ 30 (No Recife, na DLP Distribuidora)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Miolo Cuvée Tradition Brut 2013 (#CBE)


Aqui estamos com uma sugestão do colega Gil Mesquita (Blog Vinho para Todos), que agora está à frente da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE). Este mês, ele nos trouxe um tema extra, onde propõe que os participantes comentem sobre um "espumante de boa relação qualidade x preço, para brindar a chegada de 2016 com muitas garrafas". Para atender esse segundo requisito (muitas garrafas), eu proporia o espumante Rio Sol ou ainda o Terranova, ambos feitos no Vale do São Francisco, que custam na faixa de R$ 25 a 30. Porém, quem quiser (e puder) investir um pouco mais, uma boa pedida é o exemplar a seguir, que vale o quanto custa:  


Tipo: Espumante.
Produtor: Miolo.
Origem: Vale dos Vinhedos (RS), Brasil.
Visual: Cor amarelo palha com traços esverdeados, apresenta coroa de espuma duradoura, bolhas finas e persistentes.
Olfato: Frutado, com notas de melão, lichia, abacaxi, além de toques provenientes da fermentação, como fermento e pão tostado.
Paladar: Cremoso, de boa acidez e final prolongado. O sabor repete as sensações do nariz.
Outras considerações: Elaborado com uvas Chardonnay e Pinot Noir, este espumante brasileiro safrado permaneceu em contato com as leveduras durante 12 meses. É elaborado através do método tradicional, com segunda fermentação na garrafa. 

Classificação: Muito Bom/Excelente 
Média de preço: R$ 40 a 50 (comprei no Recife, na promoção, por R$ 34,90 no RM Express)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Séries by Salton Brut

Este espumante foi provado durante o último Winebar, num especial com espumantes da Salton. É um lançamento da vinícola que achei bem interessante e será vendido apenas em supermercados e lojas, como explicou o enólogo Gregório Bircke Salton. Confira as minhas impressões:


Tipo: Espumante.
Produtor: Salton.
Origem: Bento Gonçalves (RS), Brasil.
Visual: Cor amarelo palha. Borbulhas finas e intensas.
Olfato: Exótico, traz aromas de folha de limoeiro e leve floral.
Paladar:  Seco, leve e de boa acidez, envolve notas cítricas, de guaraná e lichia.  
Outras considerações: Elaborado com as variedades Ugni Blanc e Prosecco (Glera) através do método Charmat, com segunda fermentação em tanques de inox. Tem 11,5% de álcool. Harmonizou bem com um prato simples como o próprio espumante: tapioca recheada de queijo com um toque de azeite e pimenta do reino.

Classificação: Boa Compra.
Média de preço: Está classificado na linha Fresh da Salton, que tem rótulos por volta dos R$ 20. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Guatambu Épico


Tipo: Tinto.
Produtor: Guatambu Estância do Vinho.
Origem: Campanha (RS), Brasil.
Visual: Rubi profundo.
Olfato: Elegante, envolve notas florais, de frutas do bosque maduras, chocolate, coco e especiarias.
Paladar:  Corpo médio, taninos finos e final prolongado. Tem boa complexidade de sabores, repetindo as características do nariz e trazendo ainda toques de frutas secas.
Outras considerações: Um vinho diferenciado, que envolve as uvas Tannat, Cabernet Sauvignon, Merlot eTempranillo das safras de 2011, 2012, 2013 e 2014. Cada lote estagiou em barril de carvalho francês (80%) e americano (20%) desde a fermentação malolática até o corte final, feito em novembro de 2014. O tempo de envelhecimento total em barril de carvalho foi de 2 anos. Foram elaboradas apenas 4 mil garrafas.

Classificação: Excelente/Excepcional.
Média de preço: R$ 160 (www.vinhosevinhos.com)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Ponto Nero Rosé de Noir Conceptual Edition


Tipo: Espumante
Produtor: Domno Brasil.
Origem: Vale dos Vinhedos (RS), Brasil.
Visual: Coloração casca de cebola. Perlage intenso, com bolhas finas e persistentes.
Olfato: Frutas silvestres, como morango e framboesa, além de toques de panificação, lembrando brioche.
Paladar: Delicado, seco, com ótima sensação de agulha. Seu sabor, refrescante e elegante, repete as sensações sentidas no nariz.
Outras considerações: Elaborado exclusivamente com uvas Pinot Noir, é o espumante feito pelo método Charmat (segunda fermentação em tanques de inox) com maior tempo de contato com as leveduras do Brasil: 18 meses. Tem 12% de álcool. Além do seu bonito rótulo metálico, a garrafa vem em uma elegante embalagem.

Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 200 (No Recife, na distribuidora DLP)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Destaques do Circuito Brasileiro de Degustação 2015


Estive ontem (06) na Etapa Recife da 4ª edição do Circuito Brasileiro de Degustação, promovido pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) em parceria com Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), no Arcádia Paço Alfândega. O evento reuniu profissionais do vinho e da gastronomia, imprensa e público ligado à bebida. Os participantes puderam conferir as novidades dos produtores Casa Valduga, Cooperativa Vinícola Garibaldi, Domno, Guatambu Estância do Vinho, Lidio Carraro Vinícola Boutique, Luiz Argenta Vinhos Finos, Miolo Wine Group, Rio Sol, Vinícola Perini e Vinícola Salton.

Cerca de 550 pessoas se inscreveram para participar do evento, que passou por Belo Horizonte e acontecerá, amanhã, na cidade de Fortaleza (08/10). Em março de 2016, será a vez de Curitiba e Florianópolis receberem o Circuito.


Durante o evento, o gerente de Promoção do Ibravin, Diego Bertolini, informou alguns números "saídos do forno", em relação ao momento atual do vinho brasileiro. Segundo ele, as vendas de espumantes cresceram 22% em relação ao mesmo período do ano passado e as de vinhos finos 14%. Para Diego, está havendo uma maior procura dos supermercados e lojas para aumentar a comercialização dos vinhos nacionais. “Este é o momento de ampliar as vendas e consolidar os nossos vinhos com o trade”, aposta.

Entre os expositores, pude provar novamente alguns rótulos e conhecer algumas novidades. Para resumir a experiência, listarei os produtos mais interessantes provados. Ressaltando que só citarei os produtos degustados durante a feira. Confira:

ESPUMANTES

- Guatambu Nature – Excelente/Excepcional
- Casa Valduga Gran Extra Brut 2009 – Excelente
- Casa Valduga 130 – Excelente
- Ponto Nero Blanc de Blancs – Excelente
- Ponto Nero Blanc de Noirs Pinot Noir – Excelente
- Guatambu Angus Extra Brut – Excelente
- Garibaldi Giuseppe Garibaldi Extra Brut - Excelente
- Guatambu Espumante Rosé – Muito Bom/Excelente

- Luiz Argenta Brut – Muito Bom/Excelente

- Perini Prosecco – Muito Bom
-  Lidio Carraro Dadivas Brut – Muito Bom

- Garibaldi Prosecco – Boa Compra 

VINHOS BRANCOS

- Garibaldi Acordes Chardonnay 2013 – Excelente

 - Luiz Argenta LA Jovem Viognier 2015 – Muito Bom

VINHOS ROSÉS

- Luiz Argenta LA Jovem Rosé 2015 – Muito Bom/Excelente

VINHOS TINTOS


- Guatambu Épico – Excelente/Excepcional

- Casa Valduga Raízes 2010 – Excelente
- Salton Talento 2011 – Excelente
- Guatambu Rastros do Pampa Cabernet Sauvignon 2013 – Excelente
- Lidio Carraro Merlot 2006 – Excelente
- Lidio Carraro Quorum 2008 – Excelente
- Luiz Argenta Cuvèe 2009 – Excelente
- Miolo Cuvèe Giuseppe 2013 – Excelente
- Pernini Quatro 2009 – Excelente
- Rio Sol Paralelo 8 2012 – Excelente
- Rio Sol Vinha Maria Reserva 2011 - Excelente

- Casa Valduga Leopoldina Merlot 2011 – Muito Bom/Excelente
- Luiz Argenta Merlot 2009 – Muito Bom/Excelente
- Perini Barbera 2013 - Muito Bom/Excelente
- Perini Fração Única Merlot 2012 – Muito Bom/Excelente

- Guatambu Rastros do Pampa Tannat 2014 – Muito Bom
- Lidio Carraro Singular Teroldego 2010 - Muito Bom
- Luiz Argenta LA Jovem Shiraz 2015 – Muito Bom
- Perini Marselan 2012 – Muito Bom
- Rio Sol Winemaker’s Selection Touriga Nacional 2013 – Muito Bom

- Salton Paradoxo Pinot Noir 2014 – Boa Compra
- Miolo Reserva Tempranillo – Boa Compra
- Guatambu Estância Tannat 2014 – Boa Compra
- Casa Valduga Origem Cabernet Sauvignon 2014 – Boa Compra

domingo, 4 de outubro de 2015

Salton Gerações Antonio "Nini" Salton 2011


Tipo: Tinto.
Produtor: Salton.
Origem: Serra Gaúcha (RS), Brasil.
Visual: Cor rubi de média profundidade.
Olfato: Alcaçuz, ameixa, especiarias, chocolate e um leve toque de café.
Paladar: Médio corpo, com boa acidez, taninos macios e final longo. O sabor envolve notas de noz moscada, frutas maduras e baunilha. Um vinho elegante, pronto para ser apreciado.
Outras considerações: Edição limitada em homenagem ao antepassado da família, Antonio "Nini" Salton, nascido em 1901. Elaborada com uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec, a bebida amadureceu 12 meses em barricas francesas novas e mais 12 meses nas caves da Salton antes de ser lançado no mercado. Tem 13%. Além de ser um excelente vinho, a sua bonita garrafa também é um destaque.

Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 103 (www.salton.com.br/loja)