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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pisano mantém viva a tradição da uva Tannat no Uruguai

Uma das últimas degustações de 2016 que participei foi promovida pela Mistral, no restaurante Coco Bambu, no Recife, com os vinhos da Pisano, uma das bodegas de maior destaque do Uruguai. A apresentação ficou a cargo do gerente de exportação da marca, o jovem e descolado Nikolás Kozic (foto), ou simplesmente Niko, que na ocasião conduziu uma prova guiada de cinco rótulos.


A Pisano é uma vinícola fundada em 1914, comandada atualmente pela quarta geração da mesma família, através dos irmãos Daniel, Gustavo e Eduardo Pisano. Está localizada na região de Progreso, no departamento de Canelones, onde possui 30 hectares. Apesar de contar com cerca de 20 diferentes variedades plantadas, o foco da vinícola continua sendo a uva Tannat – cepa francesa da região do Madiran que se adaptou muito bem ao Uruguai e hoje é a casta mais importante daquele país.

Os produtos da Pisano demonstram a qualidade de quem não está preocupado em colocar grandes quantidades de vinho no mercado. Trata-se de uma vinícola de médio porte, com cerca de 300 mil garrafas produzidas ao ano. Além disso, utilizam práticas sustentáveis em sua produção. “Somos 99% orgânicos. O que falta é apenas a certificação”, explica Niko, lembrando que este é um processo caro e burocrático no seu país.

Confira as minhas impressões sobre os vinhos degustados:

Cisplatino Torrontés 2015


Tipo: Branco.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Segundo Niko, este é o único vinho produzido no Uruguai com a uva Torrontés (a principal variedade branca cultivada na vizinha Argentina). A bebida apresentou uma cor amarelo palha com tons esverdeados. Aromas minerais aparecem junto com notas de aspargos e leves toques florais e cítricos. Possui boa acidez e não é enjoativo como me parecem alguns vinhos feitos com a variedade Torrontés. Além disso é mais encorpado que os argentinos, o que o torna um vinho mais gastronômico, bom para acompanhar frutos do mar e pescados mais gordurosos. Tem 13,5% de álcool.

Classificação: Bom.
Média de preço: R$ 67

Cisplatino Cabernet Franc Rosé 2015


Tipo: Rosé.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Elaborado 100% com a uva Cabernet Franc, a mesma usada na produção dos rosés do Vale do Loire, na França, é um vinho bem frutado, mas com uma ponta de elegância proporcionada por sua mineralidade e boa acidez. Sua cor cereja muito viva me causou um pouco de desconfiança no início (prefiro os rosés com menos extração, mais clarinhos, que costumas ser mais leves e harmoniosos). Porém a impressão foi logo desfeita ao prova-lo. É um ótimo vinho para comida, como peixes e frutos do mar ou saladas. Sua graduação alcoólica é de 13%.

Classificação: Bom/Muito Bom.
Média de preço: R$ 67.

Cisplatino Tannat 2013


Tipo: Tinto.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Em sua composição foram usadas uvas Tannat de oito diferentes localizações de vinhedos. Parte do vinho estagiou de três a quatro meses em barricas de carvalho usadas e outra parte em tanques de inox. De coloração rubi com média profundidade, a bebida traz no olfato notas de ameixa madura, violeta, pimenta do reino, erva-doce e menta. Paladar encorpado, com taninos de qualidade e boa persistência. O teor alcoólico é de 13%.

Classificação: Bom/Muito Bom.
Média de preço: R$ 67.

Rio de los Pájaros Reserve Tannat 2013


Tipo: Tinto.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Este é o vinho da Pisano mais vendido em todos os mercados onde a marca está presente. Elaborado apenas com uvas Tannat, maturou durante seis meses em barricas de carvalho de segundo uso. Os aromas são de azeitonas pretas, frutas escuras, mentol, alcaçuz, floral e um toque discreto de couro. Na boca é encorpado, maduro, com taninos de boa qualidade. Tem 13% de álcool.

Classificação: Muito Bom.
Média de preço: R$ 85.

RPF Tannat 2011


Tipo: Tinto.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: O Reserva Personal de Familia é elaborado 100% com uvas Tannat e maturado 12 meses em barricas francesas de primeiro uso. Com coloração rubi de média profundidade, este belo exemplar da Pisano traz no nariz notas de alcaçuz, frutas em compota (negras e vermelhas), minerais, café, chocolate, menta e especiarias. Encorpado, de taninos finos e boa persistência, o sabor repete as sensações do nariz. Sua graduação alcoólica é de 13%.

Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 128.

ONDE ENCONTRAR: No Recife, os vinhos da Mistral podem ser encontrados na Distribuidora DLP, BarChef e Casa dos Frios.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Bodega Garzón dá novos ares ao vinho uruguaio

Estive semana passada com a embaixadora da bodega uruguaia Garzón, Ana Paula Oliveira, durante um jantar promovido no Recife pela importadora World Wine e a distribuidora local Cave d’Or, de Taciana Carvalho. O encontro aconteceu no restaurante Ponte Nova, com um impecável jantar harmonizado.

A VINÍCOLA - O projeto da Bodega Garzón é jovem. As primeiras vinhas foram plantadas em 2007 e a primeira safra colhida foi em 2011. A vinícola pertence simplesmente ao homem mais rico da Argentina: Alejandro Bulgheroni. Em 1999 ele visitou o Uruguai e conheceu a região onde hoje está localizada a Garzón, vendo ali a sua “pequena Toscana” - um local com grande potencial para desenvolver um projeto vitivinícola de qualidade. Bulgheroni, que possui sete vinícolas em diferentes partes do mundo, investiu mais de 85 milhões de dólares na bodega. Além de vinhos, lá também são produzidos excelentes azeites (Colinas de Garzón). 


São mais de cinco mil hectares de terras, na região conhecida como Maldonado, a 18 km de distância do Oceano Atlântico.  Foi a primeira bodega sustentável a ser construída fora da América do Norte e utiliza muita tecnologia a favor da elaboração de produtos de qualidade. 

OS VINHOS - Alejandro Bulgheroni convidou o enólogo italiano Alberto Antonini (proprietário da vinícola argentina Alto las Hormigas) para chefiar a produção dos vinhos. Ao contrário da maior parte das bodegas, as atenções não estão só voltadas para a Tannat - uva de origem francesa que se tornou o ícone do Uruguai. Outras variedades não tão comuns aquele país, como a Albariño, também são plantadas e utilizadas em seus rótulos.

Os vinhos da Garzón prezam pela pureza da fruta, deixando a madeira como um elemento de segundo plano no processo de vinificação. Os tintos só são elaborados com leveduras indígenas e é comum a utilização de tanques ovais de cimento. Os brancos passam pela técnica de sur lie, onde ficam em contato com as peles das uvas por um determinado período.

Uma das minhas constatações durante a degustação é que os vinhos da Garzón feitos com a cepa Tannat, caracterizada por transmitir ao vinho taninos intensos e rústicos, passam longe de serem "duros" e predominantes. Pelo contrário, os taninos estão presentes, mas têm maciez e se mantêm equilibrados com a acidez da bebida.

Confira as minhas impressões sobre os vinhos provados:

Garzón Albariño 2015


Tipo: Branco.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: A degustação começou logo com essa bela surpresa. Um branco feito 100% com a uva Albariño, variedade muito usada na região espanhola da Galícia e também com o nome Alvarinho no norte de Portugal. O vinho mostrou na taça uma cor amarelo palha com reflexos esverdeados. O aroma, muito gostoso, envolve frutas brancas, como lichia e pêssego, leve toque cítrico, notas florais, minerais e lácteas – estas últimas provenientes do contato de seis meses com as peles das uvas (sur lie) em tanques de aço inox. De médio corpo, o paladar pareceu muito fresco, com sua ótima acidez. Um vinho bem gastronômico, que acompanha bem pratos de frutos do mar.

Classificação: Muito Bom/Excelente
Média de preço: R$ 90.

Garzón Pinot Noir Rosé 2014


Tipo: Rosé.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: Vinho jovem de coloração rosada vibrante, que traz no aroma notas de frutas vermelhas silvestres como framboesa e morango. As mesmas sensações se repetem no paladar, que possui boa acidez, mas diferentemente do branco anterior, que se mostrou bem seco, este traz um toque a mais de doçura. Leve e jovem, deve ser servido bem fresco. Sua graduação alcoólica é de 13,5%.

Classificação: Bom.
Média de preço: R$ 90.

Garzón Tannat 2014


Tipo: Tinto.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: Para mim, o melhor vinho da degustação, tendo em vista a sua excelente qualidade e bom preço. De coloração violeta de média profundidade, traz no nariz uma boa gama de sensações, como de frutas negras e vermelhas maduras, notas mentoladas, flores secas, licor, pimenta do reino, cominho, caramelo e um discreto tostado. Paladar de médio a encorpado, o vinho tem sabor compatível com o aroma, trazendo ainda um toque de café. De médio a encorpado, apresenta boa persistência na boca. Teve seis meses em contato com as peles e mais seis meses de maturação barricas de carvalho francês. Tem 14% de álcool.

Classificação: Excelente/Excepcional.
Média de preço: R$ 90.

Garzón Reserva Tannat 2013


Tipo: Tinto.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: Um vinho com bom potencial de evolução, que maturou 18 meses em barricas de carvalho francês. O visual mostra uma cor violeta profunda, enquanto no nariz surgem notas intensas de frutas em compota, chocolate, baunilha, café com leite e um toque licoroso. Taninos polidos marcam o paladar. O sabor repete as impressões do nariz, revelando ainda notas de especiarias.  Tem 14,5% de álcool.

Classificação: Muito Bom/Excelente (evolui com a guarda)
Média de preço: R$ 165.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Salton Intenso Merlot Tannat 2014 (#CBE)

Novembro chegou trazendo novidades. Agora, tenho a nobre tarefa de coordenar os trabalhos da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE), missão que me foi passada pelo amigo e confrade Gil Mesquita, do blog Vinho Para Todos. Como tudo foi para mim meio que uma surpresa, achei por bem eu mesma indicar o tema de novembro, para que a partir dos próximos meses possamos seguir normalmente o nosso rodízio, com cada confrade sugerindo um tema por mês.

E a minha pedida foi bem singela, mas ao mesmo tempo desafiadora. Encontrar um vinho legal de até R$ 40 nas promoções da vida e compartilhar aqui com a gente.

Segue o vinho que escolhi:


Já havia provado a safra de 2011 desse vinho e tinha adorado. Voltei a prová-lo numa oportunidade mais que especial: para indicar o tema da CBE! Quando o avistei na prateleira do supermercado com a plaquinha de preço estampando R$ 25,90, meus olhos brilharam (o seu preço normal é por volta de R$ 40).  Peguei as três garrafas que restavam e trouxe pra casa.  

Confira os detalhes:

Tipo: Tinto.
Produtor: Salton
Origem: Serra Gaúcha (Merlot) e Campanha Gaúcha (Tannat), Brasil.
Características: As uvas das variedades Merlot e Tannat foram vinificadas em separado. Após o blend, o vinho estagiou seis meses em barricas de carvalho francês e americano. Sua coloração mostra-se rubi de intensidade média a profunda. O nariz exala notas de alcaçuz, especiarias e ameixa madura. Paladar de médio a encorpado, frutado presente, bom equilíbrio entre taninos e acidez, além da presença de madeira de forma bem integrada ao conjunto.

Classificação: Boa compra.
Média de preço: R$ 40 (comprado por R$ 25,90 no Walmart)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Casa Perini Tannat 2002 (#CBE)

Basta o mês começar para ter post da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) aqui no blog. Neste mês de abril, o tema da nossa degustação foi sugerido pelo confrade Gustavo Kauffman, do blog Enoleigos. Sua pedida foi a seguinte: "Vinho Sul-Americano com 10 anos de vida ou mais. Vamos ver como nossos vinhos, e de nossos hermanos, tem amadurecido!".

Adorei a ideia! Mas como não tinha nenhum vinho sul-americano com essa idade na adega, resolvi resgatar as anotações sobre um que tomei há um tempo e ainda não havia comentado por aqui.

Segue a minha escolha:


Tipo: Tinto.
Produtor: Casa Perini.
Origem: Vale Trentino, Serra Gaúcha, Brasil
Visual: Cor granada profunda.
Olfato: Frutas em compota, mentol, couro e tabaco.
Paladar: Encorpado e seco, com taninos presentes. O sabor segue a mesma linha do olfato. Final prolongado e madeira integrada.
Outras considerações: Elaborado 100% com uvas Tannat, este vinho evoluiu muito bem na garrafa. Quem ainda tiver dele, já está no tempo de tomar. Forma um par perfeito com carnes vermelhas. Para quem gosta do estilo, é uma boa pedida!

Classificação: Bom.
Média de preço: A safra 2002 não está mais no mercado. As garrafas de safras mais recentes custam por volta de R$ 35. Vale a pena comprar e guardar para sentir a sua evolução.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Juan Carrau Tannat de Reserva 2010 (#CBE)


"Tannat do Uruguai, sem limite de preço". Este foi o tema do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBA) sugerido pelos colegas Maykel e Anna, do Blog Vinho por 2. Gostei bastante da ideia, pois fazia tempo que não degustava um Tannat uruguaio. Então, foi a chance de abrir esta garrafa que tinha já guardada há algum tempo em casa.

Tipo: Tinto.
Produtor: Bodegas Carrau.
Origem: Las Violetas/Cerro Chapeu, Uruguai.
Visual: Cor rubi de média profundidade com traços granada.
Olfato: De média intensidade, com notas de alcaçuz, ameixa baunilha, fumo, ervas secas e um toque tostado.
Paladar: Médio corpo, bem adstringente e de final entre médio e prolongado. As mesmas sensações do nariz reaparecem no sabor.
Outras considerações: Já havia provado este vinho, porém o da safra de 2007. Achei este bastante sério, fechado. Elaborado 100% com uvas Tannat, o vinho maturou durante 18 meses em barricas francesas e americanas. Tem 14% de álcool e é uma boa companhia para carnes vermelhas.

Classificação: Muito Bom.
Média de preço: R$ 115 [Importado pela Zahil] (comprei por menos de R$ 50 há poucos anos, no Uruguai)