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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pisano mantém viva a tradição da uva Tannat no Uruguai

Uma das últimas degustações de 2016 que participei foi promovida pela Mistral, no restaurante Coco Bambu, no Recife, com os vinhos da Pisano, uma das bodegas de maior destaque do Uruguai. A apresentação ficou a cargo do gerente de exportação da marca, o jovem e descolado Nikolás Kozic (foto), ou simplesmente Niko, que na ocasião conduziu uma prova guiada de cinco rótulos.


A Pisano é uma vinícola fundada em 1914, comandada atualmente pela quarta geração da mesma família, através dos irmãos Daniel, Gustavo e Eduardo Pisano. Está localizada na região de Progreso, no departamento de Canelones, onde possui 30 hectares. Apesar de contar com cerca de 20 diferentes variedades plantadas, o foco da vinícola continua sendo a uva Tannat – cepa francesa da região do Madiran que se adaptou muito bem ao Uruguai e hoje é a casta mais importante daquele país.

Os produtos da Pisano demonstram a qualidade de quem não está preocupado em colocar grandes quantidades de vinho no mercado. Trata-se de uma vinícola de médio porte, com cerca de 300 mil garrafas produzidas ao ano. Além disso, utilizam práticas sustentáveis em sua produção. “Somos 99% orgânicos. O que falta é apenas a certificação”, explica Niko, lembrando que este é um processo caro e burocrático no seu país.

Confira as minhas impressões sobre os vinhos degustados:

Cisplatino Torrontés 2015


Tipo: Branco.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Segundo Niko, este é o único vinho produzido no Uruguai com a uva Torrontés (a principal variedade branca cultivada na vizinha Argentina). A bebida apresentou uma cor amarelo palha com tons esverdeados. Aromas minerais aparecem junto com notas de aspargos e leves toques florais e cítricos. Possui boa acidez e não é enjoativo como me parecem alguns vinhos feitos com a variedade Torrontés. Além disso é mais encorpado que os argentinos, o que o torna um vinho mais gastronômico, bom para acompanhar frutos do mar e pescados mais gordurosos. Tem 13,5% de álcool.

Classificação: Bom.
Média de preço: R$ 67

Cisplatino Cabernet Franc Rosé 2015


Tipo: Rosé.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Elaborado 100% com a uva Cabernet Franc, a mesma usada na produção dos rosés do Vale do Loire, na França, é um vinho bem frutado, mas com uma ponta de elegância proporcionada por sua mineralidade e boa acidez. Sua cor cereja muito viva me causou um pouco de desconfiança no início (prefiro os rosés com menos extração, mais clarinhos, que costumas ser mais leves e harmoniosos). Porém a impressão foi logo desfeita ao prova-lo. É um ótimo vinho para comida, como peixes e frutos do mar ou saladas. Sua graduação alcoólica é de 13%.

Classificação: Bom/Muito Bom.
Média de preço: R$ 67.

Cisplatino Tannat 2013


Tipo: Tinto.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Em sua composição foram usadas uvas Tannat de oito diferentes localizações de vinhedos. Parte do vinho estagiou de três a quatro meses em barricas de carvalho usadas e outra parte em tanques de inox. De coloração rubi com média profundidade, a bebida traz no olfato notas de ameixa madura, violeta, pimenta do reino, erva-doce e menta. Paladar encorpado, com taninos de qualidade e boa persistência. O teor alcoólico é de 13%.

Classificação: Bom/Muito Bom.
Média de preço: R$ 67.

Rio de los Pájaros Reserve Tannat 2013


Tipo: Tinto.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: Este é o vinho da Pisano mais vendido em todos os mercados onde a marca está presente. Elaborado apenas com uvas Tannat, maturou durante seis meses em barricas de carvalho de segundo uso. Os aromas são de azeitonas pretas, frutas escuras, mentol, alcaçuz, floral e um toque discreto de couro. Na boca é encorpado, maduro, com taninos de boa qualidade. Tem 13% de álcool.

Classificação: Muito Bom.
Média de preço: R$ 85.

RPF Tannat 2011


Tipo: Tinto.
Produtor: Pisano.
Origem: Progreso, Uruguai.
Características: O Reserva Personal de Familia é elaborado 100% com uvas Tannat e maturado 12 meses em barricas francesas de primeiro uso. Com coloração rubi de média profundidade, este belo exemplar da Pisano traz no nariz notas de alcaçuz, frutas em compota (negras e vermelhas), minerais, café, chocolate, menta e especiarias. Encorpado, de taninos finos e boa persistência, o sabor repete as sensações do nariz. Sua graduação alcoólica é de 13%.

Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 128.

ONDE ENCONTRAR: No Recife, os vinhos da Mistral podem ser encontrados na Distribuidora DLP, BarChef e Casa dos Frios.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Bodega Garzón dá novos ares ao vinho uruguaio

Estive semana passada com a embaixadora da bodega uruguaia Garzón, Ana Paula Oliveira, durante um jantar promovido no Recife pela importadora World Wine e a distribuidora local Cave d’Or, de Taciana Carvalho. O encontro aconteceu no restaurante Ponte Nova, com um impecável jantar harmonizado.

A VINÍCOLA - O projeto da Bodega Garzón é jovem. As primeiras vinhas foram plantadas em 2007 e a primeira safra colhida foi em 2011. A vinícola pertence simplesmente ao homem mais rico da Argentina: Alejandro Bulgheroni. Em 1999 ele visitou o Uruguai e conheceu a região onde hoje está localizada a Garzón, vendo ali a sua “pequena Toscana” - um local com grande potencial para desenvolver um projeto vitivinícola de qualidade. Bulgheroni, que possui sete vinícolas em diferentes partes do mundo, investiu mais de 85 milhões de dólares na bodega. Além de vinhos, lá também são produzidos excelentes azeites (Colinas de Garzón). 


São mais de cinco mil hectares de terras, na região conhecida como Maldonado, a 18 km de distância do Oceano Atlântico.  Foi a primeira bodega sustentável a ser construída fora da América do Norte e utiliza muita tecnologia a favor da elaboração de produtos de qualidade. 

OS VINHOS - Alejandro Bulgheroni convidou o enólogo italiano Alberto Antonini (proprietário da vinícola argentina Alto las Hormigas) para chefiar a produção dos vinhos. Ao contrário da maior parte das bodegas, as atenções não estão só voltadas para a Tannat - uva de origem francesa que se tornou o ícone do Uruguai. Outras variedades não tão comuns aquele país, como a Albariño, também são plantadas e utilizadas em seus rótulos.

Os vinhos da Garzón prezam pela pureza da fruta, deixando a madeira como um elemento de segundo plano no processo de vinificação. Os tintos só são elaborados com leveduras indígenas e é comum a utilização de tanques ovais de cimento. Os brancos passam pela técnica de sur lie, onde ficam em contato com as peles das uvas por um determinado período.

Uma das minhas constatações durante a degustação é que os vinhos da Garzón feitos com a cepa Tannat, caracterizada por transmitir ao vinho taninos intensos e rústicos, passam longe de serem "duros" e predominantes. Pelo contrário, os taninos estão presentes, mas têm maciez e se mantêm equilibrados com a acidez da bebida.

Confira as minhas impressões sobre os vinhos provados:

Garzón Albariño 2015


Tipo: Branco.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: A degustação começou logo com essa bela surpresa. Um branco feito 100% com a uva Albariño, variedade muito usada na região espanhola da Galícia e também com o nome Alvarinho no norte de Portugal. O vinho mostrou na taça uma cor amarelo palha com reflexos esverdeados. O aroma, muito gostoso, envolve frutas brancas, como lichia e pêssego, leve toque cítrico, notas florais, minerais e lácteas – estas últimas provenientes do contato de seis meses com as peles das uvas (sur lie) em tanques de aço inox. De médio corpo, o paladar pareceu muito fresco, com sua ótima acidez. Um vinho bem gastronômico, que acompanha bem pratos de frutos do mar.

Classificação: Muito Bom/Excelente
Média de preço: R$ 90.

Garzón Pinot Noir Rosé 2014


Tipo: Rosé.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: Vinho jovem de coloração rosada vibrante, que traz no aroma notas de frutas vermelhas silvestres como framboesa e morango. As mesmas sensações se repetem no paladar, que possui boa acidez, mas diferentemente do branco anterior, que se mostrou bem seco, este traz um toque a mais de doçura. Leve e jovem, deve ser servido bem fresco. Sua graduação alcoólica é de 13,5%.

Classificação: Bom.
Média de preço: R$ 90.

Garzón Tannat 2014


Tipo: Tinto.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: Para mim, o melhor vinho da degustação, tendo em vista a sua excelente qualidade e bom preço. De coloração violeta de média profundidade, traz no nariz uma boa gama de sensações, como de frutas negras e vermelhas maduras, notas mentoladas, flores secas, licor, pimenta do reino, cominho, caramelo e um discreto tostado. Paladar de médio a encorpado, o vinho tem sabor compatível com o aroma, trazendo ainda um toque de café. De médio a encorpado, apresenta boa persistência na boca. Teve seis meses em contato com as peles e mais seis meses de maturação barricas de carvalho francês. Tem 14% de álcool.

Classificação: Excelente/Excepcional.
Média de preço: R$ 90.

Garzón Reserva Tannat 2013


Tipo: Tinto.
Produtor: Bodega Garzón.
Origem: Maldonado, Uruguai.
Características: Um vinho com bom potencial de evolução, que maturou 18 meses em barricas de carvalho francês. O visual mostra uma cor violeta profunda, enquanto no nariz surgem notas intensas de frutas em compota, chocolate, baunilha, café com leite e um toque licoroso. Taninos polidos marcam o paladar. O sabor repete as impressões do nariz, revelando ainda notas de especiarias.  Tem 14,5% de álcool.

Classificação: Muito Bom/Excelente (evolui com a guarda)
Média de preço: R$ 165.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Vinhos do Uruguai em Olinda


O Recife Convention & Visitors Bureau (Recife CVB),  no ano de comemoração dos seus 15 anos, realiza Festival de Vinho – Edição Uruguai, que reúne hoje (15/12) 12 bodegas uruguaias em uma noite de degustação de vinhos, azeites e queijos em Olinda, no Convento de São Francisco.

O vinho foi eleito como tema chave da missão empresarial, uma vez que a produção vinícola do país é reconhecida internacionalmente.O Uruguai está entre o terceiro e quarto maior produtor de vinhos finos do continente e entre os dez maiores consumidores per capita do mundo. São aproximadamente 300 vinícolas no Uruguai.

A ação é realizada em parceria com o Governo de Pernambuco (Empetur), a Secretaria de Turismo de Olinda, o Consulado do Uruguai em Pernambuco e a GOL Linhas Aéreas. “O projeto foi desenvolvido para manter a viabilidade da nova conexão direta entre os destinos Recife e Montevidéu”, afirma o presidente do Recife CVB, Bruno Herbert.

O evento é exclusivo para apenas 250 pessoas.  Os não associados ao Recife Convention Bureau podem adquirir ingresso ao preço de cem reais.  Informações: 3328.8300.

Vinícolas presentes 
Juanicó
Montes Toscanini
Antigua Bodega Stagnari
Pizzorno
De Lucca
Giménez Mendez
Pisano
Garzón
Castillo Viejo
Artesana

quinta-feira, 3 de março de 2016

Juan Carrau Tannat de Reserva 2010 (#CBE)


"Tannat do Uruguai, sem limite de preço". Este foi o tema do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBA) sugerido pelos colegas Maykel e Anna, do Blog Vinho por 2. Gostei bastante da ideia, pois fazia tempo que não degustava um Tannat uruguaio. Então, foi a chance de abrir esta garrafa que tinha já guardada há algum tempo em casa.

Tipo: Tinto.
Produtor: Bodegas Carrau.
Origem: Las Violetas/Cerro Chapeu, Uruguai.
Visual: Cor rubi de média profundidade com traços granada.
Olfato: De média intensidade, com notas de alcaçuz, ameixa baunilha, fumo, ervas secas e um toque tostado.
Paladar: Médio corpo, bem adstringente e de final entre médio e prolongado. As mesmas sensações do nariz reaparecem no sabor.
Outras considerações: Já havia provado este vinho, porém o da safra de 2007. Achei este bastante sério, fechado. Elaborado 100% com uvas Tannat, o vinho maturou durante 18 meses em barricas francesas e americanas. Tem 14% de álcool e é uma boa companhia para carnes vermelhas.

Classificação: Muito Bom.
Média de preço: R$ 115 [Importado pela Zahil] (comprei por menos de R$ 50 há poucos anos, no Uruguai)

terça-feira, 3 de março de 2015

Presidenta Dilma pode não saber governar, mas pelo menos sabe comprar vinho


Uma notícia no mínimo curiosa foi veiculada na imprensa brasileira neste último final de semana. Em visita ao Uruguai, a presidenta Dilma Rousseff foi flagrada no sábado (28), fazendo compras em um supermercado em Montevidéu.

Além de doce de leite e queijo, a petista levou na sacola, segundo o jornal "Estadão", um vinho tinto Tannat Viejo H. Stagnari - que por sinal é um ótimo vinho daquela nacionalidade.

Aliás, já falei aqui no blog sobre a safra de 2007 deste vinho. Confira novamente as minhas impressões:

Tannat Viejo H. Stagnari 2007



Produzido por Héctor Stagnari com uvas da variedade Tannat da região de La Caballada, no Uruguai, o vinho estagiou por 12 meses em barris de carvalho e mais seis meses em garrafa.

A cor é rubi profunda e brilhante com reflexos violáceos. Os aromas são complexos, com características de frutas vermelhas maduras, notas florais e especiarias. Na boca, mostra a adstringência típica da uva Tannat, porém com taninos de qualidade ímpar. É um vinho “carnudo”, que enche a boca com os sabores de fruta madura, como o jambo, além de chocolate e baunilha, com uma pitada de especiarias. Tem um final deliciosamente longo. Sua graduação alcoólica é de 14%.

Importado pela Cantu, custa no Brasil entre R$ 70 e 80. Excelente vinho!

terça-feira, 18 de março de 2014

Bodega experimental traz inovação à produção do Uruguai

No final do ano passado, tive a oportunidade de almoçar com o produtor uruguaio Gabriel Pisano (foto abaixo), da Viña Progreso. Na ocasião, ele abriu um vinho branco elaborado com a uva Viognier e aguçou a minha curiosidade sobre o restante da sua produção. Semana passada, provei mais dois vinhos feitos pelo jovem enólogo, enviados gentilmente por ele. Então acho que está na hora de contar aqui a nossa conversa e o sobre o que descobri sobre os seus produtos.


Gabriel faz parte do time de enólogos da tradicional bodega uruguaia Pisano, fundada pelo seu avô no início do século 20. A enologia, ofício também seguido por seu pai e tios, era um caminho natural. Mas ele quis fazer diferente. Depois de se formar no ramo trabalhou no Chile, Califórnia (EUA), África do Sul e Espanha e decidiu desenvolver um projeto pessoal onde pudesse elaborar vinhos no estilo “menos convencional”, de forma experimental.

A Viña Progreso surgiu oficialmente em 2008. Localizada em Progreso, no departamento de Canelones, não possui vinhedos próprios. As uvas são de terceiros, com a total supervisão de Gabriel. E por falar em uvas, o jovem Pisano vem “dando um nó”, na vinicultura uruguaia, passando a utilizar castas não usadas por aquelas bandas, como Viognier (branca) e Sangiovese (tinta), com a mínima intervenção nos vinhedos e na produção. “Procuro fazer vinhos mais jovens, mais frescos, usando leveduras nativas e com pouca filtração”, explica ele, que parece ter transmitido o seu estilo descontraído e vibrante às suas criações.

A produção é pequena. São 30 mil garrafas por ano e duas linhas: Underground e Overground. O vinho “top” é um Tannat chamado Sueños de Elisa (Elisa’s Dreams). Com apenas 1.086 garrafas produzidas, a bebida foi fermentada em barricas de carvalho abertas. O nome é uma homenagem à sua tia, Elisa, que é quem ilustra os rótulos da Viña Progreso.

Perguntei se Gabriel tinha pretensão de expandir a produção, mas por enquanto ele não parece muito preocupado com essa possibilidade. “Estou mais para vinhos de garagem do que para uma vinícola boutique”, comparou. Além do Brasil, as exportações da Viña progresso alcançam a Alemanha, Suécia e China. Possivelmente os vinhos também deverão chegar ao mercado norte-americano, revela Gabriel, que curte cada criação sua: “gosto dos meus vinhos. Eles são feitos para agradar todo mundo”.

Vamos aos vinhos provados:

Viña Progreso Reserva Viognier 2013


Elaborado exclusivamente com uvas Viognier, este branco possui cor amarelo palha com reflexos dourados. Exala notas minerais, de pêssego, aspargos e um leve aroma cítrico. Possui bom volume de boca e acidez moderada, relembrando as sensações do nariz. O vinho não fermentou em barris de carvalho como o nome “reserva” sugere, mas sim maturou em tanques de aço inox por cinco meses. Tem 13% de álcool.

Classificação: Muito Bom/Excelente.
Faixa de preço: R$ 74*

Viña Progreso Reserva Sangiovese 2008



De cor rubi escura, o vinho mostra bastante sedimento, resultado de sua não filtração. Elaborado 100% com uvas Tannat, teve fermentação malolática parcial (50%) em barris de carvalho. A maturação foi de aproximadamente 12 meses em barricas francesas. O aroma mostra alguma fruta vermelha madura, mentol e notas terrosas. Paladar leve, equilibrado.  Melhora com a aeração. Sua graduação alcoólica é de 13,5%.

Classificação: Bom.
Faixa de preço: R$ 67*

Viña Progreso Reserva Tannat 2008



Este 100% Tannat possui cor rubi escura e aromas de frutas vermelhas maduras, menta e fumo. Paladar equilibrado, de médio a encorpado. Aparecem novamente o tabaco e as notas frutadas, arrematados por um toque de especiarias. Amadureceu cerca de 12 meses em carvalho francês.Possui 14% de álcool. Também apresenta sedimentos resultantes de sua não filtração.

Classificação: Muito Bom/Excelente.
Faixa de preço: R$ 67*

Agradecimento especial ao enólogo Guillermo Giani, por ter me apresentado a Gabriel Pisano. Agradeço também ao sommelier Helton Silva pelo excelente serviço dos tintos durante almoço no restaurante Rui Paula, onde provamos os vinhos.

*Os vinhos da Viña Progreso são importados pela Vinci. No Recife, à venda na DOC Distribuidora (81) 3252-8900.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Uruguai também bate um bolão em outros campos


Coluna Escrivinhos da edição de junho da Revista Mon Quartier

Este mês de junho tem muito recifense que vai fazer questão de acompanhar ao vivo os jogos da Copa das Confederações na nova arena construída em São Lourenço da Mata. Eu mesma sou uma que já garantiu o ingresso para assistir ao partidaço Espanha x Uruguai. Mas calma aí, o tema da coluna ainda é vinho e não futebol! Puxei o assunto porque lembrei que alguns dos países que vão disputar o campeonato são reconhecidos produtores de vinhos: Brasil, Itália, Espanha e Uruguai.

Quem gosta da bebida, supostamente já provou vinho desses locais. Porém, pela produção ser menor, sei que existe muita gente que nunca teve a oportunidade de degustar os vinhos do Uruguai, que por sinal é bicampeão da Copa do Mundo de futebol. Então resolvi falar aqui sobre eles.

A história vitivinícola deste país sul-americano começa na década de 1870, quando imigrantes bascos plantaram as primeiras vinhas. A maior parte dos vinhedos (90%) fica na região sul, próximo a Montevidéu, principalmente na região de Canelones, que tem clima de influência marítima.

Os principais produtores uruguaios dos quais eu já provei bons vinhos são Carrau, Pisano, Familia Deicas, H. Stagnari, Giménez Méndez, Pizzorno e Bouza. Eles elaboram rótulos principalmente com a Tannat, uva tinta emblemática daquele país. Apesar de ela ser a mais plantada, outras castas tintas e brancas também são cultivadas lá.

TANNAT – Originária do sudoeste da França, mais exatamente da região de Madiran, essa variedade se adaptou muito bem ao Uruguai. Ela foi trazida no século 19 para América do Sul pelo imigrante basco Pascual Harriague. Tanto é que ela passou muitos anos sendo chamada de Harriague, em homenagem ao seu “pai”.

Lá na França, os vinhos feitos com a Tannat harmonizam com os pratos gordurosos como o cassoulet e as conservas de pato e de ganso (confit). Isso porque a uva dá origem a uma bebida potente e encorpada, que encara comidas mais robustas.

O nome Tannat vem do tanino, substância responsável pela adstringência do vinho. Antigamente, os vinhos feitos com ela eram ásperos e muito secos. Hoje, com as novas técnicas de vinificação, estão mais elegantes. Os Tannat uruguaios têm grande intensidade de cor, aromas de frutas escuras e chocolate. Acompanham muito bem pratos de carnes vermelhas.

Cientistas dizem que a Tannat é a uva que contém mais antioxidantes naturais, substâncias que combatem o envelhecimento precoce e ajudam a prevenir doenças.

E então, que tal escalar um vinho do Uruguai para a sua seleção?

Saúde!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

H. Stagnari Premier Tannat 2010

Produtor: H. Stagnari
Origem: Canelones, Uruguai
Visual: Cor rubi violácea brilhante.
Olfato: Frutado (jambo, ameixa, cereja), especiarias e ervas. Exótico e agradável.
Paladar: Corpo médio. Apresenta novamente o frutado do nariz, além de notas tostadas, de café, tabaco e ervas. Final longo e macio.
Outras considerações: Um Tannat ameno, fácil de tomar, mas que harmoniza muito bem com carnes vermelhas (principalmente cordeiro), caças e pratos com molhos escuros e sabores fortes.  Tem 14% de graduação alcoólica. Não passa por barrica.

Classificação: Excelente
Faixa de preço: R$ 35 (Importado pela Cantu)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Amat Tannat – 2004

Produtor: Bodegas Carrau.
Origem: Cerro Chapeu, Uruguai.
Visual: Cor rubi escuro, brilhante.
Olfato: Complexo, envolvendo notas de frutas de fruta vermelha madura, como ameixa e framboesa, café, tostado, coco, fumo, chocolate, baunilha e especiarias.
Paladar: Extremamente delicado, diferente da maioria dos vinhos feitos com a uva Tannat, que normalmente são mais ásperos devido ao grande volume de taninos presentes. Surgem as frutas, o café e as especiarias, junto com um elegante tostado proveniente do estágio em madeira.
Outras considerações: O vinho, feito 100% com a cepa Tannat, passou por amadurecimento em barricas novas de carvalho francês (50%) e americano (50%). Sua graduação é 14%. Este exemplar foi oferecido e altamente recomendado pelo meu amigo e sommelier Ângelo Miranda, a quem agradeço a oportunidade de experimentar um Tannat tão distinto.

Classificação: Excelente/Excepcional.
Faixa de preço: R$ 135 [Importadora Zahil]

terça-feira, 8 de maio de 2012

ExpoVinis 2012: bons rótulos de Argentina, Chile e Uruguai


Continuando o relato sobre a ExpoVinis 2012, resolvi separar por nacionalidade o que eu provei de bom durante a feira. Foram dezenas de rótulos experimentados durante os três dias do evento, porém vou citar aqui os que mais me interessaram. Neste post, destaco os vinhos de Argentina, Chile e Uruguai.

Confesso que degustei poucos rótulos dessas nacionalidades, pois para mim a atração pelo Velho Mundo é fatal durante as feiras de vinhos.

ARGENTINA

No estande da importadora Bodegas Selecionadores de Vinhos, onde fomos (como sempre) muito bem recebidos por Germán Garfinkel (foto), belíssimos exemplares argentinos foram abertos, como o Las Perdices Reserva Malbec 2010, o Las Perdices Reserva Don Juan 2007, os excepcionais Finca La Anita Semillón 2010 e Finca La Anita Línea Tonel 2000 (Syrah e Malbec).

A Inovini apresentou os vinhos da vinícola argentina Fuzion, que tem a assinatura da prestigiada Familia Zuccardi. Os destaques ficaram por conta do Fuzion Alta Torrontés e Pinot Grigio 2010 e do Fuzion Alta Malbec Reserva 2010 – rótulos com excelente relação de qualidade x preço.

CHILE

As importadoras Épice e Licínio Dias fizeram sucesso com o seu belo Bar CO² (foto), que teve direito até a música com DJ. Lá, os espumantes Brut e Brut Champenoise da Viña Mar prenderam muita gente pela taça. O Tarapacá Brut Champenoise foi outra boa pedida no espaço.

Voltando para o estande da Bodegas (sim, eles sabem como agradar o visitante), três vinhos da Casas del Toqui me agradaram bastante: o Merlot Reserva 2010, o Terroir Selection Carmenère 2008 e o Gran Toqui Cabernet Sauvignon 2008.

URUGUAI

Dois vinhos da H. Stagnari, provados no estande da Cantu, me fizeram “cair o queixo”. Um deles eu já havia provado, só que em uma safra anterior: o H. Stagnari Tannat Viejo 2008. O outro foi o H. Stagnari Dinastía 2006. Belíssimos vinhos! Ambos com largo potencial de envelhecimento.

Nos próximos posts mais, notícias sobre os vinhos de outras nacionalidades provados na ExpoVinis.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Viento Sur Tannat – 2009

O tema deste mês da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) foi escolhido pelo confrade Gil Mesquita, do blog Vinho para todos, que sugeriu um vinho do Uruguai (país que produz excelentes vinhos) de até R$ 100. Confesso que deixei para providenciar o rótulo de última hora, pois não tinha nenhum uruguaio na adega. Para não deixar passar em branco, domingo à noite, dia 1º, saí em busca do vinho. Só os supermercados estavam abertos naquele horário. Escolhi o Pão de Açúcar, relativamente próximo da minha casa. Para minha surpresa, só UM rótulo uruguaio disponível na seção de vinhos daquele estabelecimento. Na base do “só tem tu, vai tu mesmo”, levei pra casa, totalmente desconfiada, o vinho que comento agora. O resultado foi mais ou menos o que eu esperava.

Produtor: Bodegas Castillo Viejo.
Origem: Uruguai.
Visual: Cor granada, límpido e transparente.
Olfato: Notas animais predominam no nariz, acompanhadas de um discretos frutado, lembrando cereja.
Paladar: Corpo leve, pouco persistente, taninos quase imperceptíveis. Voltam as impressões sentidas no nariz, com bastante notas animais e pouca fruta. Não mostra o caráter que os vinhos feitos com a uva Tannat normalmente apresentam.
Outras considerações: Faltou mais sabor e persistência à bebida. Os aromas animais estão muito em evidência, deixando-a cansativa. Entrei no site do produtor e não achei este vinho. Acredito que ele é produzido apenas para exportação.

Classificação: Fraco/Regular.
Faixa de preço: 17

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sommeliers do Recife comemoram o fim de ano com... vinho!

Segunda-feira foi o dia em que os sommeliers do Recife, ao invés de servir, foram muito bem servidos. O grupo, que também contou com a participação de outros profissionais do vinho da cidade, comemorou o final de mais um ano em alto estilo: com um jantar no restaurante ÇaVa, no Pina, harmonizado com rótulos carinhosamente selecionados por cada um dos participantes.

Cada um comentou sobre o seu vinho escolhido e o motivo de tê-lo trazido ao jantar. Predominaram os rótulos do Novo Mundo, com representantes do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Austrália e Canadá. Do velho mundo, Portugal se fez presente com três rótulos. Vale a pena destacar o belo serviço e menu caprichado do ÇaVa para a ocasião.

Entre os presentes na confraternização, Fabiana (Escrivinhos), Célio (Dom Vinho), Ângelo (Ponte Nova), Helton (RM), professor Ivan Miranda, Leonardo Lucena, Filipe Luna, Tiago Emery (TWS), Rodrigo (Interfood), Rildo (Vinho Club), mais familiares e amigos. O grupo está aumentando. Ano que vem esperamos que mais profissionais se juntem ao grupo para entrar neste clima sadio de alegria e troca de ideias!

A seguir, comentarei os vinhos degustados. Alguns, como o Tamarí AR 2006, o Septima Gran Reserva 2008 e o Vallado Tinto 2006, já haviam sido provados e avaliados aqui no blog, por isso não estão na lista.

Cave Geisse Brut

Produtor: Cave Geisse.
Origem: Pinto Bandeira, Rio Grande do Sul.
Visual: Amarelo, com reflexos dourados. Fino perlage.
Olfato: Notas cítricas, fermento.
Paladar: Delicado, com notas de frutas secas. Boa cremosidade.
Outras considerações: Elaborado com as uvas Chardonnay e Pinot Noir, através do método tradicional. Teve maturação em de 24 meses.

Classificação: Muito Bom/Excelente.



Las Perdices Don Juan Reserva 2007 


Produtor: Viña Las Perdices.
Origem: Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina.
Visual: Rubi escuro, brilhante.
Olfato: Fruta madura, café, menta.
Paladar: Bom volume de boca. Potente. Aparecem notas de café, caramelo e pimenta no final.
Outras considerações: Um corte de Malbec, Syrah, Bonarda e Merlot, que estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês.

Classificação: Excelente.



Undurraga Founder’s Collection Cabernet Sauvignon – 2006

Produtor: Viña Undurraga.
Origem: Vale do Maipo, Chile.
Visual: Cor rubi brilhante.
Olfato: Fruta madura, floral, café.
Paladar: Aparecem outras nuances, como couro, baunilha e final apimentado, formando um elegante conjunto. Final longo e agradável.
Outras considerações: Em sua composição vai apenas a uva Cabernet Sauvignon. O vinho maturou 16 meses em carvalho francês. A graduação alcoólica é de 14%.

Classificação: Muito Bom/Excelente.


Familia Deicas Preludio – 2004


Produtor: Familia Deicas.
Origem: Juanicó, Uruguai.
Visual: Cor rubi.
Olfato: Ameixa, anis, menta, notas animais.
Paladar: Mostra no paladar características como couro, café e especiarias.
Outras considerações: Lembra, como bem disseram durante a degustação, um vinho do Velho Mundo. Sua composição é de Tannat (40%), Cabernet Sauvignon (24%), Cabernet Franc (20%), Merlot (12%), Petit Verdot (2%) e Marselan (2%). Estagiou 22 meses em carvalho francês. Tem teor alcoólico de 13%.

Classificação: Muito Bom.


Marquesa de Alorna Reserva - 2008


Produtor: Quinta da Alorna.
Origem: Tejo, Portugal.
Visual: Cor violeta.
Olfato: Floral, café, frutas vermelhas.
Paladar: Boa estrutura, taninos firmes. Sabor pronunciado de café, com notas de baunilha e apimentado. Madeira bem integrada. É um vinho de classe, bastante elegante.
Outras considerações: O produtor não especifica as castas que entram neste vinho, mas revela que houve estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Tem potencial de guarda.


Classificação:
Excelente.


Laura Hartwig Gran Reserva - 2008


Produtor: Laura Hartwig.
Origem: Vale do Colchágua, Chile.
Visual: Cor rubi profundo
Olfato: Café, frutas vermelhas, leve herbáceo, especiarias.
Paladar: Aparece fumo, baunilha e voltam as frutas. Taninos expressivos, elegantes.
Outras considerações: Trata-se de um assemblage das uvas Cabernet Sauvignon, Carménere, Merlot e Syrah. A maior parte dele (90%) passou por barricas francesas e o restante por carvalho americano, durante 20 meses. Possui 14% de álcool.


Classificação:
Muito Bom.


Hope Estate “The Ripper!” Shiraz - 2004


Produtor: Hope Estate.
Origem: Western Austrália.
Visual: Cor rubi bem escuro com traços violáceos.
Olfato: Frutas escura, esmalte de unha, leve apimentado.
Paladar: Taninos vivos, de ótima qualidade. Sabor de fruta silvestre madura, como amora, chegando a lembrar groselha, com notas de chocolate e pimenta.
Outras considerações: As uvas usadas em sua elaboração, da variedade Shiraz, vêm do oeste da Austrália, onde são prensadas, e viajam de caminhão por três dias num ambiente resfriado em direção ao Hunter Valley, na costa leste do país. A extração de cor e taninos nesse processo é tão intensa que a garrafa do vinho fica toda tinturada, mesmo depois de vazia. Metade da bebida maturou metade e carvalho francês e outra em carvalho americano por um período de 12 a 15 meses. Seu teor alcoólico é de 14%.

Classificação: Muito Bom (um vinho inusitado).


Burmester 10 anos Tawny Porto


Produtor: Burmester.
Origem: Douro, Portugal.
Visual: Cor âmbar.
Olfato: Notas pronunciadas de amêndoa e baunilha.
Paladar: Surge novamente a amêndoa, com leve cítrico e mocha. Boa doçura. Delicado.
Outras considerações: Graduação alcoólica de 20%. Elaborado com as castas Tinta Amarela, Tinta Roriz, Touriga Francesa e Touriga Nacional. Envelhecido durante 10 anos em cascos de madeira.



Classificação: Muito Bom.


Peller Vidal Icewine


Produtor: Peller Estate.
Origem: Península de Niágara, Canadá.
Visual: Leve rosado.
Olfato: Bastante aromático, com notas de casca de laranja, manga rosa e mel.
Paladar: Mesclam-se as características cítricas com as doces, revelando um vinho equilibradíssimo no paladar, untuoso, e com doçura ímpar.
Outras considerações: Um vinho “de contemplação”, mas que vai muito bem acompanhando biscoitos e sorvetes de creme ou baunilha. Elaborado com uvas congeladas que foram colhidas a mão, durante a noite. Teor alcoólico de 11,5%.

Classificação: Excelente/Excepcional.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rio de los Pajaros Reserve Pinot Noir – 2007


Eis um Pinot Noir produzido no Uruguai. Este é da vinícola Pisano. O vinho teve maturação em carvalho francês e apresenta cor rubi, já com um halo de evolução. Aparecem no nariz frutas como morango e cereja, com leve madeira.

Na boca é bem seco, repetindo as impressões do olfato, junto com um toque de tostado. Sua graduação alcoólica é de 14%.

Provado com o novo menu do Bistrot du Vin, no Recife.

Classificação: Bom
Faixa de preço: R$ 58 [Club du Vin]

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vinhos da Bodegas Carrau

Fotos: Carol Prestrelo
Estive ontem à noite num encontro com Javier Carrau, diretor da Bodegas Carrau, que aconteceu na Zahil de Boa Viagem, no Recife. Já havia provado um Tannat (o Reserva 2005) desta vinícola e gostado. A degustação revelou vinhos feitos com esta cepa de um caráter diferente – mais leves e menos adstringentes. Na ocasião, provei também um Sauvignon Blanc e um Cabernet Sauvignon.

A vinícola uruguaia tem origem na Cataluña, Espanha, onde a família Carrau adquiriu os seus primeiros vinhedos, em 1752. Quase cem anos depois, Juan Carrau Sust, neto do pioneiro Juan Carrau Ferres, depois de terminar os seus estudos em enologia mudou-se com a família para o Uruguai.

Em 1976, Juan Francisco Carrau Pujol, um dos cinco filhos de Juan Carrau Sust, adquiriu 24 hectares de videiras e uma vinícola pertencente a Pablo Varzi, localizada em Colón, e fundou a vinícola Carrau. Desde o início, sua ideia era elaborar vinhos finos.

Mais tarde, eles adquiriram terras em Cerro Chapeu, onde realizaram os primeiros estudos de solo da América do Sul, e construíram a vinícola localizada na maior altitude do país, a 360 metros acima do nível do mar, considerada a mais moderna daquele país.

A Bodegas Carrau produz em Canelones 800 mil litros de vinho e em Rivera outros 400 mil. Eles não têm planos de aumentar essa produção, pois a intenção é manter a qualidade dos vinhos.

A seguir os vinhos provados:

Cepas Nobles Sauvignon Blanc – 2009

Elaborado 100% com a uva Sauvignon Blanc, tem cor amarelo dourado e aromas herbáceos, de frutas tropicais, como o abacaxi, e de frutas brancas, como a maçã verde.

É um vinho fresco, de boa acidez e bem seco. Na boca, as frutas tropicais se sobressaem.

A graduação alcoólica é 13%.

Classificação: Bom
Preço: R$38
Onde encontrar: Importado pela Zahil. No Recife, Zahil Boa Viagem / Zahil Casa Forte - Nez Bistrô.


Cepas Nobles Cabernet Sauvignon – 2005

De cor granada e com halo aquoso, este Cabernet Sauvignon traz ao nariz frutas maduras e um leve herbáceo, com um caráter jovial.

Tem corpo médio e no paladar apresenta notas também de fruta madura e pimenta. Embora não seja um vinho novo, os taninos estão bem presentes.
Este vinho não teve passagem por madeira. Segundo Javier Carrau, ainda pode ser guardado por mais uns dois anos.

Classificação: Bom
Preço: R$38
Onde encontrar: Importado pela Zahil. No Recife, Zahil Boa Viagem / Zahil Casa Forte - Nez Bistrô


Cepas Nobles Tannat – 2005

Feito 100% com a cepa Tannat, característica do Uruguai, este Cepas Nobles teve estágio de nove meses em barris de segundo uso.

Sua cor é rubi, límpida e transparente, também mostrando um halo de evolução nas bordas. Lágrimas finas e longas aparecem na taça, enganado quanto à sua graduação alcoólica, que é apenas de 12%.

Os aromas são de frutas vermelhas, onde se sobressai jambo maduro, além de algo animal (aquele conhecido odor da uva Tannat).

Na boca, mantém as características do nariz. O corpo é médio e aparecem taninos bem domados. Perguntei a Javier se era influência da madeira, mas ele respondeu que além disso também houve um trabalho que começou na videira, com o tempo de maturação e a exposição correta ao sol.

Classificação: Muito Bom
Preço: R$38
Onde encontrar: Importado pela Zahil. No Recife, Zahil Boa Viagem / Zahil Casa Forte - Nez Bistrô


Carrau Tannat Reserva – 2007

Para Javier Carrau, este é o melhor Tannat que produzem. O seu estágio em madeira foi de 18 meses em barricas 30% novas de carvalho francês e americano, com maceração mais curta.

A sua cor é um rubi claro, bem límpido, diferente da maioria dos vinhos produzidos com a uva Tannat.

Os aromas são parecidos com o do Cepas Nobles Tannat, com o jambo maduro, as notas de estrebaria. Só que neste aparece menta e madeira, por sinal bem integrada ao conjunto.

É um vinho de corpo médio, com boa adstringência (a uva foi “amaciada”), fruta e madeira equilibrada. O final é longo e prazeroso. Tem 13% de álcool.

Minha sugestão de harmonização: cordeiro com geléia de menta.

Classificação: Excelente
Preço: R$60
Onde encontrar: Importado pela Zahil. No Recife, Zahil Boa Viagem / Zahil Casa Forte - Nez Bistrô

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tannat Viejo H. Stagnari - 2007

Quer tomar um Tannat de primeira qualidade? Este aqui me surpreendeu. Produzido por Héctor Stagnari com uvas da variedade Tannat da região de La Caballada, no Uruguai, o vinho estagiou por 12 meses em barris de carvalho e mais seis meses em garrafa.

A cor é rubi bem escura e brilhante com reflexos violáceos. Os aromas são complexos, com características de frutas vermelhas maduras, notas florais e especiarias. Na boca, mostra a adstringência típica da uva Tannat, porém com taninos de qualidade ímpar. É um vinho “carnudo”, que enche a boca com os sabores de fruta madura, como o jambo, além de chocolate e baunilha, com uma pitada de especiarias.

Tem um final deliciosamente longo. Sua graduação alcoólica é de 14%.

Classificação: Excepcional
Faixa de preço: de R$ 40 a R$ 60
Onde encontrar: Importado pela Cantu. No Recife, no RM Express.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Novos rótulos da Zahil no Recife

A importadora Zahil e o restaurante Nez, que funcionam em um charmoso sobrado na praça de Casa Forte, estão oferecendo 31 novos rótulos em suas cartas. Os vinhos podem ser comprados na loja do 1º andar ou degustados no bistrô, que também está com boas inovações no cardápio e agora abre para almoço de quinta a domingo.

Entre os vinhos estão alguns que são novidades no Brasil, como o interessante Muscadet Sèvre et Maine Sur Lie, da Domaine La Haute Fevrie, e a sua versão "Gras Moutons"; o também francês Lês Salices Pinot Noir, da Domaine François Lurton; o libanês Lês Bretéches, da Château Kefraya e o português Planalto, da Sogrape. Ainda estão na lista o chileno de sobremesa Domaine Conté Late Harvest, da Beringer Blass; dois rótulos argentinos da Rutini, nas versões Cabernet/Merlot e Cabernet/Syrah, além de seis vinhos da uruguaia Bodegas Carrau, entre eles o excelente Carrau Tannat de Reserva.

AZEITES - Recentemente, o Nez também passou a ser representante exclusivo em Pernambuco da Oliviers & Co, do grupo francês L'Occitane. A marca oferece uma incrível seleção de azeites de regiões produtoras como Andaluzia, Córsega, Peloponeso, Toscana, Sardenha e Sicília, com destaque para os óleos aromatizados de trufas.

HARMONIZAÇÃO NO NEZ

Elaborado pela Domaine La Haute Fevrie, no Vale do Loire, este elegante branco tem em sua composição a uva Melon de Bourgogne (Melon ou Muscadet), obrigatória para este tipo de vinho. De coloração clara e leve aroma cítrico, com toques minerais, a bebida mostra-se uma perfeita acompanhante para frutos do mar. Tem 12% de álcool.A harmonização sugerida é com a entrada de mexilhão ao molho de alho-poró e gratinado em crosta de ervas (R$ 21). O preço do vinho é R$ 50 na Zahil e R$ 68 no Nez.

Carrau Tannat de Reserva – 2005
Excelente vinho produzido pela Bodegas Carrau, no Uruguai, com 100% de Tannat. A vinícola conseguiu "amaciar" a uva, elaborando uma bebida de agradáveis aromas que envolvem frutas, especiarias e menta. Na boca é mais discreto, porém muito bem equilibrado. Passou 18 meses em carvalho e mais um ano em garrafa. Combina com o Carré Bordalês, elaborado com carré uruguaio ao molho de menta acompanhado de couscous marroquino e musseline de jerimum (R$65). O vinho custa R$ 52,80 na Zahil e R$ 72 no Nez.

Outros pratos experimentados no Nez e que vale a pena serem citados são o Canard de L'aquitania, um pato confit ao molho de acerola acompanhado de risoto de cogumelo (R$ 38) e a nova e deliciosa sobremesa Creme Brulée, que leva uma pêra ao vinho caramelizada sob creme Brulée com raspas de limão siciliano (R$ 16).


Serviço:
Restaurante Nez / Zahil Importadora
Praça de Casa Forte, 314
Horário: de terça-feira a sábado das 19h à 1h e quinta a domingo das 12h às 17h
Informações: (81) 3441-7873

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ingá Wine Festival desponta como uma das grandes feiras de vinho do país

Fotos: divulgação
Mais de 250 rótulos e um público de 600 pessoas. Esses foram alguns números da terceira edição do Ingá Wine Festival, realizado na última quarta-feira, no Recife. O evento reafirmou o crescente potencial do mercado de vinhos local, mostrando que o pernambucano já está entre um dos principais consumidores da bebida no país.

Estiveram presentes no Bufê Rose Beltrão, em Apipucos, cerca de 50 diferentes produtores de países do Novo e Velho Mundo, com destaque para os vinhos da Viu Manent, Lurton, William Cole, San Fabiano, Abadia Retuerta, Freixenet, Chateau La Gardine, Quinta do Morgado, entre outras. Do Brasil estiveram presentes a Cave de Amadeu, Miolo, Salton, Perini, Fante e Dom Cândido.

Os organizadores do evento, Cláudio Silva e Fabrício Navarro, comemoraram o sucesso do festival, observando que mesmo com todos os ingressos vendidos, centenas de interessados ainda ficaram de fora. Segundo Cláudio, a próxima edição provavelmente será realizada em um local de maior porte.

Pela diversidade de rótulos, dei preferência à degustação de lançamentos, de vinhos que gostaria de conhecer mas ainda não tinha experimentado, além de sugestões de amigos. A curiosidade também levou a me deparar com ótimas surpresas, como o Monte Alentejano Reserva (DFJ Vinhos – Portugal), Gimenez Mendez Premium Tannat (Gimenez Mendez – Uruguai), William Cole Mirador Selection Pinot Noir (William Cole – Chile) e Novas 100% Syrah (Emiliana – Chile).

Além desses, os destaques ficaram por conta do William Cole Mirador Selection Sauvignon Blanc (William Cole – Chile); os vinhos da Viu Manent, como o excelente Viu 1 e o Secreto Shiraz; o Serrera Gran Guarda (Serrera – Argentina), elaborado com uvas de vinhas com 90 anos; o Villard Sauvignon Blanc (Villard Fine Wines - Chile), Salton Desejo (Salton – Brasil), Gran Lurton Cabernet Sauvignon (Jacques and François Lurton - Argentina); o refrescante Versus Sauvignon Blanc/Chenin Blanc (África do Sul) e o Rívola (Abadia Retuerta – Espanha).

Todos os rótulos em exposição no Ingá Wine Festival podem ser encontrados nas lojas da Ingá, no Recife (www.ingavinhos.com.br).

Confira os comentários sobre os vinhos citados:

Monte Alentejano Reserva Tinto - 2006
Elaborado no Alentejo, em Portugal, com as castas Trincadeira e Aragonês, o vinho é produzido pela DFJ e passou nove meses em barricas de carvalho americano, francês e português. Tem 13% de teor alcoólico. Sua coloração é rubi e os aromas são complexos, mostrando notas de fruta e de baunilha. É um vinho extremamente macio e de boa persistência.



Gimenez Mendez Premium Tannat – 2006
Fiquei fascinada por este Tannat, muito bem trabalhado pela uruguaia Gimenez Mendez. Produzido na região de Las Brujas, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano de primeiro uso. Sua graduação alcoólica é de 14%. A coloração é escura, lembrando ameixa, com aromas que remetem à mesma fruta, além de menta e café. É um vinho seco e untuoso, bem equilibrado, com uma fruta bastante agradável e boa persistência. Os taninos estão bem trabalhados. Vai bem com carnes vermelhas.



William Cole Pinot Noir Mirador Selection - 2007
Um vinho de coloração brilhante e clara, típica da uva Pinot Noir. Frutas vermelhas aparecem no nariz, com um suave toque de alecrim. O frutado permanece na boca, juntamente com taninos macios. Boa persistência. Possui 13,5% de álcool e passou por 12 meses em carvalho. Produzido no Chile pela Bodega William Cole.




Novas Syrah - 2005
Mais um bom chileno degustado no Ingá Wine Festival, o orgânico Novas é produzido pela vinícola Emiliana, no Vale do Colchagua, com 100% da uva Syrah. Este foi um vinho que seduziu pelo aroma, predominante de melaço, mas ao mesmo tempo bastante complexo. Na boca, os taninos mostram-se suaves e aparece um bom corpo, o que dá bastante elegância à bebida. A graduação alcoólica é de 14,5%.



William Cole Sauvignon Blanc Mirador Selection – 2007
Um dos melhores brancos da noite, contrariando a opinião de um participante que experimentou junto comigo a bebida. Segundo ele, o vinho era chato (com pouca acidez). Não achei nada disso. Ao contrário, trata-se de um vinho com bom equilíbrio, onde aparecem notas de frutas cítricas, pêssego e minerais. Sua coloração é amarelo-palha, com reflexos esverdeados. A graduação é de 13% de álcool.



Viu 1 – 2004
O melhor vinho provado no evento. Elaborado pela chilena Viu Manent, tem em sua composição as uvas Malbec (98%) e Cabernet Sauvignon (2%). Tons rubi com reflexos violáceos na coloração. Aromas de frutas escuras, como ameixa, café e tostados surgem no nariz, revelando um delicioso buquê. Tem ótimo equilíbrio e persistência. Embora não se perceba na prova, o álcool é de 14,5%. Passou 24 meses em carvalho.



Secreto Syrah - 2005
Outro ótimo vinho da Viu Manent, este traz no rótulo uma bonita pintura da artista chilena Catalina Abbott. Feito com 85% com a uva Syrah, tem 14,8% de álcool e estagiou 90% em carvalho. Apresenta cor violeta e aromas de frutas vermelhas e eucalipto. O seu final é longo e agradável. Pode ser guardado até seis anos.




Serrera Gran Guarda Malbec- 2005
Este Malbec é proveniente de vinhas de 90 anos, localizadas em Luján de Cuyo, em Mendoza, na Argentina. Sua produção é de apenas 5570 garrafas. Trata-se de um rótulo que suporta até 10 anos de guarda e que passou 12 meses em carvalho francês, mais 12 meses em garrafa antes de ser comercializado. É um vinho muito macio e gostoso de tomar, com notas de frutas maduras, milho e chocolate, além de boa persistência.


Villard Sauvignon Blanc – 2007
Produzido no Maipo, Chile, com 100% da casta Sauvignon Blanc pela Villard Fine Wines, este vinho é extremamente fresco, com sabor e aroma de frutas cítricas e tropicais, como abacaxi e limão. Tem boa acidez e corpo, mostrando na boca leveza e bom paladar. O teor alcoólico é 14%.



Salton Desejo Merlot – 2005
Um dos bons brasileiros expostos foi o Salton Desejo Merlot. Metade dele permaneceu em barricas de carvalho francês por 12 meses e a outra parte ficou o mesmo período em barris de carvalho americano. Depois disso, ainda passou 9 meses em garrafa. Coloração violeta bem escura, com ótimo aroma de ameixa, chocolate, baunilha e coco. Na boca é elegante e tem sabor prolongado.


Grand Lurton Cabernet Sauvignon – 2004
Produzido por Jacques and François Lurton na região de Tupungato e Vista Flores, em Mendoza, na Argentina, o Gran Lurton foi feito com uvas Cabernet Sauvignon colhidas bem maduras. O estágio de 12 a 14 meses em carvalho refletiu no aroma, que traz toques sutis de madeira mesclados com frutas vermelhas, tabaco e tostados. É um vinho concentrado, que mantém a elegância da madeira na boca por um longo tempo. A graduação alcoólica é de 14%.


Rivola - 2004
Este vem da Espanha, produzido pela Abadia Retuerta. Tem em sua composição as cepas Tempranillo (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). Tem aromas tostados com notas de especiarias. O sabor é de frutas vermelhas, mentolado e picante. É um vinho delicado e muito agradável, de ótima complexidade. Tem 14% de álcool e passou por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.