quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Joe Berardo: um adorável excêntrico por trás da marca Bacalhôa

Por trás da sólida marca portuguesa de vinhos Bacalhôa está uma figura digna de uma biografia: o comendador José Manuel Rodrigues Berardo, ou simplesmente Joe Berardo, como gosta de ser chamado. Dono de grande carisma (fala com desenvoltura sobre qualquer assunto), ele figura entre as dez pessoas mais ricas de Portugal e é hoje um dos maiores colecionadores de obras de arte do mundo.

Joe Berardo tornou-se o principal acionista da Bacalhôa Vinhos de Portugal em 1998, quando deu início ao plantio de novas vinhas, modernização das adegas e compra de novas propriedades. Em 2008, comprou a Quinta do Carmo e criou uma parceria com o grupo francês Lafitte Rothschild.

Este simpático homem, que tive a oportunidade de conhecer através do importador Licínio Dias, só estudou até os 13 anos de idade e partiu logo cedo, aos 18, para aventurar-se na África do Sul, onde trabalhou inicialmente com colheita de legumes. Com forte tino para negócios, logo estaria no ramo de exploração de minas de ouro. Naquele continente fez amizades, conheceu políticos e deu o pontapé inicial aos seus negócios, que hoje, como bem diz ele, são “incontáveis”. Foi lá onde também conheceu Carolina, sua esposa, com quem teve um casal de filhos.

Além de vinícolas, o bilionário Joe Berardo comanda negócios nas áreas de telecomunicações, hotelaria, bancos, tabaco, entre outras, e ainda dá conta de cinco museus, jardins faraônicos e uma Fundação, que é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, voltada, essencialmente, para a educação, saúde e cultura. Em 20 anos, a entidade concedeu 16 mil bolsas de estudo em Portugal.

No seu acervo estão mais 40 mil peças – as mais antigas são fósseis com cerca de 400 mil anos. O comendador é dono, ainda, da maior coleção de art déco (movimento popular internacional de design de 1925 até 1939) do mundo.

Na Quinta dos Loridos, em Leiria, Portugal, está uma das coleções mais impressionantes de Berardo. Ele mandou construir no local o Budda Eden, jardim oriental de 35 hectares, ornamentado com cerca de seis mil toneladas de mármore e granito. Budas gigantes, lanternas, estátuas de terracota e várias esculturas tornam a paisagem impressionante aos olhos de qualquer visitante.

VINHOS – Outra grande paixão deste adorável excêntrico, além das artes, é o vinho. Para “juntar o útil ao agradável”, ele resolveu adquirir a Bacalhôa, empresa fundada em 1922. O Grupo Bacalhôa dispõe de adegas nas regiões mais importantes de Portugal: Alentejo, Península de Setúbal (Azeitão), Lisboa, Bairrada, Dão e Douro. Tem capacidade total de 20 milhões de litros, 15 mil barricas de carvalho e uma área de vinhas em produção de cerca de mil hectares.

Berardo foi o idealizador do Palácio da Bacalhôa, vinho “top” da marca que traz no rótulo, a cada safra, um pensamento seu estampado. Na garrafa de 2005, por exemplo, a mensagem diz: “apreciar este néctar purifica minha alma e me inspira a uma vida mais longa”.


Que seja assim: vida longa ao comendador!

Confira nos próximos posts os comentários sobre os vinhos provados durante o encontro com Joe Berardo.

1 comentário

João Marcos Bueno Afonso de Barros Santos disse...

fabiana muito bom seu blog, entrei aqui por recomendação de Mariana Lobo e logo virei fã, aliás você inpirou a postagem do meu blog essa semana que é sobre o mesmo produtor... depois dá uma olhadinha ... abraço.
http://invinove.blogspot.com/2011/11/bacalhoa.html