terça-feira, 11 de novembro de 2014

Wine & Soul e Quinta do Passadouro: encantos do Douro na taça

Eleito enólogo do ano pela revista Wine de Portugal em 2008 e 2011, Jorge Serôdio Borges (foto) é referência mundial quando se fala em vinhos do Douro. Além de prestar consultoria para vários produtores da região, ele está à frente da Quinta do Passadouro e desenvolve o projeto pessoal Wine & Soul junto com sua esposa, Sandra Tavares, que também é enóloga. A convite da Adega Alentejana, almocei com ele na última quinta-feira e pude conhecer mais sobre o seu encantador trabalho.


WINE & SOUL - Tudo começou em 2001, quando Jorge e Sandra decidiram fazer o seu primeiro vinho juntos. Compraram um velho armazém de vinho do Porto e compraram de um produtor da região uvas de uva vinhas com mais de 70 anos. Em 2003, adquiriram estas mesmas terras, com uma área de 2,5 hectares e mais de 30 diferentes variedades plantadas. Em 2008, eles receberam como herança a Quinta da Manoella, propriedade que pertence à família de Jorge há mais de 200 anos, o que aumentou a área de plantio do projeto para 20 hectares.

O primeiro vinho produzido foi o notável Pintas, que recebeu este nome em homenagem ao cachorro de estimação do casal. Depois veio o branco Guru, o Pintas Character, o Manoella e o Quinta da Manoella Vinhas Velhas. Jorge e Sandra ainda produzem uma pequena quantidade de vinho do Porto e do excelente azeite extra Virgem Pintas.

QUINTA DO PASSADOURO – Em 1991, o empresário alemão Dieter Bohrmann decidiu comprar a antiga propriedade, datada do século 18, situada no vale do Rio Pinhão. Ele acreditava que ali, além do produzir vinhos do Porto, era também possível elaborar vinhos de qualidade premium. Para colocar em prática o projeto, convidou Jorge Serôdio Borges.

Bohrmann faleceu em 2011, mas sua filha continuou o trabalho, adquirindo posteriormente a Quinta do Síbio, no Vale do Roncão – área reconhecida pela vocação para vinhos do Porto. Em ambos os projetos eles mantêm a tradição da pisa a pé. A Quinta do Passadouro também produz pequenas quantidades de azeite.

Confira as minhas impressões sobre os vinhos provados durante encontro, que aconteceu no tradicional restaurante Leite, no Recife:

Guru Branco 2012

Este branco chegou à mesa depois de ser decantado por meia hora. Segundo Jorge Serôdio, a aeração beneficia a bebida, que foi feita para envelhecer. Elaborado com as castas Códega do Larinho, Gouveio, Rabigato e Viosinho, cultivadas a 600 metros de altitude, o vinho estagiou seis meses em carvalho francês. Sua cor é amarelo palha com reflexos dourados. O aroma revela notas florais, de frutas brancas e um leve tostado. Paladar de excelente acidez, com características minerais e final prolongado, trazendo de volta as sensações do nariz. Apesar dos 12,5% de álcool é um vinho com boa presença de boca. Muito elegante.



Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 220
Onde encontrar: No Recife, no RM Express e Lacomex.

Passadouro Tinto 2011

Elaborado com as variedades Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e castas provenientes de vinhas velhas, o vinho apresenta coloração rubi com traços violáceos. No nariz surgem aromas de frutas vermelhas maduras, que se juntam a notas de caramelo, café, mentol e especiarias, compondo um interessante bouquet. Paladar fresco, de taninos sedosos e final persistente. O sabor remete às características do olfato. O vinho estagiou em barricas de carvalho francês por 16 meses. Apenas 30 mil garrafas foram produzidas nesta safra. A cada ano, o rótulo retrata um diferente animal da fauna local. Tem 14% de álcool.


Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: R$ 120
Onde encontrar: No Recife, no RM Express.

Pintas 2012

Sem dúvida, um dos melhores representantes do Douro. Produzido com mais de 30 uvas provenientes de vinhas com mais de 70 anos de idade, o vinho tem produção limitada de cinco a seis mil garrafas por safra. É elaborado com o método de pisa a pé e fermenta em lagares com controle de temperatura. Seu estágio foi de 18 meses em barris de carvalho especialmente fabricados em duas tanoarias francesas. Mostrou na taça uma coloração rubi violácea. O rico e envolvente aroma traz notas de ameixa fresca, eucalipto, café, baunilha, canela e outras especiarias. Na boca é marcado pelo equilíbrio entre os seus elegantes taninos e a boa acidez. Um vinho fresco, macio e de sabor muito prolongado. Tem 14,5% de álcool.


Classificação: Excelente/Excepcional.
Média de preço: R$ 440
Onde encontrar: No Recife, no RM Express e Lacomex.

Wine & Soul Tawny 10 anos

Segundo Jorge, este é um Porto que na verdade tem 15 anos. Não é filtrado e sua produção é apenas de 2.500 garrafas. Produzido com mais de 20 castas provenientes de vinhas com mais de 50 anos de idade. A coloração é granada e o aroma sugere notas de amêndoas, nozes, fruta-passa, café e caramelo, com um leve toque de especiarias, como anis estrelado. Boa doçura, equilibrada pela acidez presente. Untuoso e potente, porém com um conjunto elegante conferido pelas características do sabor. Tem 19,5% de álcool.


Classificação: Excelente.
Média de preço: R$ 205
Onde encontrar: No Recife, no RM Express e Lacomex.