quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Grandes momentos de 2011: degustação de safras antigas de vinhos brasileiros

Fotos: Daniela Villar
“Longa Vida ao Vinho Brasileiro” – este foi o tema de um painel realizado pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), em setembro passado, na vinícola Dal Pizzol, no distrito de Faria Lemos, em Bento Gonçalves, RS, e que tive a felicidade de participar. Esta foi, sem dúvida, uma bela oportunidade de comprovar que muitos vinhos brasileiros têm, e muito, potencial de envelhecimento.

Além da própria Dal Pizzol, outros produtores participaram do encontro, levando algumas preciosidades para ser degustadas naquele momento. Foram elas: Don Laurindo, Pizzato, Maximo Boschi e Cave Geisse.

Todos os produtores foram unânimes em afirmar que a safra de 2005 foi “5 estrelas”. O enólogo da Dal Pizzol, Dirceu Scottá, informou que no início era tudo rudimentar: “não havia controle de temperatura, nem adição de leveduras, por exemplo”. Flávio Pizzato, da vinícola Pizzato, revelou que nas primeiras tentativas os vinhos saíram “bem ácidos”. Ele também destacou que além de 2005, os anos de 91 e 99 foram de boas safras.

A Maximo Boschi, a vinícola novata do grupo, que teve sua 1ª safra no ano de 2000, começou a comercializar seus vinhos apenas 2005. “Somos contra a padronização. Fazemos vinhos para um mercado que ainda não existe no Brasil”, ressaltou o enólogo e sócio da empresa, Renato Savaris. Seus rótulos saíram-se muito bem na prova.

Representando a Don Laurindo, Ademir Brandelli, que trouxe o rótulo mais antigo, de 1994. Já a Cave Geisse, representada por Rodrigo Geisse e pelo enólogo Carlos Abarzua, abriu um exemplar da espetacular Cave Geisse Brut, safra 1998.

Vamos ao resultado da degustação:

Dal Pizzol Assemblage Millenium (1995/1998/1999)

Produtor: Dal Pizzol.
Origem: Faria Lemos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor evoluída. Granada com toques alaranjados. Halo aquoso.
Olfato: Fruta ainda plena. Uva passa, mentolado, notas balsâmicas.
Paladar: Fruta também ainda viva, toques tostados, café, azeitona preta. Média persistência.
Outras considerações:

Na minha opinião, o vinho está mais gostoso no nariz. É um assemblage das safras 1995,1998 e 1999, que foi apenas engarrafado no formato Jeroboan (3 litros) e comercializado no ano 2000.

Classificação: Muito Bom.

Dal Pizzol Merlot - 2001

Produtor: Dal Pizzol.
Origem: Faria Lemos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor granada com traços atijolados. Bem límpido e transparente. Halo aquoso.
Olfato: Fruta passa, caramelo, café.
Paladar: Traz para a boca as mesmas sensações sentidas no olfato, junto com notas de amêndoas. Taninos ainda ativos. Leve persistência.
Outras considerações: Pela vivacidade dos seus taninos, o vinho mostra que ainda está “a postos”. Porém, acredito que este não tem tanto potencial de guarda quanto o Dal Pizzol Millenium.

Classificação: Muito Bom.

Don Laurindo Cabernet Sauvignon – 1994

Produtor: Don Laurindo.
Origem: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor granada clara, com tons alaranjados. Halo aquoso. Lágrimas finas e presença de sedimentos.
Olfato: Ótima complexidade e muito agradável. Cassis, anis, café, fruta madura, baunilha, noz moscada e cânfora.
Paladar: Muito vivo, com taninos ainda ativos. A fruta vermelha madura aparece junto com notas de frutas secas e levíssima especiaria. Média persistência.
Outras considerações: O vinho maturou em pipas usadas para grappa (aguardente de uva) revestidas internamente com verniz. A graduação alcoólica é de 11,5%.

Classificação: Excelente.

Don Laurindo Tannat – 1996

Produtor: Don Laurindo.
Origem: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor granada com reflexos atijolados. Halo aquoso bem aparente. Presença de sedimentos.
Olfato: Fruta ativa, mentol, café, toques terrosos.
Paladar: Taninos de ótima qualidade, leve apimentado. Um vinho com persistência, que enche a boca.
Outras considerações: Sua graduação alcoólica é de 13%. Ainda continua a evoluir na garrafa.

Classificação: Excelente.

Pizzato Merlot – 1999

Produtor: Pizzato.
Origem: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor rubi brilhante, com halo de evolução. Lágrimas finas.
Olfato: Frutas vermelhas, cânfora, amêndoas, pimenta do reino e cominho.
Paladar: Bastante apimentado. Notas de café e baunilha.
Outras considerações: Esta foi a primeira safra da Pizzato. O vinho estagiou em barricas novas de carvalho por cinco meses. Ainda evolui.

Classificação: Muito Bom.

Pizzato Cabernet Sauvignon – 2000

Produtor: Pizzato.
Origem: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor granada com tons alaranjados na borda.
Olfato: Muito agradável. Frutas vermelhas, floral, café, mentol, ligeiro apimentado.
Paladar: Traz para as boca as características do nariz. Taninos de qualidade. Médio a encorpado. Boa persistência, com final apimentado e com toques de café.
Outras considerações: Seu teor alcoólico é de 12,5%. Ainda evolui.

Classificação: Muito Bom/Excelente.

Maximo Boschi Merlot – 2000

Produtor: Maximo Boschi.
Origem: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor granada.
Olfato: Amoras, eucalipto, chocolate branco.
Paladar: Médio corpo, taninos macios, discreta madeira.
Outras considerações: Teve estágio de oito meses em carvalho francês. Sua graduação alcoólica é de 12,8%. Foram produzidas apenas 3.920 garrafas.

Classificação: Muito Bom/Excelente.


Maximo Boschi Cabernet Sauvignon – 2000


Produtor: Maximo Boschi.
Origem: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor granada, lágrimas finas. Apresenta sedimentos.
Olfato: Frutas vermelhas, pimentão, tostado.
Paladar: Bom corpo e acidez, média persistência, taninos vivos. Final com notas de azeitona preta doce.
Outras considerações: O vinho estagiou um ano em carvalho francês. Tem 12,5% de álcool. Ainda vai evoluir.

Classificação: Bom/Muito Bom.


Cave Geisse Brut – 1998

Produtor: Cave Geisse.
Origem: Pinto Bandeira, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Visual: Cor amarelo ouro. Bolhas finas, persistentes, em média quantidade.
Olfato: Leve abacaxi, brioche, frutas secas.
Paladar: Acidez incrível, boa cremosidade. Notas de fermento e tostado.
Outras considerações: Elaborado pelo método Champenoise, este incrível espumante foi elaborado com as castas Chardonnay (70%) e Pinot Noir (30%). Neste exemplar provado, o dégorgement havia sido feito há apenas dois meses. Possui 7g/L de açúcar. Apenas 1.500 garrafas foram produzidas. Em setembro passado, ainda restavam 280 unidades. O valor de uma garrafa, que só é comercializada no formato Magnum (1,5 L), é de R$ 600. Trata-se de um espumante delicadíssimo, que mostra perfeição em casa nuance. Uma jóia do Brasil.

Classificação: Excepcional.