segunda-feira, 28 de setembro de 2009

15º encontro da Confraria Amigos do Vinho do Vale do São Francisco (Cavas)

O Espaço Gourmet da Ingá Vinhos Finos, em Casa Forte, no Recife, foi o lugar escolhido para o 15º encontro da Confraria Amigos do Vinho do Vale do São Francisco (Cavas). Mais uma vez, os organizadores Ricardo e Gustavo Lustosa conseguiram realizar um prestigiado encontro, que desta vez contou com a ilustre presença do professor e escritor Ivan Miranda de Araújo e uma interessante apresentação de “degola do espumante”, executada pelo confrade Otávio Moraes.

Na ocasião, os participantes puderam conhecer um pouco sobre o livro “Viagem ao Mundo do Vinho”, lançado recentemente por Ivan Miranda, advogado e estudioso dos vinhos, além de conferir a técnica de abertura da garrafa de espumante com um sabre, a “sabrage” (foto). O método era utilizado por Napoleão Bonaparte no século XIX para abrir as garrafas de champagne durante as comemorações de suas vitórias em batalhas.

O encontro ainda contou com a presença de dois Claúdios. O primeiro, padre, capelão da Marinha, que enriqueceu a noite com um relato sobre vinho e religião. O outro, proprietário da Ingá, que deu uma palhinha sobre os vinhos, dividindo comigo a missão de falar sobre as “estrelas da noite”.

Por falar em estrela, a chef Kácia Nogueira estreou na Cavas preparando o menu da noite, que foi muito bem harmonizado com a bebida. O toque final ficou com a sobremesa, onde entrou a manga Kent, produzida na Vale do São Francisco. A fruta não possui fibras, tem gosto delicioso e pode ser saboreada de colher. Só provando!

Confira o resultado da degustação:

Entrada: Vol au vent de abobrinha e queijo coalho

Espumante Casa Perini Brut Champenoise

Mais um espumante leve e elegante da gaúcha Casa Perini, elaborado pelo método tradicional (Champenoise), com fermentação lenta na própria garrafa. Com 11,8%, tem em sua composição as uvas Chardonnay e Pinot Noir, esta última em menor quantidade. Sua coloração é amarelo palha bem claro, com leves reflexos dourados. Boa quantidade e qualidade de gás carbônico, produzido bolhas finas e de grande persistência.

No nariz tem caráter cítrico, incluindo ainda toque amendoado. O gosto também é cítrico, envolvendo notas de maçã. Apresenta pouca cremosidade, mas oferece um ótimo frescor e acidez, sendo boa opção para acompanhar entradas, pratos leves ou apenas bebericar. O amargorzinho final dá o charme.

Classificação: Muito bom.

Prato principal: Filé de cordeiro envolto em folha de chaya. Risoto de shitake e shimeji com grano padano, geléia de pimenta e farofa de nozes.

Avondale Reserva Syrah – 2005

Como disse o confrade Gustavo, este é um “vinhaço” sul africano. Produzida na região do Coastal, exclusivamente com a uva Syrah, a bebida estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.

O resultado é um vinho de cor rubi com reflexos violeta, e de aromas gostosos e com boa complexidade, entre os quais pude identificar frutas escuras (ameixa bem marcante), baunilha e fumo. Na boca, a ameixa e a baunilha aparecem novamente, tudo muito bem integrado com a madeira. Boa persistência e ótima presença na boca. O teor alcoólico é de 14,5%, mas passa despercebido devido à sua maciez.

Classificação: Excelente.

Serrera Syrah – 2005

A escolha deste rótulo foi interessante para podermos comparar vinhos da mesma variedade, porém de terroirs diferentes. O segundo Syrah da noite veio da Argentina, mais precisamente da região de Lujan de Cuyo, em Mendoza. Com 14% de graduação alcoólica, passou por seis meses de carvalho.

Tem bela cor rubi, com finas e longas lágrimas em tons violeta. Inicialmente, achei o álcool um pouco pronunciado no nariz, mas nada o que uma boa “respirada” (deixar o vinho por um breve período em contato com o oxigênio) não resolva. Sugiro decantá-lo. Após a respirada, surgem notas de morango, chegando a lembrar até compota. Também aparece baunilha, especiarias e defumado. Na boca, apresenta taninos de ótima qualidade, fruta e madeira na medida certa. Acho que ainda tem a evoluir na garrafa.

Classificação: Muito bom.

Sobremesa: Copinho de panna cotta (nata cozida/creme de leite cozido), manga Kent e gelatina de tangerina.

Flor de Torrontés Reserva – 2007

Para fechar a noite, o rótulo escolhido foi um argentino também produzido na região de Lujan de Cuyo, em Mendoza, por Jacques e François Lurton, filhos de André Lurton, conceituado produtor da região de Bordeaux, na França. Este branco é feito com a aromática uva Torrontés, que é junto com a tinta Malbec, símbolo da Argentina.

Na taça, mostra coloração amarelo pálida e traz um aroma bem floral e de frutas tropicais. Já no paladar, mostra ótima acidez, mantendo o frutado e com um interessante toque de menta. Caiu perfeitamente com a sobremesa, que tem doçura praticamente no mesmo nível do vinho. O vinho também deve cair super bem com comida japonesa e salada de frutas. Sua graduação é de 13,5%.

Classificação: Muito bom.

FOTOS - Quem quiser conferir mais imagens do evento, captadas pelas lentes do confrade Haroldo, é só clicar aqui. A senha é: cavas.

5 comentários

Kácia disse...

Fabiana!!!!
Linda sua matéria, obrigada pelo estrela!!!!!
Beijos,
Kácia Nogueira!

Ricardo Sampaio Lustosa disse...

Prezada Fabiana, quero mais uma vez agradecê-la pela participação no 15º CAVAS e pelos elogiosos comentários no blog.
Realmente foi uma grande noite. E esta é proposta da CAVAS: encontros descontraídos, bons vinhos, boas comidas, bons ambientes e oportunidades para todos.
Kacinha Nogueira fez por merecer. Ela está bem preparada e nos serviu um delicioso cardápio. Iremos convidá-la outras vezes.
Não posso deixar de registrar também as honrosas participações dos professores Otávio Moraes, que "degolou seis garrafas de espumante" com o seu poderoso Sabre e Ivan Miranda, que lançou o seu livro "Viagem ao mundo do vinho". Sem dúvida, uma importante obra para aqueles que apreciam essa bebida milenar.
Prá completar, ainda fomos agraciados com a participação do Padre Cláudio, sempre brilhante com os seus comentários relacionados ao vinho e à religião e dos proprietários da Ingá, Cláudio, Márcia e Cláudia.
Enfim, foi uma noite de muitas atrações, que culminou com a sobremesa feita com a manga Kent, produzida em Belém do São Francisco pelo confrade Paulo Dantas, maior produtor brasileiro.

Cláudio disse...

Prezada Fabiana,
Muito obrigado por me incluir nesta sua bela matéria. Foi um evento enriquecedor para todos nós: o Ricardo e o Gustavo estão de parabéns pela organização.
Saudações,
Pe. Claudio Jacinto

Gustavo Lustosa disse...

Enoprezada confrade Fabiana, obrigado pela publicação e pelas doutas matérias a cerca do evento. Torna-se cogente seu vasto conhecimento. Ao postar-lo, concede-nos a possibilidade de revivê-lo (quando comentamos) e de “religá-lo” noutras pessoas e noutros apriscos (conforme nos instrui o confrade Pe Cláudio). Os comentaristas anteriores já teceram os acontecimentos do evento. No entanto, quero proferir a qualidade dos nossos membros. São confrades: Jornalistas, Padres, Médicos, Juízes, Advogados, Empresários, Engenheiros, Reitores, Chefs, Procuradores, .... Nos eventos somos: palestrantes, fotógrafos, “sabreadores”, iniciantes, organizadores, mestres de cerimônia, garção, escanção, ...., enfim, nós efetivamente participamos da confraria. Como Ricardo diz: somos diferentes. Digo mais, Fabiana, esta sua confraria é singular.

Tássia disse...

=]
foi ótimo.