Aproveitando o tema de fevereiro da Confraria Brasileira de
Enoblogs (CBE), sugerido pelo confrade Alexandre Frias (Blog Diário de Baco),
aproveitei a ocasião do lançamento do cava Freixenet Ice (saiba mais) para inventar algumas
misturas em casa. A pedida foi a seguinte: “drinks de verão com vinho e
espumante”
Confesso que sou purista e me recuso acrescentar outra
bebida alcoólica ao vinho. Então segui a proposta da Freixenet de acrescentar
pedras de gelo no cava e usei apenas frutas e elementos naturais nas minhas
preparações. Gostei de todas as opções, mas vou numerar, por ordem de
preferência, as que mais gostei. Lembrando que em todas elas usei três pedras
de gelo e meia taça grande com o espumante.
1 – Freixenet Ice com lichia: Usei a popa de três ou quatro
lichias partidas em pedaços e misturei à bebida. O sabor da fruta integrou-se
muito bem ao do espumante, formando um drink muito fresco e “mastigável”, já
que no final você pode apreciar o sabor da lichia embebida no cava.
2 – Freixenet Ice com morango: Parti três ou quatro
morangos em rodelas. O aroma e o sabor da fruta predominam, compondo um drink bem
saboroso e fresco, igualmente “mastigável”.
3 – Freixenet Ice com hortelã e gengibre: Juntei algumas
folhas de hortelã a pequenos pedaços de gengibre macerados e acrescentei à
bebida. O resultado foi um imenso frescor, com um sabor levemente exótico.
Espero que tenham curtido. Eu adorei e vou repetir a dose!
Aqui no Recife, o cava Freixenet Ice custa entre R$ 70 e R$ 80. A importação é da Licínio Dias (LD) Importação.
A Freixenet, maior produtor de espumantes de denominação
Cava da Espanha, reforçou a sua presença mundial com o lançamento de mais um
produto: o Cava Freixenet Ice. A marca segue uma tendência lançada pelas casas
de Champagne, na França, de elaborar espumantes feitos para serem tomados com
gelo, propícios para a preparação de drinks. A ideia da Freixenet é atrair
novos e jovens consumidores, com uma proposta “fresh, fácil e chic”.
O lançamento no Brasil chegou numa época bem adequada, quando
os termômetros registram altas temperaturas.
No Recife, o lançamento da marca aconteceu com uma ação no restaurante Alphaiate,
com a preparação de drinks por um barman, no charmoso carrinho Freixenet Ice. Posteriormente,
foi feita uma apresentação para a imprensa, no Boteco Porto Ferreiro. As
iniciativas também foram para apresentar o novo importador da Freixenet na
região: a Licínio Dias (LD) Importação. A meta é comercializar 36 mil garrafas
de Cava em 2017.
Antes de falar especificamente sobre os produtos, explicarei
um pouco sobre Cava e a Freixenet.
CAVA – O Cava surgiu na região da Catalunha, no Norte da
Espanha. Seu nome faz referência à palavra cava, que significa cave ou adega. É
elaborado através do método tradicional, com segunda fermentação em garrafa (o
mesmo usado em Champagne). Inclusive, tem inspiração na própria bebida
francesa, que os espanhóis já conheciam desde o século 18. Mas foi só na
primeira metade do século 19 que eles começaram a produzir o seu próprio
espumante.
Em 1879, a Espanha foi acometida pela praga Filoxera, que já
vinha dizimando os vinhedos da França há alguns anos. Sabendo que mais cedo ou
mais tarde a doença também chegaria às suas plantações, os espanhóis trataram
de estudar soluções para o problema e descobriram que três variedades nativas
da região eram resistentes à praga: as uvas Xarel-lo, Macabeu e Parellada. Foi
com essas cepas brancas que os espanhóis começaram a elaborar o Cava e, nesse
período, passaram por um crescimento econômico, fornecendo bebida aos sedentos
franceses que viram sua produção despencar com a Filoxera.
Somente em 1979 a palavra Cava foi adotada para identificar
a bebida e em 1986 a Denominação de Origem (D.O.) foi regulamentada. A
principal parte da produção (90%) se concentra na Catalunha, mais
especificamente na região de Penedès, que tem Sant Sadurní d’Anoia (onde está
localizada a Freixenet) como “Capital do Cava”. Além da Catalunha, também podem
produzir Cava as regiões de La Rioja, Alava, Navarra, Zaragoza, Valencia e
Badajoz. Na regulamentação da D.O. ainda foi permitido se usar, além do trio
Xarel-lo/Macabeu/Parellada, as
variedades brancas Chardonnay e Malvasía Riojana (Subirat Parent) e as tintas Pinot
Noir, Monastrell e Trepat.
FREIXENET – Em 1861, na região de Penedès, Francesc Ferrés começou a comercializar os vinhos que
já produzia para consumo próprio. Anos depois, seu filho Pedro casa-se com
Dolores Sala Vivé, da renomada vinícola Casa Sala. Ela era uma grande
conhecedora da produção de vinhos e Pedro um homem de negócios. Foi então, que
em 1914 eles batizaram a Freixenet em homenagem ao vinhedo chamado La
Freixeneda, local que Pedro frequentava desde muito pequeno e que existe até
hoje.
Nos anos 30, Pedro consolida o sonho de expandir os negócios
pelo mundo com a abertura de um escritório em New Jersey, nos Estados Unidos.
Mas foi nos anos 40 que a empresa passou para as mãos de Dolores e de suas três
filhas, uma vez que Pedro e o filho mais velho do casal morreram na triste
Guerra Civil espanhola. Nos anos 50, a “dama do Cava” se aposenta e passa o
comando para o filho Josep Ferrer Bosch, que deu início a uma enorme fase de modernização
na Freixenet.
A vinícola foi a responsável pela introdução da técnica de
resfriamento de tanques, pela invenção da prensa pneumática e das giropaletas, máquinas
que fazem o "remuage" (giro e inclinação diário das garrafas durante
a segunda fermentação para que os sedimentos se depositem no gargalo da garrafa
para depois serem expulsos pela técnica de “degorgement”).
Atualmente, a Freixenet está presente em mais de cem países,
com uma produção de cem milhões de garrafas por ano. Continua nas mãos da
quinta geração da mesma família e tem como diretor técnico o enólogo Josep
Bujan, que está na empresa desde 1980.
Confira as minhas impressões sobre os cavas provados:
Freixenet Ice Cuvée Especial
De coloração amarelo palha com traços esverdeados, tem um
bom perlage, com bolhas finas e persistentes. O aroma vai do floral ao frutado,
envolvendo notas de damascos, pêssego e um leve cítrico. Na boca mostra-se
cremoso, com boa presença de “agulha”, causada pelas borbulhas e sabor
levemente adocicado, com acidez bem presente. É elaborado com as variedades Macabeo,
Parellada e Xarel-lo, com um toque de Chardonnay para conseguir mais
intensidade e equilibrar o efeito do gelo. Achei bastante refrescante e não
enjoativo. Dá para preparar drinks refrescantes e gostosos usando somente o
Cava junto com gelo, frutas e folhas de hortelã. A bebida foi envelhecida entre
12 e 14 meses e apresenta 45 g/l de açúcar, o que lhe caracteriza como semi seco.
Classificação: Muito Bom/Excelente.
Freixenet Cordon Rosado Gran Selección Brut
Elaborado com as uvas tintas Trepat e Garnacha, é um
espumante muito fresco e delicado, de coloração cereja e com boa intensidade de
borbulhas. O aroma traz notas de frutas vermelhas silvestres, como morango e
framboesa. Também mostra toques de frutas secas. No paladar destacam-se sua
leveza e o sabor frutado, amparado pela boa acidez da bebida. Final prolongado.
Sua maturação foi de 12 a 18 meses.
Classificação: Excelente.
Freixenet
Cordon Negro Gran Selección Brut
O Cava ícone da Freixenet tem as três uvas clássicas da
região em sua composição: Macabeo, Xarel-lo e Parellada. Na taça, apresenta cor
amarelo palha com tons esverdeados, borbulhas finas e persistentes. No olfato
aparecem notas de pera, abacaxi e um toque cítrico. As mesmas sensações são
percebidas no paladar, que é fresco, cremoso e persistente. Envelheceu de 18 a
24 meses.
Classificação: Excelente.
Freixenet Carta Nevada Premium Cava
Também produzido com as uvas Macabeo, Xarello e Parellada,
tem 38 g/l de açúcar, o que lhe classifica como semi seco. A coloração é amarelo palha com
reflexos dourados. As borbulhas são de tamanho médio, mas com boa intensidade.
Predominam no nariz as notas florais e frutadas, lembrando cajá. Na boca apresenta
acidez média, leve adocicado e boa cremosidade. Foi envelhecido de 12 a 18
meses. Vai bem com sobremesas que mesclam o doce/salgado.
Classificação: Muito Bom.
SERVIÇO: Os cavas Freixenet Ice custam entre R$ 70 e R$ 80. No Recife
e Região Metropolitana podem ser encontrados em lojas como Casa dos Frios,
Portus, DLP e Tia Dulce (Olinda).
O 33º encontro da Cavas (Confraria Amigos do Vinho Vale do
São Francisco), realizado na última semana, no La Cuisine Petit Comité
(Recife), contou com a presença do enólogo português Alexandre Relvas (foto), que
elabora os vinhos Herdade São Miguel. O evento foi uma parceria com a Cantu, importadora
das bebidas para Brasil.
Localizada em Redondo, no Alentejo, a Casa Agrícola Alexandre
Relvas é uma empresa familiar que produz diferentes linhas de vinhos, sob a
marca Herdade São Miguel. Eles possuem 175 hectares de área total, dos quais 35
hectares são cultivados com vinhedos, em solos derivados de xisto. Também
cultivam sobreiros para a produção de cortiça ainda dedicam-se à preservação de
espécies autóctones portuguesas com perigo de extinção, tais como o 'Burro de
Mirandela' e o 'Garrano do Gerês'.
Os vinhos foram provados num jantar harmonizado, regado a
bastante conversa e descontração, assim como costumam ser os encontros da
Cavas.
Confira as avaliações dos vinhos degustados:
Ciconia Vinho Verde 2012
Tipo: Branco.
Produtor: Casa Agrícola Alexandre Relvas | Herdade São Miguel.
Origem: Minho, Portugal.
Visual: Amarelo palha, com discretas bolhinhas de gás carbônico.
Olfato: Floral e cítrico.
Paladar: Leve e refrescante, com ligeira sensação de “agulha” provocada pelo
gás carbônico. Boa acidez.
Outras considerações: Produzido em parceria com um produtor do Minho, região
dos Vinhos Verdes, este branco tem em sua composição as uvas Avesso, Azal e
Loureiro. Vai bem nos dias mais quentes. Tem 10,5% de álcool. A harmonização foi com uma pescada amarela com crosta de amêndoas acompanhada de linguini de legumes na manteiga. Classificação: Bom.
Faixa de preço: R$ 37
Herdade da Pimenta 2010
Tipo: Tinto.
Produtor: Casa Agrícola Alexandre Relvas | Herdade São Miguel.
Origem: Alentejo, Portugal.
Visual: Cor rubi brilhante.
Olfato: Tem características dos vinhos do Novo Mundo, como frutas vermelhas
maduras, especiarias e mentol.
Paladar: Mais comportado que no nariz, mostra fruta discreta, notas tostadas e
de caramelo.
Outras considerações: Assemblage das variedades Alicante Bouschet (50%),
Touriga Franca (25%) e Touriga Nacional (25%). Amadureceu nove meses em
carvalho francês. Sua graduação alcoólica é de 14%. Seu nome faz referência à
antiga utilização do terreno onde as uvas que lhe deram origem são cultivadas:
uma plantação de pimenta rosa. Foi servido com um risoto de cordeiro com lascas de linguiça calabresa e tomates pelados.
Classificação: Bom.
Faixa de preço: R$ 80
Herdade São Miguel Escolha dos Enólogos 2010
Tipo: Tinto.
Produtor: Casa Agrícola Alexandre Relvas | Herdade São Miguel.
Origem: Alentejo, Portugal.
Visual: Cor rubi brilhante.
Olfato: Frutas vermelhas frescas, café e especiarias.
Paladar: Equilibrado e elegante, exibindo novamente as impressões do nariz.
Outras considerações: Um vinho bem estruturado, com passagem de seis meses em
carvalho francês. Tem em sua composição as castas Cabernet Sauvignon, Touriga
Franca e Touriga Nacional. Foi bem com um filet au poivre.
Classificação: Muito Bom/Excelente
Faixa de preço: R$ 105
No Recife, os vinhos podem ser encontrados na Cantu:
O restaurante Nabuco, em Boa Viagem, no Recife, foi o local escolhido para a realização do 29º encontro da Confraria Amigos do Vinho Vale do São Francisco (Cavas), que aconteceu na última semana. Muito prestigiado, como sempre, o evento foi uma oportunidade para os confrades degustarem alguns vinhos da distribuidora pernambucana Dom Vinho, harmonizados com a culinária já consagrada do chef César Santos, que é uma verdadeira mistura de sabores e texturas.
Entre uma taça e outra, os sommeliers Célio Vasconcelos (Dom Vinho), Ângelo Miranda (Ponte Nova) e Fabiana Gonçalves (Escrivinhos), fizeram uma breve explanação sobre os vinhos servidos, comentando as harmonizações.
O encontro ainda contou ainda com a rica participação do confrade jornalista Marcelo Sandes, que de forma inteligente e descontraída traçou um paralelo entre vinho e literatura.
Confira os vídeos da apresentação de Marcelo:
Partindo para a parte “prática”, a abertura dos comes e bebes foi feita com um ótimo espumante nacional:
Fausto de Pizzato Brut
Produtor: Pizzato
Origem: Serra Gaúcha, Brasil.
Visual: Coloração amarelo palha. Bolhas de médias a finas, em boa quantidade e persistência.
Olfato: Os aromas são frutados e alegres, lembrando um Prosecco, com leves toques cítricos, de amêndoa e fermento.
Paladar: Ótima cremosidade. Aparece novamente o tutti-frutti, mas sua boa acidez equilibrada com o açúcar faz com que a bebida não fique enjoativa.
Outras considerações: Elaborado pelo método Charmat, com segunda fermentação em tanques de inox, é feito com a uva Chardonnay e base Blanc de Noir, com as variedades Merlot e Cabernet Sauvignon. O nome “Fausto” faz referência à localidade Dr. Fausto de Castro, em Dois Lajedos, na Serra Gaúcha, onde são cultivadas as uvas. Sua graduação alcoólica é de 12,4%.
Classificação: Muito Bom/Excelente
Faixa de Preço: R$ 39
Recepção:
>>Torradas com azeites aromatizados com diversas especiarias.
Para acompanhar as entradas foi servido um interessante vinho branco:
Casas del Toqui Sauvignon Blanc – 2010
Produtor: Casas del Toqui.
Origem: Vale Central, Chile.
Visual: Cor amarelo palha com reflexos esverdeados.
Olfato: Discreto, com notas cítricas, tropicais e leve mineral.
Paladar: As sensações sentidas no nariz aparecem com maior intensidade, principalmente a mineralidade. Boa acidez, bom corpo.
Outras considerações: Produzido 100% com a uva Sauvignon Blanc, tem graduação alcoólica de 13%.
Classificação: Bom/Muito Bom
Faixa de Preço: R$ 28
Para entrada:
>>Mix de bolinho de banana com carne de sol, molho de mostrada, vinagrete de carne de sol, presunto de Parma com passa de caju e cream cheese.
>>Salmão defumado com picles de pepino, molho de mostarda e manga Kent (uma combinação difícil, porém que se saiu bem com a presença da manga, elemento que deu uma neutralizada na potência do picles e da mostarda).
Com os pratos principais, veio um vinho da caprichosa (assim como lembrou o confrade Célio) uva Pinot Noir:
Casas del Toqui Reserva Pinot Noir – 2010
Produtor: Casas del Toqui.
Origem: Vale de Cachapoal, Chile.
Visual: Cor rubi bem claro, límpido e transparente.
Paladar: Corpo leve, boa acidez. Repete as impressões do nariz, junto com um toque de baunilha conferido pela passagem em carvalho.
Outras considerações: Parte (40%) do vinho teve estágio em madeira. Elaborado 100% com a uva Pinot Noir. Tem 13,5% de álcool. Um Pinot de boa tipicidade, com “cara” de Velho Mundo.
Classificação: Muito Bom
Faixa de Preço: R$ 50
Pratos principais:
>>Risoto de aspargos verdes decorados com camarões (este prato compôs a harmonização da noite, em minha opinião, com o vinho Sauvignon Blanc).
>>Magret de Cannard a molho de tamarindo e purê de inhame gratinado, servido levemente mal passado, seguindo as tradições francesas (o que para os paladares brasileiros pode ser mal interpretado ou simplesmente não agradar). A proposta de harmonização foi boa: prato leve + vinho leve.
De sobremesa, um bem escolhido vinho do Porto:
Burmester Jockey Club Porto Reserva
Produtor: Casa Burmester | Sogevinus.
Origem: Douro, Portugal.
Visual: Coloração alaranjada.
Olfato: Caramelo, frutas vermelhas em compota, erva-doce.
Paladar: Boa presença de boca, com doçura agradável, equilibrada com a boa acidez. Traz além das características do nariz, notas de frutas secas.
Outras considerações: Este é um Tawny (vinho do Porto aloirado) produzido com as castas Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. Passou sete anos em garrafa antes de ser comercializado. Seu nome é uma homenagem aos esportes com cavalos, paixão da família Burmester. O teor alcoólico é de 20%.
Classificação: Muito Bom
Faixa de Preço: R$ 68
De sobremesa:
>>Doce negro: bolo de chocolate meio amargo com calda de chocolate amargo, chantilly e morango.
Como já é de praxe, parabéns aos organizadores Ricardo e Gustavo Lustosa e a todos os participantes que prestigiaram o evento. Agora é esperar pela 30ª edição (a balzaquiana, segundo Marcelo Sandes).
Os vinhos da Dom Vinho podem ser encomendados diretamente a Célio, pelo fone: (81) 9192 9252 ou pelo e-mail: domvinho@domvinho.com.br
A Confraria Amigos do Vinho Vale São Francisco (Cavas) realizou o seu 27º encontro valorizando mais uma vez os vinhos nacionais. Desta vez, os confrades reuniram-se no Antenor Ristorante, no Pina (Recife), com a presença de João Valduga, um dos proprietários da Casa Valduga.
Além de bons vinhos, ele trouxe interessantes comentários sobre a empresa, processo de produção e outras curiosidades. Para se ter ideia, a Casa Valduga tem um faturamento de R$ 60 milhões por ano. Possui 156 hectares de vinhedos próprios, que produzem de 3 a 4 toneladas de uva, cada um. Em média, são processados 1,5 milhão de quilos de uva por ano. [Para saber mais sobre a Casa Valduga, confira aqui post anterior do Escrivinhos].
Apesar do dia, uma terça-feira, os confrades compareceram para prestigiar o evento, que teve as presenças especiais do especialista Ivan Miranda e do padre Cláudio Jacinto, capelão da Marinha, da repórter de gastronomia Mariana Lôbo, além dos representantes da Empório Recife – distribuidor local dos vinhos da Casa Valduga. Na cozinha, Antenor Silveira comandou as panelas, elaborando um menu de primeira.
Para abrir a degustação foram servidos os espumantes Amante Rosé Brut Malbec 2009, o impecável 130 Brut e o Prosecco 2008.
De entrada, Antenor preparou um Pannino (pão italiano recheado com camarão flambado com conhaque em molho roseado e queijo emmentha, gratinado ao forno). A harmonização escolhida foi o Casa Valduga Gran Reserva Chardonnay 2010.
Casa Valduga Gran Reserva Chardonnay 2010
[Branco feito com a uva Chardonnay. Maturou seis meses em barris de carvalho romeno, ganhando no paladar um leve tostado proveniente da madeira. Sua cor é dourada e os aromas remetem a abacaxi, mel e frutas tropicais. Untuoso e com boa acidez, é um vinho gastronômico].
Já para o prato principal, foi servido um suculento filé alto grelhado ao molho três castas trufado e champignons de Paris frescos, puxados na manteiga, acompanhado da inconfundível massa caseira. Um vinho à altura acompanhou o prato: o Villa Lobos Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2006.
Villa Lobos Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2006
[Marcado pela complexidade aromática, este tinto apresenta frutas maduras, menta, café, baunilha, chocolate e leve herbáceo. Na boca, taninos de boa qualidade indicam seu potencial de guarda. Estagiou um ano em carvalho francês. Parte do dinheiro arrecadado com sua venda é doado para a Associação de Músicos do Rio de Janeiro].
De sobremesa, um TarteauxPomme (massa folhada recheada com creme de maçã acompanhada de sorvete de creme e praliné de amêndoas. Fechando a harmonização com chave de ouro, o Casa Valduga Espumante Premium Moscatel 2011.
Casa Valduga Espumante Premium Moscatel 2011
[Elaborado com a uva Moscato, tem doçura equilibrada com a boa acidez. Na taça, bolhas finas e persistentes surgem junto com um visual amarelo palha. Maçã verde e guaraná são os aromas mais evidentes. Leve, é uma boa opção para acompanhar sorvetes e saladas de frutas].
Ao final do evento, houve o sorteio de uma garrafa do espumante vintage Maria Valduga Brut.
Como de costume, Ricardo e Gustavo Lustosa deram um show na organização do evento. Parabéns a eles e a todos os participantes.
A Rio Sol pertence ao grupo luso Global Wines/Dão Sul, que possui oito vinícolas em Portugal. No Brasil, o grupo produz cinco diferentes marcas dentro do projeto Vinibrasil: Rio Sol, Paralelo 8, Adega do Vale, Vinha Maria e Rendeiras - todas no Vale do São Francisco.
O projeto teve início há apenas oito anos e segundo João Santos, diretor da Vinibrasil, a ideia recebeu muitas críticas, pois a maioria das pessoas acreditava que a região não produziria bons vinhos por conta do clima (semi-árido), da região (sertão nordestino) e principalmente da latitude (paralelo 8). “Produzimos vinhos com atitude e não com latitude”, brincou ele.
A crítica inglesa Jancis Robinson inclusive classificou o vinho em uma nova categoria chamada de "Nova Latitude", ao invés de enquadrá-lo como uma bebida do “Novo Mundo”.
A Vinibrasil possui no município de Lagoa Grande 2 mil hectares de terras, sendo 200 deles plantados, produzindo atualmente 1,5 milhão de litros por ano. Segundo João Santos (foto), uma das grandes peculiaridades do local é a possibilidade de safras contínuas e não apenas de duas safras, como acontece no resto do mundo. “Numa única visita pode se ver a poda das plantas, a uva verde e a uva madura, tudo a dois passos”, ressaltou.
A região tem mais de 300 dias de sol por ano, sendo um grande atrativo turístico. A vinícola recebeu, na última Páscoa, por exemplo, cerca de 1.200 visitantes de várias partes do Brasil. Para João Santos, a produção de vinhos vem alavancando o turismo na área e gerando outros negócios.
Em relação à produção, os funcionários receberam treinamento de profissionais do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade Técnica de Lisboa. As matrizes foram adquiridas na França e o material genético de universidades do exterior. A Vinibrasil utiliza colheita mecânica, facilitando a colheita noturna, onde a temperatura fica mais amena, chegando a 20ºC (durante o dia alcança cerca de 40ºC!).
Recentemente, a empresa fez um investimento de R$ 2 milhões em equipamentos de engarrafamento, vindo da Itália. “Em termos de maquinário não devemos nada a ninguém no mundo”, observou Santos. Nas caves, barricas de carvalho francês da Borgonha.
Atualmente, 40% da produção é exportada, ficando o restante para consumo interno. A Vinibrasil tem ISO 9001 de produção, o que garante a exportação. O Rio Sol é hoje o vinho mais exportado do Brasil e foi, por exemplo, o vinho servido ao Papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil. “A primeira vez que a Wine Spectator classificou um vinho brasileiro, foi um vinho da Rio Sol”, lembrou João Santos.
E para terminar, o diretor da Vinibrasil ainda explicou que os vinhos feitos próximos ao Equador possuem seis vezes mais resveratrol, substância benéfica ao coração, dado comprovado em uma tese de doutorado da Universidade Federal de Pernambuco.
No próximo post, conto sobre os vinhos degustados.
A Confraria Amigos do Vinho do Vale do São Francisco (Cavas) reuniu ontem no restaurante Leite, no Recife (o mais antigo do Brasil, fundado em 1882), um público recorde de mais de 120 confrades no seu 25º encontro. A noite foi regada com os vinhos luso-brasileiros do grupo Global Wines/Dão Sul, que desenvolve o projeto Vinibrasil em Lagoa Grande, município pernambucano do Vale do São Francisco, produzindo, entre outras marcas, os vinhos Rio Sol.
Surpresas não faltaram no animado encontro, organizado pelos primos Ricardo e Sampaio Lustosa. A primeira delas foi uma apresentação do cantador Santanna. Nascido em Juazeiro do Norte, Ceará, o artista exaltou o sertão com palavras e homenageou Pernambuco cantando o hino do Estado, devidamente acompanhado de um sanfoneiro.
Santanna ainda cantou a amizade, tema do encontro, que mais tarde foi comentado pelo confrade Tadeu Alencar, secretário da Casa Civil de Pernambuco. O encontro seguiu com algumas palavras do enólogo do Instituto do Vinho Vale do São Francisco (Vinho Vasf), Francisco Amorim, e do diretor da Vinibrasil, o português João Santos.
Outro momento interessante do evento (inusitado, até), foi uma “sabrage” (técnica de abertura de garrafa de espumante com um sabre) feita pelo confrade Gustavo Lustosa. Ele fez a “degola” vestido à moda dos cangaceiros. Os participantes, que se divertiram com a novidade, batizaram o feito de “faconage”, em alusão aos facões utilizados pelos sertanejos.
Nos próximos posts, saiba mais sobre a Vinibrasil/Rio Sol e confira os comentários do jantar harmonizado.
Na última quarta-feira (15), foi realizado no restaurante Mingus, em Boa Viagem, no Recife, o 23º encontro da Confraria Amigos do Vinho Vale do São Francisco (Cavas). Na ocasião, o proprietário da vinícola chilena Chono, Sergio Reyes (foto), fez uma explanação sobre a empresa e seus vinhos, que foram harmonizados com um jantar preparado especialmente para o evento.
Os vinhos da Chono estão sendo distribuídos no Recife com exclusividade pela Casa dos Frios. Segundo Maurício Dias, sommelier e um dos proprietários das lojas, a nova distribuição faz parte de um projeto de trazer para a Casa dos Frios (Graças e Boa Viagem) rótulos de pequenos produtores e de vinícolas boutique.
A Chono é um dos projetos da Geo Wines, fundada em 2000 por Sergio Reyes junto com Alvaro Espinoza - um dos enólogos mais respeitados do Chile - e Juan Carlos Faundez, que tem trabalhado há mais de 15 anos com Alvaro, compartilhando a mesma paixão e conhecimento por vinhos e a viticultura sustentável.
Os outros projetos da Geo Wines são Rayun, Cerrillos e Cucao. Alguns dos vinhos são produzidos de acordo com os padrões orgânicos e biodinâmicos, como os rótulos Chono San Lorenzo e Chono San Lorenzo Estate, assim como também a linha Cerrillos.
Chono era o nome de um povo indígena que viveu na Patagônia chilena até o século 18. Foi estudado pelo naturalista Charles Darwin, que o descreveu como um povo “apaixonado e de grande temperamento”.
Eram pescadores e conviviam com um clima difícil, de poucas chuvas. Construiam eficientes embarcações, como a da foto acima.
Em 1916, Eduardo Moore, avô de Sergio Reyes, conheceu um dos últimos representantes do povo Chono quando serviu ao exército e ficou admirado com a história da tribo. Foi daí que veio a inspiração para batizar a linha de vinhos.
ENCONTRO – O encontro da Cavas foi mais uma vez bastante prestigiado. Num clima descontraído, pude comentar sobre um dos cinco vinhos provados - o excelente Chono Reserva Carmenère 2008, junto com o confrade Ivan Miranda, que também falou sobre outros rótulos. O jornalista Renato Lima fez inteligentes comparações entre os vinhos provados e a literatura.
Mais uma vez, parabenizo Ricardo e Gustavo Lustosa pela organização do evento, os confrades pela animação e interesse, e ainda a Casa dos Frios pela seleção dos rótulos. Nos próximos posts, comento sobre os vinhos provados. Até a próxima!
O restaurante Thaal Cuisine, no Recife, recebeu na última semana o 22º encontro da Confraria Amigos do Vinho Vale São Francisco (Cavas). O evento aconteceu em parceria com a pernambucana Ducos Vinícola, que apresentou algumas novidades.
Sempre muito bem prestigiado de público, este encontro da Cavas contou com a presença do enólogo francês Michel Fabre, que está à frente da elaboração dos vinhos da Ducos. Ele explicou que está há dois anos em Petrolina e seu trabalho consiste em compreender o clima, o solo e a planta da região para conseguir uma uva de qualidade e, consequentemente, bons vinhos.
Ricardo Lustosa e o enólogo Michel Fabre
Além dos vinhos da Ducos foram apresentados dois rótulos estrangeiros que estão sendo trazidos ao Brasil pela vinícola. Um deles é um italiano, produzido na Toscana, em terras pertencentes aos atuais proprietários da Ducos Vinícola. O outro é francês, da região Saint Jean de Minervois, assinado por Michel Fabre.
Ricardo e Gustavo Lustosa com Thiago Freitas
O menu da noite foi criado com os toques apimentados do chef Thiago Freitas. Para a entrada, foi servido um prato desafiador: o salmão salar (bastão de salmão crocante envolto em harumaki, recheado com creme de raiz forte sobre teriaki de cabernet sauvignon + cubo de salmão sous-vide pincelado em azeite aromatizado com limão siciliano, guarnecido com crocante de coco e parmesão + cubo 3D de salmão marinado em shoyo cítrico, em crosta de gergelim negro, sobreposto por nuvem de philadelfia e geléia de buriti).
Château Duccos Cabernet Sauvignon – 2008
Vinho de cor rubi escura com aromas de frutas maduras e especiarias. Jovem, não passou por madeira. Na boca apresenta taninos bem aparentes, que podem ser melhorados com a guarda da bebida por mais uns dois anos. Ainda traz ao paladar frutas maduras e leve café.
Sua graduação alcoólica é de 13%.
Classificação: Bom Faixa de preço: R$ 17
Para jantar, optei por uma paella de pato (arroz de prato crocante com chouriço espanhol perfumado com páprica e espetinho de aspargo). Quem enfrentou bravamente o prato foi o seguinte vinho:
Château Duccos Petit Verdot – 2010
Já falei sobre isto aqui no blog, mas é bom lembrar. A Ducos é a primeira vinícola no Brasil a produzir vinhos com a uva Petit Verdot, originária da região de Bordeaux e muito usada em vinhos de corte no Velho Mundo.
O vinho utiliza 100% da variedade Petit Verdot e apresenta cor rubi, com aromas de frutas vermelhas e especiarias. É uma bebida que enche a boca com seus taninos jovens e frutas vermelhas marcando presença. A acidez pode ser melhorada.
Como o vinho é bem jovenzinho, acredito que também dê uma “afinada” na garrafa.
Seu teor alcoólico é de 13%.
Classificação: Regular Faixa de preço: R$ 17
A seguir, os dois exemplares do Velho Mundo trazidos pela Ducos.
Villa Sardini – 2008
Este é um toscano elaborado com as uvas Sangiovese (75%), Merlot (20%) e Canaiolo + Cigliegiolo (5%). Seu envelhecimento foi em aço inox.
A cor é rubi escura e brilhante. Os aromas são de frutas vermelhas e especiarias. Apresenta médio corpo e traz as sensações do nariz ao paladar, com taninos de boa qualidade.
Um vinho para acompanhar comida, principalmente carnes e massas. Tem 13,5% de álcool.
Classificação: Bom. Faixa de preço: R$ 45
La Croix de Saint Jean Lo Mainatge Minervois AOC – 2007
Vinho originário da região de Saint Jean de Minervois, na França, elaborado com as variedades Grenache, Syrah e Mourvedre.
De cor rubi, mostra aroma frutado, com notas de framboesa e cassis. Na boca, mostra médio corpo e elegância, mantendo as impressões do nariz. Também teve envelhecimento apenas em inox.
A graduação alcoólica é de 14,%. Sua fermentação foi 100% integral.
Classificação: Muito Bom. Faixa de preço: R$ 45
Para finalizar, o chef criou uma sobremesa especial com a manga Kent, também originária do Vale do São Francisco, que não possui fibras e pode ser degustada às colheradas.
A sua criação foi batizada de K-e.n/t (parfait de limón los Alpes em base duquoise, crumble de aveia, sorvete de manga kent aromatizado com chá verde e tuile crocante da própria manga).
O 20º encontro da Confraria Amigos do Vinho Vale do São Francisco (Cavas) aconteceu esta semana no novo restaurante do chef Duca Lapenda, o Tapioca, no Recife. A noite teve um belo desafio, que foi a harmonização de comida regional com os vinhos da brasileira Casa Valduga.
O evento contou com a participação do enólogo Alexandre Mondadori (foto), que fez uma explanação sobre a Casa Valduga e seus vinhos (em breve, falarei com detalhes sobre a vinícola aqui no blog, pois ela esteve em meu roteiro de visitas técnicas feitas este mês a convite do Instituto Brasileiro do Vinho – Ibravin).
Prestigiado como sempre, o encontro foi bastante movimentado, contando desta vez com a participação de uma equipe do canal 14 da Net Recife, que gravou algumas cenas e entrevistas a serem exibidas em breve em um programa especial da Confraria.
Antes de comentar sobre os vinhos e o menu, gostaria de parabenizar mais uma vez os organizadores - os primos Ricardo e Gustavo Lustosa,- que com muito amor à causa têm conseguido promover eventos muito proveitosos tanto do ponto de vista da reunião de amigos, quanto do aprendizado em torno do vinho.
A harmonização:
De entrada, o chef Duca Lapenda apostou em uma saladinha de feijão com cubos de queijo coalho marinados em especiarias. A combinação foi com o seguinte rótulo:
Amante Malbec Rosé – 2008
É um espumante feito a partir da uva Malbec através do método Champenoise (com segunda fermentação na garrafa). Aliás, todos os espumantes da Casa Valduga são produzidos desta maneira.
A cor é rosada clara, com perlage bastante fina e delicada.
A bebida, que passou dez meses em contato com as leveduras, tem aromas de frutas vermelhas silvestres, como morangos e framboesas. Na boca, traz novamente as frutas e mostra boa cremosidade e ótimo equilíbrio entre acidez e açúcar.
Suas uvas vêm da região de Encruzilhada do Sul.
Classificação: Muito bom.
Duca Lapenda também optou por fazer uma segunda entrada fria: um shot de creme de abóbora com perfume de roquefort e charque crocante. Para harmonizar, o espumante que é considerado um dos melhores do Brasil:
130 Brut
Esta é uma bebida de alto nível produzida pela Casa Valduga, pela qual tenho bastante respeito. Trata-se de um espumante produzido cuidadosamente com as uvas Chardonnay e Pinot Noir de três diferentes safras (2002, 2004 e 2005). Com elas, foram preparados sete diferentes tipos de vinhos-base que estagiaram seis meses em barricas de carvalho francesas e romenas.
O rótulo é uma homenagem aos 130 anos da chegada da família Valduga ao Brasil.
Sua cor é amarelo dourado e apresenta uma linda perlage, de bolhas minúsculas e em ótima quantidade. Os aromas remetem a notas de panificação, devido ao contato com as leveduras, além de frutas secas e papelão.
No paladar é seco, untuoso e com boa cremosidade. Traz frutas, amêndoas e deixa um longo retrogosto. Sua graduação alcoólica é 13%.
Classificação: Excelente.
Na terceira entrada, Duca foi de ensopadinho de frutos do mar com castanhas de caju. Minha opinião é que esta opção combinou muito bem com o espumante 130.
O vinho que veio em seguida foi um super rótulo da Casa Valduga:
Gran Reserva Chardonnay – 2009
Assim como o 130, também já tinha tido a oportunidade de experimentar este maravilhoso branco feito 100% com a variedade Chardonnay. O vinho ficou sobre as borras finas por seis meses, em barricas de carvalho francesas e romenas de primeiro uso.
Sua cor é amarelo-palha com reflexos esverdeados e apresenta no nariz notas de carambola, maracujá e tostado. Na boca, é imponente e tem ótimo corpo. Identifica-se chocolate branco, ressaltado pelo enólogo Alexandre Mondadori, com uma ótima persistência. Um vinho elegante, bem equilibrado e gostoso de tomar.
Classificação: Excelente/Excepcional
O prato principal foi simplesmente arrasador. Um arroz de cabidela com chouriço português que merece a dedicação de um dia inteiro para ser preparado. Um prato que mescla as tradições nordestinas com a culinária lusitana, dando um gostinho caseiro e ao mesmo tempo sofisticado.
Para harmonizar, uma escolha muito bem feita:
Mundvs Alto Malbec - 2005
As uvas deste vinho vieram de Lujan de Cuyo, em Mendoza, naArgentina, berço da variedade Malbec. Seu amadurecimento foi de 15 meses em barricas de carvalho francês.
A coloração da bebida é rubi com reflexos violáceos. No olfato, revela notas de frutas vermelhas, como ameixas, cassis e especiarias.
No paladar mostra ótimo corpo e taninos de boa qualidade. Os sabores são de frutas vermelhas, baunilha, chocolate e novamente especiarias. O teor alcoólico é alto: 14,7%.
Classificação: Muito bom/Excelente
O menu foi muito bem finalizado com um bruleé de queijo de manteiga sobre creme de bananas caramelizadas que harmonizou com o seguinte espumante:
Moscatel Premium – 2009
Elaborado com a variedade Moscato, este espumante impressionou na taça. Tem coloração clara e límpida, com uma perfeita perlage, de bolhas finas, intensas e bem centralizadas.
No nariz traz frutas tropicais, como mamão. Na boca, mostra doçura equilibrada, boa acidez e frescor. É um vinho que vai bem com sobremesas finas, de preferência com frutas. Sua graduação alcoólica é de 8%.
Fotos: Ana Paula Bernardes O 19º encontro da Confraria Amigos do Vinho Vale do São Francisco (Cavas) aconteceu esta semana num dos mais prestigiados restaurantes do momento no Recife, a Risoteria e Ristorante Da Noi, em Boa Viagem.
Apesar de reservado para 40 pessoas, muitos confrades apareceram para prestigiar, deixando o evento ainda mais animado.
O menu estava de muito bom gosto e os vinhos, dessa vez, foram de diferentes produtores e regiões vinícolas.
De entrada, a casa serviu uma Varieta di bruschetta (pão italiano com tomate e mussarela de bufala, parma, brie e geléia de damasco). O vinho escolhido para harmonizar foi um branco nacional de ótima qualidade, descrito logo abaixo.
Casa Valduga Gewürztraminer Premium - 2005
Como expliquei durante o evento, este é um vinho produzido com uma uva originária da Alsácia, na França, porém de nome alemão, chamada Gewürztraminer. Devido à sua difícil pronúncia, esse nome gerou muitas brincadeiras entre os confrades. Porém, foi esclarecida por um alemão original, integrante da confraria (foto abaixo). Gewürz significa “especiaria”, característica que muitas vezes a uva transmite ao vinho.
Quanto ao rótulo em questão, trata-se de um branco bastante delicado produzido pela Casa Valduga, na Serra Gaúcha. Com coloração amarelo palha, apresenta discretos aromas florais e um caráter mineral, trazendo para a boca uma boa doçura que lembra lichia. Tem boa persistência e equilíbrio de acidez. Sua graduação alcoólica é de 12%.
Classificação: Muito bom.
Havia opções de dois primeiros pratos. A primeira era um Gnocchi di Ricotta e Porri al Sugo (gnocchi de ricota e alho poro com molho de tomate e manjericão) e a segunda um Filetto Alla Mastroianni (medalhões de filet mignon ao molho perfumado de tartufo e ravióli de queijo). Optei pelo filé e me dei bem. Ele fez boa combinação com o vinho servido a seguir.
Meia Pipa – 2008
Já havia provado este vinho, porém nunca comentado aqui no blog. Ele é produzido pela conceituada vinícola portuguesa Bacalhoa, com denominação de Vinho Regional Terras do Sado (Península de Setúbal).
Contam que a origem do seu nome vem do fato que o vinho era inicialmente comercializado em meias pipas (barris) de 250 litros. Em sua composição entram as castas Cabernet Sauvignon, Syrah e Castelão.
A bebida, que tem 14%, passou 12 meses em carvalho.
Na taça, apresenta coloração rubi e um discreto halo aquoso na borda. Traz aromas de frutas escuras, como ameixa, notas de especiarias e um leve mentolado. Alguns confrades também registram outras sensações, como de mel de engenho, caramelo e café.
O vinho tem bom corpo e equilíbrio, além de taninos bem estruturados. É um vinho que certamente tem potencial para guarda.
Classificação: Muito bom.
O segundo prato também contou com duas opções. Um Gnocchi Gratinati al Pomodoro e Funghi (gnocchi de batata gratinado com molho de tomate e funghi) e um Risotto con Filetto di Agnello e Funghi Freschi (arroz italiano com file de cordeiro e cogumelos frescos). Apostei na especialidade da casa e escolhi um risoto, de muito boa qualidade.
Para harmonizar, os confrades organizadores escolheram o argentino a seguir:
Argento Reserva Cabernet Sauvignon – 2008
Produzido pela Bodegas Esmeralda, em Mendoza, na Argentina, o Argento é um vinho bem conhecido pelas bandas de cá. É um vinho que precisa “respirar” para soltar os seus aromas, pois o álcool está bastante pronunciado no primeiro momento.
É um vinho de cor rubi, com intensas lágrimas na taça. De estilo fácil, bem frutado, com toque de baunilha e algum tostado. Na boca continua frutado e ainda revela um caráter de defumado.
Tem pouco corpo e pouca persistência. Sua graduação alcoólica é de 13%.
Classificação: Bom
Neste meio tempo, tivemos duas oportunas participações de confrades que falaram de interessantes e oportunos temas.
O primeiro foi o já assíduo confrade Padre Cláudio Jacinto, que falou sobre vinho e religião. Ele lembrou que estamos na época de comemoração da Páscoa e traçou um paralelo mostrando como o vinho estava presente na vida de Jesus e ainda hoje se faz presente nas celebrações cristãs.
A segunda participação foi do cirurgião cardiovascular Fábio Granja. Ele explicou aos confrades presentes os benefícios do consumo moderado de vinho no dia-a-dia, citando o “paradoxo francês”. Naquele país, onde é costume tomar-se uma ou duas taças diárias de vinho, os eventos cardíacos são bem mais baixos que em outras localidades.
Segundo o médico e confrade, os flavonóides e o resveratrol, substância transmitidas ao vinho, têm o poder de diminuir os radicais livres, o colesterol ruim (LDL) e aumentar a gordura boa (HDL).
Por essas e por outras, continuamos animados a noite, que fechou com uma bela sobremesa: um Salami di Cioccolato con Salsa di Pistachio (salames da chocolate com calda de pistache e sorvete de creme).
Para harmonizar, um espumante que já comentei por aqui:
Rio Sol Brut Rosé
Originário do vale do São Francisco, o Rio Sol Brut Rosé é produzido pela ViniBrasil pelo método Charmat, com segunda fermentação em tanques de aço inox. Seu teor alcoólico é de 12%.
De coloração salmon, apresentou boa quantidade de bolhas. Tem aromas de morango e na boca apresenta boa cremosidade, mantendo o frutado. Este espumante deve ser tomado bem gelado.
Classificação: Bom.
Como alguns confrades mesmo já puderam identificar, o espumante foi bem com o sorvete de creme, mas não caiu bem com o chocolate. Talvez uma fruta vermelha na mistura casasse melhor.
Estamos cada vez com os sentidos mais afiados!
Mais uma vez, parabéns aos organizadores Ricardo e Gustavo Lustosa, e aos diletos confrades.