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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Degustação na Quinta do Bom Retiro


Após a visita na Quinta da Ervamoira, seguimos para a Quinta do Bom Retiro, uma das mais antigas da região do Douro, em Portugal, adquirida em 1919 pela Casa Ramos Pinto. Banhada pelo Rio Torto, a propriedade possui mais de 110 hectares de área, dos quais 62 hectares estão plantados com vinhas apenas de uvas tintas. Essas plantações, distribuídas em patamares, estão em altitudes que variam dos 100 aos 400 metros, formando uma belíssima paisagem de tons distintos.


Além das plantações, na Quinta da Ervamoira funciona um centro de vinificação, onde o destaque fica para os dois lagares de granito com capacidade para nove mil quilos de uvas cada. Nesses tanques é feita a tradicional pisa-a-pé das uvas.


A casa principal, onde nos hospedamos, é uma construção que mantém todo o charme da época em que foi construída. Lá, podemos encontrar uma das primeiras piscinas da região do Douro, além de um bem cuidado jardim clássico, que conta com diferentes variedades de árvores frutíferas.


Foi nesse cenário onde fizemos uma degustação de grandes vinhos, durante um delicioso jantar. Confira a seguir a minha opinião sobre os rótulos provados:

Adriano Porto White Reserva


Tipo:
Porto.
Produtor: Ramos Pinto.
Origem: Douro, Portugal.
Visual: Cor âmbar.
Olfato: Mel, frutas secas, resina e especiarias.
Paladar: Cremoso, com boa doçura, acidez presente e final prolongado. O sabor reproduz as sensações do nariz.
Outras considerações: Elaborado com as castas Codega, Malvasia Fina, Viozinho e Rabigato. É feito com vinhos que envelheceram em média menos sete anos nas caves da Casa Ramos Pinto, em Vila Nova de Gaia. Tem 19% de álcool.

Classificação: Excelente.

Duas Quintas Reserva 2013


Tipo: Tinto.
Produtor: Ramos Pinto.
Origem: Douro, Portugal.
Visual: Violeta profundo.
Olfato: Floral, frutas escuras, erva doce e baunilha.
Paladar: Ainda jovem, porém já equilibrado. Mostra uma acidez interessante e o sabor traz de volta as características do olfato, junto com um toque de café.
Outras considerações: Tem em sua composição as melhores uvas da Quinta da Ervamoira e da Quinta dos Bons Ares, incluindo as variedades Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca. Após a fermentação malolática, estagia em pipas de carvalho novo por um período de 18 meses. Depois de engarrafado, envelhece durante um ano na Quinta dos Bons Ares. Tem 14,5% de álcool.

Classificação: Excelente (vai evoluir com a guarda)

Ramos Pinto Porto Vintage 2000


Tipo:
Porto.
Produtor: Ramos Pinto.
Origem: Douro, Portugal.
Visual: Cor violeta de média profundidade.
Olfato: Ameixa, floral, erva doce e chocolate.
Paladar: Encorpado, com bom equilíbrio entre acidez e doçura. Voltam as características percebidas no olfato junto com notas de café e pimenta do reino. Final prolongado.
Outras considerações: Elaborado com Touriga Nacional (60%), Tinta Roriz (15%), Tinta Barroca (10%) e outras variedades provenientes de vinhas velhas, pisadas a pé em lagar, com envelhecimento de dois anos em madeira. É um vinho que tem muito ainda a evoluir. Sua graduação alcoólica é de 20%.

Classificação: Muito Bom/Excelente (vai evoluir com a guarda)

Ramos Pinto Porto 20 Anos Quinta do Bom Retiro


Tipo:
Porto.
Produtor: Ramos Pinto.
Origem: Douro, Portugal.
Visual: Cor âmbar pouco profunda.
Olfato: Complexo, envolve notas de caramelo, frutas secas, tostado, baunilha, erva doce e pimenta.
Paladar: Encorpado, untuoso, muito equilibrado e elegante. Tem as mesmas características do nariz e ainda traz um toque amendoado. Final persistente.
Outras considerações: Traz em sua composição as variedades Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão. É um blend proveniente da seleção de vários lotes originários da Quinta do Bom Retiro. A idade média dos vinhos usados é de 20 anos, porém entraram no blend final vinhos datados de 1900 e 1909. Tem 20% de álcool. No Brasil, este rótulo estampa um desenho mais clássico.

Classificação: Excelente/Excepcional.

Os vinhos da Ramos Pinto são importados pela Licínio Dias (LD) Importação e Grupo Franco-Suissa.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mais vinhos do projeto Swop: Secret Wines of Portugal

Provei ontem à noite, durante uma apresentação no Wiella Bistrô, no Recife, mais alguns rótulos do Swop, projeto sobre o qual já falei aqui no blog (relembre). Alguns ainda não estão à venda em lojas, mas já podem ser adquiridos pelos estabelecimentos que se interessarem em comercializá-los.

Confira as avaliações:

Espumante RS


Produzido pela vinícola Rama e Selas, na região da Bairrada, é um espumante elaborado através do método tradicional (com segunda fermentação em garrafa) e que tem em sua composição as castas Baga, Arinto e Chardonnay.

Possui cor amarelo palha, borbulhas finas e duradouras. No nariz, apontamentos de frutas brancas e um toque de leveduras. O paladar traz boa acidez, fruta discreta e o mesmo fermentado percebido no olfato, com um leve adocicado. É uma bebida simples, sem muita complexidade para um espumante do método clássico, porém agradável. Tem 12% de álcool.

Vale o preço.

Classificação: Boa Compra.
Faixa de preço: R$ 52 (No Recife, no Barchef)

Casas Altas Tinto Garrafeira 2011


Elaborado 100% com a variedade Touriga Nacional, teve 18 meses de maturação em carvalho francês. Apresenta cor violeta de média profundidade e aroma potente, com bastante fruta em compota, notas florais e de especiarias. É preciso deixa-lo “respirar” para que o ataque inicial do álcool se dissipe.

No paladar, é marcado por notas de madeira, frutas maduras e especiarias. Corpo médio e taninos bem presentes. Um vinho feito para acompanhar comida, especialmente pratos fortes. Tem 14,5% de graduação alcoólica.

Classificação: Bom.
Faixa de preço: R$ 120.


Ainda pude degustar um outro vinho que já havia provado, porém de safra diferente. O Alvarinho Vinha da Bouça 2013 mostrou-se com melhor complexidade e mais sério, porém com um pouco menos de frescor que a safra 2014. Um bom branco do Minho.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Wine & Soul Porto 10 Anos


Cerca de 30 castas tradicionais do Douro cultivadas em vinhas velhas foram utilizadas para a produção deste Porto Tawny 10 anos, com fermentação em lagares com pisa a pé. Sua maturação foi de cerca de dez anos em antigos cascos, com mais de 50 anos de idade. É um vinho com complexidade e riqueza aromática, que mostra uma coloração granada e alguns sedimentos na taça, decorrentes de sua não filtração.  O nariz traz notas de amêndoas, frutas secas e mel. O paladar é cremoso, com doçura elegante e as mesmas sensações do nariz, revelando ainda no sabor toques apimentados e de café. Foram produzidas duas mil garrafas. A graduação alcoólica é de 19,5%.

Produtor: Wine & Soul
Região: Douro, Portugal.
Importador: Adega Alentejana.
Média de preço: R$ 230 (No Recife, no RM Express)
Classificação: Muito Bom/Excelente

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Quinta Maria Izabel: novo projeto no Douro com a assinatura de Dirk Niepoort


Foram lançados ontem, no Recife, os vinhos da Quinta Maria Izabel – a mais nova vinícola estabelecida na região do Douro, em Portugal. A empreitada é do grupo João Carlos Paes Mendonça, que além dos ramos de shoppings, imobiliário e comunicação, agora resolveu investir no mundo vitivinícola. Inicialmente, são quatro diferentes propostas de vinhos (branco, rosé, tinto e Porto Vintage), todos com a assinatura do renomado enólogo e consultor Dirk Niepoort, com foco em qualidade superior. A importação é da Ridouro.

A Quinta Maria Izabel já nasceu grande. Conta com 130 hectares de terras, dos quais 70 estão plantados com vinhas de 18 castas. Outros 14,5 hectares são para a produção de azeite. A primeira produção foi de um pouco mais de 50 mil garrafas.

“A Quinta Maria Izabel é um hobby, mas também vou em busca de resultados”, diz o empresário João Carlos Paes Mendonça, evidenciando a sua veia de empreendedor. Segundo ele, inicialmente, os vinhos começarão a ser comercializados no Recife, depois no Nordeste, para então ganhar as prateleiras do Brasil e do exterior.


A comercialização será feita nas grandes casas do ramo e em restaurantes, além contar com uma linha direta com o consumidor pela internet e por telefone, que deverá em breve entrar em funcionamento.

Para Dirk Niepoort, a Quinta Maria Izabel é privilegiada para a produção de tintos, dando origem a vinhos “equilibrados, intensos, concentrados, com boa acidez e elegância”, explica. Porém ele também aposta bastante na qualidade do branco. “Vai dar muito o que falar nos próximos anos”, avalia Dirk.

Confira as minhas impressões sobre os vinhos provados, durante almoço no restaurante Rui Paula:

Quinta Maria Izabel Rosé 2014


Segundo Dirk Niepoort, este é um rosé de caráter mais sério. Para mim, ele é um vinho gastronômico, que combina bem com pratos de carnes brancas, bacalhau e peixes mais gordos, como o salmão. Na taça, mostra uma bonita coloração cereja brilhante. Exibe um discreto frutado tanto no aroma quanto no paladar, ressaltando notas de framboesa, cereja e goiaba. Na boca é um vinho cheio, com corpo, e de média acidez. Tem 13% de álcool.

Classificação: Bom.

Quinta Maria Izabel Branco 2014


Leve, agradável e saboroso. É um branco de cor amarelo palha com reflexos esverdeados que apresenta no nariz um caráter cítrico, envolvendo também notas de aspargos, leve mineral e uma ponta de baunilha, ocasionada pelo seu estágio parcial em barricas. O sabor traz de volta as sensações do nariz, junto com uma boa acidez e final prolongado. Pode ser tomado como aperitivo ou acompanhando pescados, frutos do mar, saladas e petiscos leves. O teor alcoólico é de 13%.

Classificação: Muito Bom/Excelente.

Quinta Maria Izabel Tinto 2012


Provamos a garrafa versão Magnum (1,5l) do principal vinho da Quinta Maria Izabel. Este é produzido com uvas Touriga Nacional e Touriga Francesa provenientes de vinhas com idades entre 20 e 30 anos. Sua coloração violácea profunda denota jovialidade. O aroma envolve notas de ameixa madura, mentol, café e flores secas. Na boca mostra corpo médio, fruta elegante, boa acidez e taninos bem presentes, de qualidade. Além das características do olfato, o sabor ainda traz um toque de café. Final prolongado. É um tinto com ótimo potencial de evolução. Tem 13,5% de álcool.

Classificação: Muito Bom/Excelente (com potencial de evolução).

Quinta Maria Izabel Porto Vintage 2012


De cor violeta profunda, é um Porto bastante aromático, que oferece notas florais, de frutas secas, noz moscada e cravo. O paladar é cremoso, com boa doçura e leve acidez. O sabor repete as impressões do nariz, trazendo ainda um toque tostado e de café. Final prolongado. Tem 20% de álcool e deve também melhorar com a guarda.

Classificação: Bom/Muito Bom.

*Os preços dos vinhos da Quinta Maria Izabel ainda não foram informados.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Harmonizando vinho do Porto e bolo de frutas (#CBE)

A sugestão de tema para ser comentado este mês na Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) foi do confrade Gil Mesquita, do blog Vinho Para Todos. Gil, que assim como eu é apreciador de uma boa corrida, fez um pedido nada light, porém muito interessante: qualquer vinho de sobremesa com uma dica de harmonização no post.

Aproveitei o aniversário da minha mãe, que foi ontem, e fiz a minha experiência com o bolo da festa. A iguaria, tipicamente pernambucana, é conhecida como bolo de noiva ou bolo de frutas. A receita original leva frutas cristalizadas e ameixas, mas este foi feito só com as ameixas. A massa também leva vinho do Porto ou moscatel. É um bolo que “apura” o sabor com o passar dos dias. Este estava com quatro dias de “maturação”. Simplesmente irresistível!

Para harmonizar, escolhi um clássico da Ramos Pinto:


Ramos Pinto Porto Tawny

Tipo: Vinho do Porto/Sobremesa/Licoroso/Fortificado.
Produtor: Ramos Pinto.
Origem: Douro, Portugal.
Visual: Cor granada profunda.
Olfato: Amêndoas, canela e frutas secas.
Paladar: Untuoso, com bom equilíbrio entre acidez e doçura. Exibe notas tostadas e traz de volta as sensações do olfato. Final prolongado.
Outras considerações: Elaborado com as variedades Tinta Roriz e Tinto Cão, este vinho maturou em cascos e tonéis de carvalho de três a cinco anos. Tem 19,5% de álcool.

Classificação: Muito Bom/Excelente.
Média de preço: R$ 70 [Licínio Dias (LD) Importação]

O resultado da harmonização:

Os dois elementos apresentaram o mesmo nível de doçura, tornando a combinação agradável. Outro ponto a favor foi o sabor das frutas secas, sentido tanto no bolo quanto no vinho. O sabor “apurado” da sobremesa também se encaixou perfeitamente com o caráter levemente oxidativo do vinho. Resumindo: uma excelente combinação.